Confira cartazes famosos de filmes criado por brasileiro

Marcelo Pallotta lança livro com pôsters icônicos de filmes nacionais e internacionais que produziu em 20 anos de carreira

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postado em 08/08/2017 07:28 / atualizado em 08/08/2017 12:31

Arquivo Pessoal
 

 

Filmes como Cidade de Deus, Carandiru, À deriva e Que horas ela volta têm um elo que vai além do elenco estrelado, diretores renomados e reconhecimento internacional (incluindo indicações ao Oscar). Todos tiveram os cartazes desenvolvidos por Marcelo Pallotta, profissional que comemora duas décadas com livro que remonta essa trajetória. Com mais de 150 trabalhos desenvolvidos, o designer trabalhava exclusivamente para o mercado publicitário quando recebeu um convite do cineasta Beto Brant, em 1997. O pedido era inusitado, até então: fazer o pôster de Os matadores.


“Foi quando tudo começou. Passei a fazer uma série de projetos importantes porque, naquele momento, virei um especialista do segmento. Como um designer gráfico, era comum fazer outras peças de comunicação. Da mesma forma que no mundo da propaganda, não deixa de ser uma peça de venda, de marketing, o que acabou ajudando na criação da nossa linguagem”, diz.

Doze anos atrás Pallotta resolveu viver dos pôsteres e criou uma empresa segmentada para eles, a Moovie. Com ela, desenvolveu imagens impactantes para produções como os longas Faroeste Caboclo, Somos tão jovens e Diários de Motocicleta.

Em outros tempos, era comum colecionadores disputarem as peças a 
tapas em locadoras. Publicá-las em obra impressa pode ser uma forma de eternizar momentos icônicos  que fazem parte do imaginário do público. “Acredito ser um bom momento para fazer um registro e uma documentação desse trabalho de tantos anos”, finaliza.

Fazer um pôster não é tão simples quanto pode parecer. Em alguns casos, Marcelo precisou criar mais de 200 peças até chegar à escolhida, em um meio termo que agrade aos anseios do diretor, do produtor e da empresa de distribuição. Em pré-venda no site Partio por R$ 135 (com envio para todo o Brasil), o livro com 250 páginas tira o status de efêmero que pode haver com os cartazes.  O prefácio é de Fernando Meirelles, com quem trabalhou em Cidade de Deus, e Anna Muylaert, diretora de Que horas ela volta.

Divulgação / Moovie

 

Divulgação / Moovie
 

 

Três perguntas  Marcelo Pallotta

Como nasce um pôster?
O projeto de comunicação para um filme é sempre um trabalho de quatro, seis, oito mãos. Você tem o designer em uma ponta e, na outra, o diretor, o distribuidor e o produtor do filme. São cacifes que ficam, de certa maneira, puxando a corda para diferentes pontos de vista. um mais artístico, outro comercial. Cada um tem um modo de ver o projeto. É sempre um trabalho muito coletivo. E fazer cinema é coletivo. Como não é um número ímpar, por sorte, nunca dá empate.

A divulgação de Cidade de Deus tem uma imagem forte e que o projetou mundialmente. O que se recorda do processo criativo desse cartaz?
Essa produção, em especial, tem a característica de não ser um filme de um ator famoso, tinha a polarização de uma gangue com vários artistas não tão conhecidos. Uma das peças que apresentei, e que encantou o Fernando Meirelles, foi aquela com a galinha em primeiro plano e a turma inteira correndo atrás dela. Com essa imagem, tínhamos o contexto do filme e ao mesmo tempo humor, algo que fazia parte do enredo, embora o longa tivesse, também, bastante violência.

Até onde vai a liberdade do designer?
A liberdade é total. Mas não podemos esquecer que estamos tateando a “cara’ do filho do outro. O segredo é sempre ser fiel à verdade do filme. Não podemos criar um material que engane o espectador. O boca a boca é muito importante. Se você leva a pessoa, o espectador errado, para o filme, gera um burburinho que não colabora. Sendo verdadeiro, isso funciona rapidamente.
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