Autismo é tema da HQ 'A diferença invisível', da francesa Julie Dachez

Publicado no Brasil pela editora Nemo, 'A diferença invisível' foi produzida em parceria de Julie Dachez com a desenhista e ilustradora Mademoiselle Caroline

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postado em 14/06/2017 06:00 / atualizado em 13/06/2017 17:59

 Divulgação/Nemo
 
A francesa Julie Dachez descobriu só aos 27 anos que tinha autismo. O diagnóstico alterou sua vida, já que ela não entendia por que se sentia tão deslocada de tudo e de todos e por que qualquer mudança era uma hecatombe no seu cotidiano. A descoberta permitiu entender e aceitar melhor a razão de a vida considerada normal ser tão penosa para ela.

Foi essa experiência que baseou o quadrinho A diferença invisível, publicado agora no Brasil pela editora Nemo. A obra foi produzida em parceria com a desenhista e ilustradora Mademoiselle Caroline, que cuidou da parte gráfica da narrativa.
 
Apesar de Julie optar por não usar o primeiro nome, a história contada na HQ é realmente um retrato dela. Chamada de Marguerite (nome do meio de Julie), a protagonista passa por situações bem parecidas com as que ela viveu para enfrentar o autismo e as diferenças.

No quadrinho, há um salto muito grande quando a protagonista descobre que tem autismo. Isso abre para ela a possibilidade de se aceitar e compreender o que ocorria antes. “Após 10 anos de peregrinação, esse diagnóstico me libertou porque veio me dar uma palavra sobre a minha diferença. Era absolutamente essencial para mim, para aprender a respeitar meus limites enquanto me concentrava em meus pontos fortes”, contou Julie, em entrevista a um blog de quadrinhos francês.

Julie acredita que a linguagem dos quadrinhos favorece a representação do que é ter autismo e do que se passa na cabeça de quem vive com a síndrome. “Eles permitem que os leitores compreendam concretamente o que acontece na cabeça de uma pessoa com Asperger. É importante reconhecer o trabalho da ilustradora, que conseguiu entrar na minha pele e transcrever perfeitamente meus sentimentos”, comentou.

Além de publicar a história em quadrinhos, Julie se mantém ativa em diversas plataformas (blog, canal no YouTube, entre outros projetos) para falar sobre autismo e a necessidade de se lidar de maneira diferente com a síndrome.
 

 
Com todas as atividades que faz, um questionamento recorrente é se o autismo ainda é forte na vida de Julie. “Eu sou e sempre serei autista, então eu tenho os mesmos problemas - e as mesmas forças também - de antes. Mas foi a minha maneira de perceber e experimentar que mudou tudo. Eu finalmente me reconciliei comigo e adaptei meu ambiente (e minha vida) para as minhas características, em vez de gastar o meu tempo me ajustando em um ambiente em que não me encaixo”, explicou.

Para Julie, apesar de tratar especificamente sobre o autismo, o quadrinho pode fazer sentido para a vida de todos. “Eu costumava dizer que o autismo é uma desculpa para falar sobre a diferença em sentido amplo e autoaceitação. E estar em paz consigo mesmo é uma busca universal!”
 
SERVIÇO 
 Divulgação/Nemo
 
A diferença invisível
Julie Dachez e Mademoiselle Caroline.
Editora Nemo.
192 páginas.
R$ 44,90.
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