Os indispensáveis ritmos latinos à disposição dos brasilienses

A capital abre as portas para prestigiar ritmos nacionais e de países vizinhos, acompanhando a tendência mundial de popularização

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postado em 03/08/2017 07:33 / atualizado em 03/08/2017 09:10

Kevin Winter/AFP


Salsa, rumba, mambo, bolero, merengue, cúmbia, bachata e por aí vai: os ritmos latinos estão invadindo o mundo. Os brasilienses aproveitam a variedade de opções de estilos musicais dançantes da cultura nacional e dos países vizinhos para participar de eventos artísticos, de aulas de dança e de festas baseadas na América Latina.

A servidora pública Aline Silva conheceu as aulas de dança de ritmos latinos há seis anos, quando começou a praticar salsa e zouk. “Eu me encantei porque acho sensual e alegre”, explica. “O gênero latino é como um caldeirão, consigo misturar vários tipos de danças latinas que já fiz e sinto liberdade na expressão cultural, incluindo até passos de samba e forró”, define. A servidora pública tem como preferências a salsa, o reggaeton, a cúmbia e o carimbó. O último é brasileiro, típico do Pará e popularizado no nordeste do país.

Sobre a singularidade do som latino, o professor de dança e DJ Pedro Mariano aponta: “São muitas, mas principalmente a riqueza, a diversidade, o ritmo, o tempero e a força”. Assim como Aline, ele acredita que a América Latina conta com uma forte mistura cultural e também compartilha da comparação que ela faz para descrever a abrangência musical. “É um imenso caldeirão capaz de produzir diversos sabores deliciosos. Os ritmos são focados, pensados e planejados para se dançar”.

Aline observa o espaço que gêneros latinos estão conquistando no universo pop e aprova o movimento. “Acho lindo! Despacito é a música latina mais tocada no exterior, até agora, e já há alguns anos que aulas de salsa são comuns na Europa. Creio que seja uma tendência levar ao mundo a sensualidade, a liberdade e a alegria do povo latino”, afirma. E Pedro Mariano se enche de orgulho e esperança com essa visibilidade.

Por outro lado, a repercussão preocupa Lucas Espíndola, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, que teme que as músicas sofram apropriação cultural e percam a essência. “Acho legal o estilo bombar, porque assim muitas pessoas acabam conhecendo e pegando gosto por ele, mas não me agrada o fato de ter virado moda. Hoje, na internet, você encontra inúmeras versões de Despacito e isso me incomoda”, conta. Para ele, o ideal seria que as pessoas também se interessassem pelo reggaeton produzido por artistas realmente inseridos no cenário musical da América Latina.
 
Confira a playlist do Correio 

Reggaeton

Lucas é grande admirador dos ritmos latinos, mas o favorito do estudante é o reggaeton. “A batida me encanta, e o ritmo alegre toma conta do ambiente. Não costumo dançar, mas as músicas são bem animadas e, mesmo com as variações do gênero, que podem deixá-lo mais romântico e calmo, não tem como ficar parado”, afirma.

O reggaeton surgiu no Panamá, alcançou sucesso em Porto Rico e não tardou a se espalhar mundialmente. Com influências do reggae, da salsa, do hip-hop e da música eletrônica, o ritmo tem aparecido com frequência no trabalho de artistas contemporâneos, inclusive brasileiros, como é o caso de Anitta, Pabllo Vittar e Ludmilla.

A participação de vozes latinas em músicas internacionais está se tornando comum. O estilo marca presença no exterior com artistas como J Balvin e Maluma, ambos cantores e compositores colombianos de reggaeton. Anitta, uma das líderes representantes do pop contemporâneo brasileiro, tem singles em parceria com os dois artistas.

J Balvin – Ginza (part. Anitta)
Primeiro reggaeton com participação da cantora, Ginza foi lançada em fevereiro do ano passado e o clipe alcançou mais de 40 milhões de visualizações.

Anitta – Sim ou Não (part. Maluma)
Com mais de 226 milhões de visualizações, o clipe é um dos recordes da brasileira. Foi lançado em julho de 2016 e, no canal de Anitta, ele perde apenas para o número de reproduções do vídeo de Bang

Anitta – Paradinha
Depois de produzir com os colombianos, Anitta compôs e interpretou neste ano o primeiro single em espanhol, Paradinha. O clipe da música, lançado há dois meses, alcançou a marca de 107 milhões de visualizações.

Pabllo - Major Lazer – Sua cara (part. Anitta e Pabllo Vittar)
As influências do reggaeton também estão presentes no último lançamento de Major Lazer em parceria com Anitta e Pabllo Vittar. Sua cara é um moombahton, ritmo que mistura reggaeton e house music. O sucesso superou o recorde de menor tempo para alcançar 1 milhão de curtidas no Youtube, o que aconteceu em 5 horas e 38 minutos após o upload do vídeo. Antes, o recorde era do grupo One Direction com o clipe da música Drag me down.

Sertanejo e reggaeton

Manuela Scarpa/Divulgação
 
 
Simone e Simaria deixaram o reggaeton ganhar espaço associado ao sertanejo quando convidaram Anitta para gravar o single Loka. Mantendo a letra em português, mas com referências ao espanhol, a música garantiu à dupla o recorde de clipe feminino brasileiro mais assistido no YouTube. O vídeo alcançou 400 milhões de visualizações no fim do mês passado.

