Estudantes da UnB se dedicam a debates de livros escritos por negros

'Na minha pele', de Lázaro Ramos, é o livro escolhido para a segunda edição de Quilombook

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postado em 07/09/2017 07:30

Webert da Cruz/Divulgação


Na lista dos mais vendidos do país, Na minha pele, livro lançado por Lázaro Ramos em junho, ganhou exponencial atenção depois que o autor foi um dos convidados da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho deste ano. Pela primeira vez, a Flip contou com 30% de autores negros na programação. Um dos principais eventos literários do país se abriu ao diálogo e a reconsiderou as críticas relacionadas àfalta de diversidade na edição anterior, começando pela escolha de Lima Barreto como homenageado.

Essa foi uma das razões para a obra de Lázaro Ramos ter sido eleita para a próxima edição do Quilombook – Clube Negro do Livro em Brasília. A iniciativa é de Lineker Teixeira, estudante de administração. Os encontros acontecem no Diretório Negro da Universidade. Na próxima semana ocorre a segunda rodada de debates. Na primeira edição, um mês atrás, os participantes debruçaram-se sobre A cor púrpura, de Alice Walker, publicação que tem na garota negra Celie a protagonista.

“Estou em um momento de autoconsciência e nos clubes do livro dos quais participei notei que as pessoas procuram best-sellers ou livros mais consagrados. Os autores negros nunca estão nessa lista. São invisibilizados. Seja pelas editoras que não os publicam para que estejam nessas listas ou pelo público, que por falta de informação não os encontram. Descobri que haviam vários títulos que queria ler e ninguém divulgava”, comenta Lineker.

A cada mês, será selecionada obra de um autor ou autora negra. No primeiro ciclo, ele focou em obras premiadas ou best-sellers. O formato foi construído com auxílio das mídias digitais. Um grupo no Facebook estreita laços entre os participantes e também ajuda a escolher os próximos títulos. Para auxiliá-los, na mesma rede social, será divulgado em quais endereços físicos ou links da web o exemplar está com preço mais em conta, ou em quais bibliotecas públicas ele pode ser encontrado.

Bob Wolfenson/Divulgação



“Falamos sobre os personagens, capítulos, situações que eles viveram. Há uma contextualização social – se são obras feitas no Brasil ou na África, se fala de escravidão ou de acontecimentos contemporâneos. Isso se reflete na nossa vida porque há muita identificação, são pessoas, fictícias ou reais, parecidas com a gente”, defende o estudante. “Escolhi um nome que une a palavra quilombo com book (livro, em inglês), para dar o conceito de um espaço coletivo de pensamentos, para criar experiências entre as pessoas. Quero que elas se sintam confortáveis para a livre expressão, como infelizmente não são em determinados lugares”, acrescenta.

A ideia surge em um contexto social necessário e de números pouco animadores. Ainda são raros os negros na lista de mais vendidos. Não por falta de talento, mas de representatividade nas livrarias. Assim como a presença deles nas próprias narrativas. Uma pesquisa divulgada no livro Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado (Editora Horizonte/Editora UERJ) mostrou que os personagens negros são 7,9% nos romances nacionais. Destes, apenas 5,8% dos protagonistas e 2,7% dos narradores.


Programe-se! 
Próximos encontros do projeto Quilombook – Clube Negro do Livro em Brasília, no Diretório Negro Quilombo UnB. O grupo se reúne a partir das 19h, sempre às sextas. O próximo livro debatido, Na minha pele, é de autoria de Lázaro Ramos. Os outros são escolhidos ao final de cada leitura.

15 de setembro

6 de outubro

10 de novembro

8 de dezembro



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