Séries mostram famílias em que o pai assume o cuidado com os filhos

Blogs, canais no YouTube e programas de tevê retratam esse cenário

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 13/08/2017 07:00

GNT/Divulgação

As estruturas familiares tiveram transformações profundas nas últimas décadas. O pai deixou de ser o único provedor de renda, conciliando a função com a mãe. No Brasil, 52% delas trabalham fora, segundo dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. Esse ambiente favorável a mudanças não se resume ao âmbito financeiro. Ele provocou uma quebra na estrutura cultural, social e emocional da maioria dos lares. Muitos pais se tornaram mais ativos na criação dos rebentos.

É nesse cenário que surgem produtos culturais, especialmente na internet, que dão voz a novas propostas que investem na parentalidade com consciência. Exemplos aparecem em blogs, canais no YouTube e programas de tevê —  na última sexta, o GNT estreou Papel de pai. Dirigida por Rodrigo Hinrichsen, a série documental mostra a história de pais que assumiram a responsabilidade de criar os filhos, alguns sem a presença da mãe, outros com envolvimento direto nesses cuidados.

“São pais cuidadores do dia a dia, em oposição àquela figura do pai de fim de semana, que prioriza a vida profissional ou não tem nenhuma vivência no cotidiano com as crianças. Escolhemos figuras que gerenciam a vida dos filhos em todos os sentidos, inclusive nos trabalhos domésticos. Dão banho, auxiliam na tarefa de casa, colocam para dormir. Mas é importante que eles sejam vistos sem heroísmo algum, porque partimos da premissa de que as mães sempre fizeram e continuam fazendo tudo isso”, conta Rodrigo Hinrichsen, criador da série que será exibida todas às sextas, às 21h30.

Depois de dirigir algumas temporadas de outra atração voltada à paternidade, Boas vindas —  Nasce um pai, Hinrichsen percebeu a tentativa dos personagens de se colocar em outro lugar. De fugir do comodismo de sair para trabalhar cedo e, quando voltar, encontrar as crianças dormindo. “Esses caras, por razões diversas, assumiram esse compromisso cientes de que são exceção e que não estão fazendo nada além da obrigação deles”, complementa. Pais que preferiram ficar em casa e não trabalhar, pais viúvos, pais que têm guarda compartilhada, pais de bebês ou de adolescentes. Rodrigo se preocupou em apresentar
diversidade.
 
GNT/Divulgação
 

Paternidade em foco
O projeto Do seu pai começou em 2013 como um blog de pai para filho. Literalmente. Pedrinho Fonseca, fotógrafo e escritor, pretendia escrever cartas emocionadas aos filhos Teresa, Irene e João. Depois veio a página no Facebook, hoje com 33 mil curtidas. Nas duas, o jeito particular dele se expressar, sentimental e delicado, somado a belas fotografias, fizeram as postagens ganharem mais atenção do público do que ele imaginava.

No ano passado, Do seu pai virou livro que compartilha do mesmo ideal do ambiente digital: estimular o diálogo entre pais e filhos. Apesar de rejeitar o título de “pai-inspiração”, Pedrinho não cansa de repetir que foi com os filhos que aprendeu a “ser gente”. “O seu jeito de se fazer bem-vinda é abrir os braços para os abraços. A descoberta que você fez (tão cedo, filha) é que o mundo fica melhor quando a gente entrega carinho sem sequer saber o que vai receber. Que começa na gente mesmo – e não na expectativa sobre o outro”, escreveu, em um das postagens dedicadas à Irene.

Paizinho, vírgula
Thiago Queiroz trabalha com múltiplas plataformas. Tem site, podcast (o Tricô de Pais, com Thiago Berto e Victor Ourives), canal no YouTube, fanpage. Em todos eles, levanta questões como a criação com apego, disciplina positiva e parentalidade consciente. Ele tem certificações internacionais e foi o criador do primeiro grupo de apoio nesse segmento no Brasil. A grande audiência (somente no YouTube foi visto mais de 500 mil vezes) justifica-se, também, pela forma leve e bem-humorada como conduz a abordagem dos vídeos, textos e áudios.

Duas perguntas/ Rodrigo Hinrichsen

Em que tipo de personagem se concentra a série Papel de pai?
São pais que têm consciência de que precisam viver a paternidade de maneira ativa. Todo mundo ganha com isso. O pai porque se descobre em um novo lugar, as crianças porque têm um exemplo. É sair de um modelo clássico, formato que não nos atende mais, e pensar em outros modelos dentro de uma lógica menos injusta e sobrecarregada para a mulher.

A discussão política é tão importante quanto a afetiva?
A discussão política é o cerne da série. São histórias de amor, mas compreendendo que é um homem ocupando um lugar que não ocupava, ainda de maneira tímida, mas com questões significativas. Mostramos de que maneira as crianças estão crescendo com outros exemplos, com outras premissas sobre como vão se organizar emocionalmente quando tiverem filhos no futuro. É a micropolítica, dentro de casa.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.