 O último lançamento de Paula Fernandes surpreendeu muitos fãs ao apresentar um formato mais dançante e animado. Sem dispensar o violão que sempre marca presença com a cantora, Traidor é um exemplo de reggaeton.

A música fala sobre superar términos e traições para ser feliz e transformou o sertanejo somado ao reggaeton em uma mistura sem dor de cotovelo. Maluma resolveu fazer diferente e convidou Bruninho e Davi para uma composição mais típica do sertanejo sofrência com El perdedor, que combinou o reggaeton com o estilo da dupla.

Outros sertanejos que apostam no reggaeton
Em 2014, Enrique Iglesias gravou uma versão do reggaeton Bailando com Luan Santana e neste ano o cantor sertanejo lançou Acordando o prédio, que também tem influências do gênero.

Gusttavo Lima é participação especial na música Homem é homem, que Ludmilla lançou no ano passado, apostando em uma mistura de reggaeton, funk, eletrônica e sertanejo.

O reggaeton além do Brasil

Reprodução/Internet

 
Não são apenas os brasileiros que admiram o estilo musical latino. Despacito, hit de sucesso de Luis Fonsi com participação de Daddy Yankee, ganhou um remix na voz do cantor pop canadense Justin Bieber. As duas versões do reggaeton estão entre as 20 músicas mais compradas no iTunes do Brasil – a original em segundo lugar no ranking e a de Bieber na 17ª posição. Os norte-americanos Camila Cabello e Pitbull têm origem em Cuba, região da América Central onde o reggaeton também marca presença, e se renderam ao ritmo musical para compor a trilha sonora de Velozes e furiosos 8. Os dois se uniram a J Balvin para gravar Hey ma, divulgada em março deste ano.

Daddy Yankee
O porto-riquenho é cantor e rapper de reggaeton. No mês passado, se tornou o primeiro artista latino a alcançar o posto de cantor com músicas mais ouvidas no Spotify, desbancando Ed Sheeran. Yankee acumula mais de 44 milhões de ouvintes por mês na plataforma. Despacito não foi o primeiro single de sucesso do artista, que é dono da voz de Gasolina (2004) e Shaky shaky (2017).

Outros ritmos


Cúmbia
Típico da Colômbia, o ritmo também é muito popular na Argentina e no Paraguai. A música e tem ligação com a herança africana, pois foi fundada por descendentes de escravos advindos da África. O colombiano Carlos Vives, que interpreta o hit La bicicleta com Shakira, é um dos representantes do gênero

Zumba
Muito popular no Brasil, a zumba foi criada na década de 1990 pelo colombiano Beto Perez. O programa fitness mistura diversas danças latinas, como o mambo, o samba e a salsa com exercícios cardiovasculares. Ele é oferecido em academias de diversos países como forma de condicionamento físico.

Ritmos latinos em Brasília

Para Aline Silva, a capital poderia dar mais espaço para as músicas latinas em festivais e festas. “Gostaria que os DJs das festas de Brasília privilegiassem mais os ritmos latinos e a mistura nos sets”, desabafa. No entanto, ela conta que se diverte muito quando vai à festa Pequila e ao Caribeño.” Pedro Mariano indica a associação cultural da qual faz parte, Corazón Salsero, e os shows da banda Sabor de Cuba, que toca em festas e eventos em Brasília, para quem quer curtir os ritmos típicos da América Latina e dançar muito.

Corazón Salsero
Coordenado por Pedro Mariano e outros dançarinos, o projeto oferece oportunidades para aprender ritmos latinos e tem uma iniciativa na Universidade de Brasília, com o Salsa UnB, que garante preços mais acessíveis a estudantes. 

Pequila
A festa pretende valorizar a paixão pela cultura latina e acontece amanhã, às 22h, no Sub Dulcina (Subsolo do Conic, Eixo Monumental), com músicas do carimbó, reggaeton, cúmbia, salsa, merengue e muito mais. Ingressos a R$ 10. Não recomendado para menores de 18 anos.

Forró Ispiculite
Comemorando o aniversário de 11 anos, o arraial brasiliense terá ambientes com forró, zouk, salsa, samba e bachata, além de atrações como Rastapé Baião, Forró Cem Dó e outras. O evento será no Cota Mil Iate Clube (SCES Tc 2), no dia 11 de agosto, a partir das 20h. Ingressos antecipados a R$ 30 (meia-entrada) e a R$ 40 (meia-entrada)  na porta do evento. Informações: 9 8442-3155.

IACAN
Até 17 de agosto, o IACAN – Cursos artísticos Mangueiral oferece aulas de forró, zouk e de outras iniciativas artísticas para crianças, jovens, adultos e terceira idade na Academia Cerrado Fit (SHMA, Praça de atividade 4, lt 4, Jardins Mangueiral). Aulas experimentais são gratuitas e os horários variam. Confira a programação. Informações: 98313-7139 e 99917-2095.  
 
* Estagiárias sob a supervisão de Severino Francisco
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