Clube do Choro abre as portas para a nova música brasiliense

Projeto Prata da Casa se expande e atrai cada vez mais o público brasiliense interessado em conhecer as novidades da cena musical

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postado em 20/03/2017 07:33

André Calvino/Divulgação
 

 

O músico brasiliense tem, há 12 anos, um espaço nobre para se apresentar na cidade. Com o projeto Prata da Casa, o Clube do Choro oferece a esses artistas maior visibilidade. A iniciativa foi ao encontro de instrumentistas, cantores e grupos interessados em mostrar ao público um trabalho autoral ou releituras em shows com estrutura profissional.



Desde março de 2016, o projeto passou a ter dimensão maior. Se até então as apresentações estavam restritas às terças-feiras e sábados, a ocupação do palco do Espaço Cultural do Choro passou a ocorrer praticamente durante toda a semana. Isso decorre do fato de a direção do clube vir investindo ainda mais nos talentos locais.

“Quando foi criado, em 2005, o Prata da Casa ocorria apenas às terças-feiras. Mas, diante da crescente reivindicação dos músicos e do público, decidimos há cinco anos que o projeto teria mais um dia, o de sábado. Do ano passado para cá, a presença deles em nossa programação é cativa”, explicou Henrique Santos Neto, o Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro.

Quem se apresenta amanhã, às 21h, no Espaço Cultural do Choro é o duo formado por Pedro Vaz (viola caipira) e Jefferson Amorim (contrabaixo acústico). “Já tocamos em outros lugares, mas esse show de agora vai ser o mais importante para nós. Vamos interpretar composições autorais e criações de mestres como Almir Sater e Roberto Corrêa, além de arranjos para clássicos de Dominguinhos e do pessoal do Clube da Esquina”, anuncia Pedro, músico goiano com licenciatura pelo Departamento de Música da UnB.

 



Reco do Bandolim revela que a reestruturação do projeto principal lhe trouxe um misto de surpresa e alegria. “Percebemos que os frequentadores do clube têm prestigiado bastante a chamada prata da casa. Em várias ocasiões tivemos plateias expressivas para assisti-los, superando até de artistas consagrados. Isso nos permitiu ratificar a constatação de que Brasília é, realmente, um celeiro de compositores, cantores e instrumentistas talentosos”, destaca.

A partir de abril, quando a instituição inicia a celebração dos 40 anos de existência, os músicos brasilienses continuarão tendo espaço, não apenas no Prata da Casa, como também no projeto comemorativo da data e no Clube do Choro Convida. Estamos acertando os últimos detalhes para que tudo venha a ser algo inesquecível”, adianta.

Com 40 anos de carreira, o violonista e guitarrista Paulo André Tavares é um nome icônico da música candanga. “Ao tocar no palco do Clube do Choro, os instrumentistas, principalmente os mais jovens, passam a ter maior visibilidade”, destaca. Mestre em jazz pela Queens College, de Nova York, ex-professor da Escola de Música, P.A. (como é chamado pelos amigos) acompanhou Oswaldo Montenegro, Rosa Passos, Zélia Duncan e Cássia Eller no início da carreira deles, além de ter integrado o lendário grupo jazzístico Corda Solta, ao lado de Jaime Ernest Dias e Tony Botelho.

Com essa bagagem toda, optou por permanecer em Brasília, mas deixando de lado o bairrismo, torce para que os shows com instrumentistas renomados de outras regiões do país voltem ao Espaço Cultural do Choro. “Além de vê-los tocar ao vivo, há sempre a possibilidade de troca de experiência, de informação”. Quinta e sexta-feira últimas, foi a vez dele, à frente da Orquestra de Violões — que criou, com Jaime Ernest Dias —, brindar o público naquele local, com um show memorável.

Programação variada

Um outro veterano da cena musical brasiliense, o guitarrista Luis Cachorrão, da banda de blues Cachorro Cego, aplaude o esforço da direção do Clube do Choro pela programação democrática do Prata da Casa. “Depois de um hiato de quase uma década, retomamos nossa trajetória, em 23 de fevereiro último, com o show comemorativo dos 25 anos da Cachorro Cego.”

Luis acrescenta: “Para nós, foi um privilégio celebrar a data em grande estilo, naquele palco, tocando músicas autorais e fazendo releitura de clássicos de B.B. King, Eric Clapton, Rolling Stones e Led Zeppelin. Pois além de ganhar os aplausos da plateia, que compareceu em grande número, fizemos a gravação de vídeos que postamos em redes sociais”.

Quem também levou seu som para o Espaço Cultural do Choro no mês passado foi a Jack Walker, banda que, há 16 anos, tem como proposta promover a mescla de rock, blues e soul há 16 anos. “Para músicos e bandas da capital tocar naquele palco emblemático é algo para se colocar no currículo”, afirma a vocalista Lyla Oliver.
Segundo ela, “o Clube do Choro é uma das raras casas de show na cidade que oferecem estrutura profissional, o que nos permite levar ao público um trabalho digno. Junte-se a isso o fato de recebermos um cachê justo”. A cantora esteve acompanhada por Jorge Nasser (guitarra), Celso Nasser (gaita), Pablo Nasser (bateria), Jorge Manzur (teclados) e Bruno Amario (baixo).

No segundo semestre do ano passado, o regional Choro pra Cinco lançou ali o seu primeiro CD, com um show bem concorrido. A flautista Thamise (professora de prática de conjunto da Escola de Música) é uma das integrantes e tem a companhia de Gabriel Correia, Pedro Silva, Vinicius Magalhães e George Costa. Para ela, o Clube do Choro é um lugar onde o gênero seminal da música popular brasileira está sempre em destaque. “Já toquei naquele palco incontáveis vezes, inclusive ao lado do saudoso mestre Altamiro Carilho. Lançar o nosso disco ali foi algo marcante para o Choro pra Cinco.”


» Shows em março

Amanhã
Pedro Vaz, Jefferson Amorim e Duo Salimanga

Quarta-feira 22

Paulo Rosback e Família

Quinta-feira e sexta-feira 23/24
Oswaldo Amorim e convidados

Sábado 25
Tuco Pellegrino, Marquinho do Pandeiro e Guaracy 7 Cordas

Dia 28

Luciano Maia, Gabriel Selvage 
e Cassiano Vargas 

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