Mercado de animação nacional completa 100 anos. Conheça a história!

Primeira obra nacional do estilo, o filme 'Kaiser' completa um centenário. Livro conta toda a trajetória nacional do cinema do gênero

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Há  100 anos , o cartunista Álvaro Martins dava os primeiros passos para construir o cinema de animação brasileiro. Autor do filme Kaiser, Martins foi o primeiro  a produzir um filme no país utilizando as técnicas do gênero e abriu as portas para novas experiências.

Para contar essa história e outras que vieram depois, a designer Ana Flávia Marcheti escreveu Trajetória do cinema de animação no Brasil. A obra está em processo de impressão e tem previsão de lançamento para a segunda quinzena deste mês.

A vontade de escrever o livro surgiu do desejo de Ana de querer saber mais sobre a animação brasileira. Ela conta que, quando se interessou pelo tema, procurou livros para conhecer mais sobre o mercado. “Queria um livro sobre referências visuais que falasse do processo criativo das produções de animação, assim como os artbooks dos grandes estúdios”, lembra.

Ana Flávia, no entanto, não encontrou o que procurava. “Na época, só encontrei dois: Arte da animação: técnica e estética através da história, de Alberto Lucena Jr, e A experiência brasileira no cinema de animação, de Antonio Moreno. E eles tinham fatos históricos até determinada época, porém sem o foco que eu queria”, explica.

Já que o livro procurado não existia, Ana resolveu pesquisar e escrever ela mesma uma obra que ocupasse esse lugar. “Foram mais de três anos de pesquisa. Foi difícil, pois é um processo braçal de ir juntando as informações e confirmando-as com pessoas da área. Foi um processo de garimpo mesmo”, revela.

Utilizando análises e entrevistas, o livro foi formatado como uma linha do tempo que apresenta justamente a trajetória da animação brasileira. A obra foi dividida em cinco capítulos: “Origem, Um impulso, Experimentando, Expandindo e Contemporâneos”.

O projeto gráfico privilegiou também o uso de imagens que documentam os filmes brasileiros produzidos no gênero. O livro apresenta diversas produções nacionais, do primeiro, Kaiser, aos premiados Guida (de Rosana Urbes, venceu no festival francês de Annecy em 2015) e O menino e o mundo (de Alê Abreu, indicado ao Oscar de 2016).
 
Pesquisa

Para a pesquisadora, a animação brasileira não foi bem documentada, mesmo que o cenário hoje seja melhor do que no passado. “Temos muito o que documentar, as informações são difíceis de encontrar, estão muito dispersas”, argumenta. Ela aponta, porém, que mais estudos surgiram nos últimos tempos. “Estão surgindo mais livros, como o do Sávio Leite, Maldita animação brasileira, temos o documentário Luz, anima, ação de Eduardo Calvet, que é um documento importante sobre a História da animação brasileira, e outras pesquisas que estão por vir”, cita.

A designer ressalta a importância de que outras pesquisas abordem o tema. “A animação no Brasil é muito vasta e não cabe apenas em um livro ou em um documentário”, acredita. “É importante também para conseguirmos nos estudar, para buscarmos nossa linguagem visual, entendermos que existe mercado nacional e que animação brasileira não é só mão de obra barata, que estamos também exportando conteúdo nacional de uma excelente qualidade”, completa.
 
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Em evolução

Uma das características que mais chamaram a atenção da designer na pesquisa foi a capacidade dos artistas e cineastas brasileiros de produzir mesmo sem condições favoráveis, em alguns casos. “Mesmo sem recursos materiais e de mercado, os pioneiros foram lá e produziram com a própria mão. Eles se financiavam pelo simples desejo de fazer animação. A animação brasileira surgiu da vontade de pessoas que queriam que existisse um mercado nacional”, explica.

Ela acredita, assim como a maioria dos animadores, que o cinema brasileiro do gênero está em ascensão e evoluiu muito nos últimos anos. “O Brasil tem um pioneirismo muito forte e bom para as condições da época, já sabemos fazer um filme de animação, agora estamos aprendendo a formatar um mercado”, aponta.

A produção do livro foi viabilizada por meio de financiamento coletivo. Uma campanha no site Catarse arrecadou cerca de R$ 50 mil. “O projeto foi feito totalmente de forma independente e pensei que a publicação também deveria ser, por isso o financiamento coletivo, que serviu também como uma pré-venda do livro”, esclarece.


Trajetória do cinema de animação no Brasil
Ana Flávia Marcheti. Independente. 300 páginas. R$ 150.
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