Morte de Elvis Presley completa 40 anos, mas mercado continua vivo

Em livros e box, historiador diz que Elvis não era apenas um cara de sorte

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postado em 16/08/2017 07:30 / atualizado em 16/08/2017 09:06

Reprodução/Internet
 
 
“Antes de Elvis, não havia nada.” A frase de efeito veio de ninguém menos do que o beatle John Lennon. Ele era mais um dos notórios fãs de Elvis Presley, que reconheciam o Rei do Rock como figura primordial para toda a música que veio depois dele. Nesta quarta (16/8), a morte de Elvis completa 40 anos, mas, para muitos e para o mercado, o Rei continua aí.

“Elvis não morreu”, a célebre frase, para além das teorias conspiratórias e das brincadeiras, retrata a descrença e a perplexidade de fãs e amigos com o fim precoce da vida do músico. Elvis morreu aos 42 anos, vítima de um ataque cardíaco, provocado supostamente pela mistura do abuso de medicamentos ao estresse extremo e ao sedentarismo do cantor.

Entre os dias de glória e a morte, Elvis foi um dos responsáveis por revolucionar a música americana e consolidar o rock’n’roll como um gênero que viria a dominar o mundo. O estilo inconfundível do cantor o transformou em ídolo e referência.

Elvis começou a fazer sucesso cedo. Aos 19 anos, fez as primeiras gravações, com a Sun Records, de Memphis. O produtor do selo procurava, à época, um cantor branco de blues. Pouco tempo depois, em 1995, ele gravou com a importante RCA, o que marcou o início da ascensão avassaladora do cantor.

A rapidez com que chegou ao estrelato fez com que muitos dissessem que Elvis era apenas “o sujeito certo no lugar certo”. O historiador Ernst Mikael Jørgensen lançou, no mês passado nos EUA, um box com materiais que contestam essa versão da história e garante que Elvis não era apenas um cara de sorte.

O box A boy from Tupelo: The complete 1953-1955 recordings reúne gravações raras de Elvis entre 1953 e 1955, além de um livro com imagens e a história do cantor no período. “Na música e nos fatos, a caixa tenta mostrar que a noção de que Elvis era apenas um ‘cara de sorte’ é uma injustiça”, disse Jørgensen ao USA Today.

Quem trabalhou ao lado de Elvis também recusa a ideia de que ele não fosse um músico extremamente talentoso. O baixista e produtor Norbert Putman participou da gravação de cerca de 120 músicas de Elvis. Ele destaca a energia que o cantor colocava nas interpretações.

“Elvis poderia se concentrar melhor do que qualquer artista com quem eu já trabalhei”, disse Putnam à CBC News. “Ele aprenderia uma nova música em cinco a 10 minutos, e estava pronto para entregar um vocal assassino na primeira jogada. Isso era muito incomum.”

Assim como Putman, Ginger Holliday acompanhou de perto o cantor durante um período. Ela foi backing vocal de Elvis e declarou, também à CBC, que se arrependia de ter se distanciado de Elvis nos últimos anos de vida. Para ela, os amigos falharam ao não ajudar o cantor da maneira como deveriam.

“Todos nós temos essa culpa com Elvis”, disse. “Olhando para trás, como poderíamos tê-lo apoiado mais? Eu acho que todos nós temos esse sentimento de que nós o decepcionamos”, disse.

Impacto

O impacto e a influência de Elvis para músicos foram gigantescos. De Bob Dylan e John Lennon a Bono Vox, diversos foram os artistas que declararam ser fãs do Rei do Rock. O ritmo, o gingado e a visceralidade de Elvis abriram caminhos para muito do que se faria depois. Para o líder do U2, Elvis foi responsável, com requinte e coragem, por alterar as bases de tudo o que se conhecia. “Foi uma revolta. Elvis mudou tudo — musicalmente, sexualmente e politicamente”, disse em entrevista à Rolling Stone.

Bob Dylan comparou ouvir Elvis pela primeira vez a conhecer a liberdade. “Ouvi-lo pela primeira vez foi como sair da prisão”, disse o ganhador do Nobel. Dylan recusou, até, oportunidades de conhecer Elvis, durante filmagens para o cinema, porque queria manter a imagem que tinha do cantor. “Eu não sei se eu gostaria de ver Elvis assim. Eu queria ver o poderoso e místico Elvis que tinha batido uma estrela ardente no solo americano. O Elvis que estava cheio de vida. Esse é o Elvis que nos inspirou para todas as possibilidades da vida”, disse.

Valioso

Quarenta anos depois da morte, Elvis permanece como uma figura extremamente rentável. Na música, no cinema, no teatro e no turismo, tudo que está relacionado ao nome do cantor ainda rende muito dinheiro.

Graceland, a mansão de Elvis, recebeu entre meio milhão e 750 mil visitantes nos últimos 30 anos. Mais recentemente, a média de visitas ao local é de cerca de 35 mil pessoas por ano. Elvis é uma das quatro celebridades mortas que mais geram dinheiro, segundo a Forbes. O nome Elvis movimentou mais de US $ 27 milhões em 2016. No ano anterior, o número era ainda maior: US$ 55 milhões (a diferença se dá por uma mudança na contabilidade nas vendas dos ingressos de Graceland).

Devoção
Nesta semana, fãs também fazem uma vigília na mansão em Graceland, onde ele foi enterrado. A estimativa é de que cerca de 30 mil pessoas participem das cerimônias. Uma procissão levará até o túmulo do cantor. Para isso, no entanto, é preciso pagar US$ 28,75. O bilhete permite acesso a outras áreas da mansão.
 
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