Em novo álbum, Michel Teló faz tributo à música sertaneja

'Bem sertanejo - O show' relembra diversos momentos do estilo musical

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postado em 28/08/2017 07:30

Perfexx/Divulgação

Quando se fala em música sertaneja, o cantor e compositor Michel Teló é quase como se fosse uma enciclopédia do ritmo. É preciso pouco tempo de conversa com o artista para que ele comece a falar das origens do estilo, relembrando, por exemplo, o sucesso de Tonico & Tinoco, que ele define como “a primeira grande dupla sertaneja”, e da influência da guarânia, tradicional gênero do Paraguai, na música caipira nos anos 1950. “É a minha raiz”, justifica Teló.

Esse amor pela música caipira tem a ver com as origens de Michel Teló, que nasceu em Medianeira, cidade no interior do Paraná, e está exposto no mais recente trabalho do artista, o DVD Bem sertanejo — O show. O material chega para complementar o projeto que começou em 2013 no Fantástico e, nos últimos anos, ganhou uma segunda temporada (que está atualmente no ar), um livro e um espetáculo teatral, que passou por sete cidades, incluindo Brasília. “No novo DVD, a gente canta e conta um pouco da história da música sertaneja, com momentos importantes do ritmo”, explica Michel Teló.

O DVD, que foi gravado ao vivo em Curitiba, contém 21 faixas e pode ser dividido em duas partes: lado A, com repertório tradicional do sertanejo, e lado B, com 10 faixas inéditas. “Começamos homenageando Tonico & Tinoco, depois falamos da guarânia. Vamos colocando as principais canções de cada momento da música sertaneja. Tem o êxodo rural, o momento dos anos 1990 com Amigos...”, completa Michel Teló.

Apesar de fazer principalmente um tributo ao sertanejo caipira, em Bem sertanejo — O show, o cantor faz questão de mostrar que modernidade e raiz conseguem conviver bem no ritmo ao apresentar pot-pourri, como Ei, psiu! Beijo me liga/ Pagode em Brasília e O menino da porteira/Ai se eu te pego. “Eu quis mostrar que aquela modernidade pode se fundir com o caipira, a música de raiz. Fizemos essa fusão. É para mostrar que o papo se modernizou, lógico, mas essa batida e ritmo, a música sertaneja sempre teve”, analisa.



Prestes a completar 25 anos de carreira, Michel Teló conta com a participação de três convidados da nova geração: as duplas Jorge & Mateus (Coisa de Deus) e Maiara & Maraisa (Modão duído) e a cantora Marília Mendonça (Por trás da maquiagem). “Quando Jorge & Mateus começaram, pediram para dar uma canja no trio do Grupo Tradição (antiga banda de Michel Teló). De lá pra cá, construímos uma amizade. Respeito demais a história e a luta deles. A Marília Mendonça eu não conhecia pessoalmente, mas eu estava admirando o trabalho dela tanto como compositora quanto como cantora. E tem Maiara & Maraisa representando esse movimento das mulheres dentro da música sertaneja, que é importantíssimo”, define o cantor.

Ponto a ponto // Michel Teló


Bem sertanejo — O show
O Bem sertanejo nasceu em 2013 com o Fantástico. Logo depois, a gente lançou um CD do projeto e um livro. Esse ano teve o espetáculo teatral (Bem sertanejo — O musical) e estávamos trabalhando no álbum e na nova turnê. Eu queria colocar um pouco dos outros projetos em um show para virar uma turnê, porque é algo de que eu gosto, que eu vivi. É a minha raiz.



Tributo ao sertanejo
Acho que a gente tem essa responsabilidade de cuidar da nossa raiz, do que é nosso, dessa música que a gente ama e que começou com uma viola e violão, que veio do interior... É uma música que veio se reinventando e se modernizando. Acho importante trazer esse resgate pensando também nas novas gerações.

Reinvenção do ritmo
O sertanejo começou com um casal de violas, de uma viola caipira que veio de Portugal. Depois teve uma influência da Jovem Guarda, quando começaram a colocar contrabaixo, bateria, teclado... A música sertaneja teve que acompanhar os ritmos e a evolução. O sertanejo acaba pegando um pouco de vários estilos e agregando. Antigamente falava da vida do campo, hoje fala da vida da cidade, do dia a dia, do amor, tudo de uma maneira mais pop. A gente se atualiza vendo e ouvindo o que a galera nova está fazendo. Na época do Grupo Tradição, quando eu comecei, a gente trouxe esse ritmo novo para a música sertaneja, mais animado e dançante.

Trajetória
Ano que vem completo 25 anos de estrada. Comecei tocando em baile com 12 anos. Depois, fui para o grupo Guri. Com 16 anos, entrei no Grupo Tradição e a gente estourou com Barquinho. Lancei minha carreira solo e veio Fugidinha e Ai se eu te pego. Em seguida, esse novo momento de estar nos programas de tevê, no musical e o sucesso agora com Modão duído... Acho que isso reflete o amor pela música, o amor pelo que eu faço. De tratar todo mundo com respeito e carinho e sempre me divertir fazendo tudo independentemente de estar na crista da onda. Estou com 36 anos, mas comecei muito novo, com 7 anos estava nos palcos. As coisas não foram acontecendo de uma hora para outra, foram muitos anos e horas de baile. 25 anos é muito tempo de luta. Mas me sinto um cara abençoado. Batalhei demais para estar aqui.



Sucesso do Bem sertanejo
Sinceramente, eu não esperava o sucesso do Bem sertanejo no Fantástico, mas sempre acreditei na força da música sertaneja de raiz e caipira e também nesse momento que é muito especial. É algo que eu quero fazer desde 2011, quando eu estourei com Fugidinha. Mas acho que o Bem sertanejo veio no momento certo. A música sertaneja tem muita história bonita para contar. Faz parte da cultura do país, está no sangue do brasileiro. Acho que englobamos bem. Realmente é um projeto que está completo. Mas acho que o sertanejo tem tanta coisa para contar que o Bem sertanejo pode durar para sempre. Pode contar com outras edições no Fantástico, se tornar num documentário, ter mais shows... A música sertaneja é grandiosa demais, é riquíssima.

No Fantástico
Tivemos 15 programas na primeira temporada. Acho que nunca um cantor teve uma temporada tão grande assim dentro do Fantástico. Não é fácil conseguir isso. Essa segunda temporada fizemos em duas etapas: quatro episódios e depois mais quatro. Fomos pegando por regiões, estados e cidades. Fizemos no interior de SP, Paraná, Minas Gerais e Tocantins. A segunda parte tem Goiânia, com as primeiras vozes de duplas famosas: Leonardo (Leandro & Leonardo), Zezé (Zezé di Camargo & Luciano), Bruno (Bruno & Marrone) e Jorge (Jorge & Mateus). Fizemos também São Paulo capital, Campo Grande com Almir Sater e Luan Santana, e Nordeste.

The voice
Não vou lá para brincar, não. Já ganhei duas vezes e volto pensando no tri. Essa temporada (que estreia em 21 de setembro) tem a Ivete Sangalo, mas eu vou para cima. Acho que o programa dá uma visibilidade incrível para os novos artistas. E historicamente acho que sempre ganhou realmente a voz do programa.
 
Bem sertanejo — O show (Ao vivo em Curitiba)
De Michel Teló. Som Livre, 21 faixas. Preço a definir. 
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