Livros de 'Sara e sua turma' viram desenhos animados

Série literária infantil Sara e sua turma vira desenho animado e ajuda crianças a lidar com temas como perdas e bullying

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Reprodução/Internet
 

Uma pequena brasiliense saiu do mundo dos livros e foi para as telinhas. Trata-se da personagem Sara, criada pela escritora Gisele Gama Andrade, que, além da série de obras literárias infantis, se transformou em desenho animado. Com foco no cotidiano e nos problemas enfrentados pelas crianças, Sara e sua turma, por enquanto, está só no YouTube, mas há planos e negociações para que as histórias cheguem a algum canal de tevê.

Negra, a pequena Sara, é inspirada diretamente na filha de Gisele, também chamada Sara. Ela queria lidar com situações do dia a dia da menina por meio da literatura, mas sentiu que havia escassez de material. “Sara é minha filha. A personagem surgiu da necessidade de dialogar com ela sobre situações que ela estava passando na escola. Tentei fazer isso por intermédio da literatura, mas não encontrei nada que pudesse usar. Então, peguei uma foto dela, mandei para um ilustrador amigo meu, Ronaldo Santana, e assim surgiu a personagem”, conta Gisele.

Para a autora, conseguir colocar em prática a ideia de transformar as histórias que surgiram nos livros em desenho animado foi uma conquista. “Acho fantástico termos chegado a esse ponto. Já escrevi mais de 50 histórias e todos os dias me inspiro. Literatura infantil com um cunho educacional é sempre bem-vinda. O desenho animado é só uma consequência da solidificação desse trabalho”, comenta.

Abordando temas como bullying, diversidade e preconceito, Gisele acredita que o conteúdo do desenho pode ajudar outras crianças que enfrentem situações parecidas. “A personagem Sara, uma criança negra, vivendo em uma família uniparental e multirracial, sem bandeiras, sendo uma criança como qualquer criança brasileira, em desenho animado, amada pelas crianças, é uma sensação muito boa de estar plantando boas sementes.”

Gisele observa que, apesar de existir uma infinidade de livros infantis disponíveis no mercado, não são tantos os que tratam de temas assim. “Surpreendentemente, há pouca coisa ainda para discutir temas importantes, como a morte de um ente querido, como lidar com um novo bebê na família, briga entre amigos, coisas assim. Isso foi me instigando e me inspirando. Como educadora e mãe, acho que foi mais fácil observar essas questões”, aponta.

Todo o investimento até agora, conta Gisele, foi feito pela própria escritora, mas há apoio de instituições para captar mais recursos que permitam a produção de maior número de episódios e a exibição em canais de televisão. “Não temos muito apoio financeiro, embora o MEC e Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares) estejam conosco dando todo o apoio técnico e buscando patrocínio para que possamos ser veiculado na TV Escola. Mas têm sido anos difíceis, então, continuamos na luta”, explica.




Duas perguntas / Gisele Gama Andrade


Quais as partes boas de escrever para esse público?
Só vejo lado bom. Se pensarmos nas questões econômicas, com a quantidade de literatura traduzida e nacional, as dificuldades de distribuição, de divulgação e de apoio, às vezes desanimamos. Mas não quero pensar nisso. Escrevo para crianças há quase 10 anos. Sempre foi trabalho de “formiguinha”, mas hoje somos reconhecidos pelo nosso trabalho em vários países do mundo. A tendência, com o desenho animado, é de ganharmos cada vez mais espaço e reconhecimento. Vamos continuar na luta.

E quais as dificuldades de escrever para o público infantil?
Não sinto dificuldade em escrever para o público infantil. É preciso manter a alma de criança. Olhar o mundo e perceber como elas o veem. O adulto normalmente esquece a criança que foi. Eu tenho tentado resgatar isso todos os dias. E com certeza me sinto uma pessoa melhor por isso.

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