Nome mais comentado do Rock in Rio, Pabllo Vittar fala sobre reconhecimento

A drag queen estava na programação do evento e foi uma das mais procuradas

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postado em 20/09/2017 07:30 / atualizado em 20/09/2017 10:41

Leocadio Rezende/Divulgacao

 

Este ano é, sem dúvida, de Pabllo Vittar. A drag queen lançou o primeiro disco da carreira (Vai passar mal), conseguiu um hit no carnaval (Todo dia), gravou com diferentes artistas da música nacional e internacional (Anitta, Diplo, Major Lazer, Lucas Lucco, Mateus Carrilho, Preta Gil e Rico Dalasam são alguns dos nomes), bateu o número de seguidores de RuPaul (a drag mais famosa do mundo) nas redes sociais e conseguiu roubar a cena durante o festival Rock in Rio sem sequer ser uma das atrações oficiais do evento.




No primeiro fim de semana do festival carioca, Vittar foi o assunto mais comentado. No dia de estreia do Rock in Rio, quando Lady Gaga deveria abrir o evento (atração cancelada por motivos de saúde), fez com que os amantes da música pop jogassem todas as expectativas para a drag maranhense, que apareceu de surpresa no pequeno palco do Itaú, e reuniu uma multidão. No sábado, ela foi a convidada especial da cantora Fergie. Ao lado da ex-vocalista do Black Eyed Peas, Pabllo Vittar dançou e entoou o hit Sua cara, música em parceria com a funkeira Anitta e o projeto eletrônico Major Lazer.

Carreira

Assim que a drag subiu ao palco, colocou o Rock in Rio abaixo. Os celulares foram sacados quase em um movimento automático do público. Todos queriam gravar o momento histórico. Quem estava longe se virou para os telões. E, quase em uníssono, o público cantou a plenos pulmões o início da canção: “Cheguei, tô preparada pra atacar/ Quando o grave bater, eu vou quicar/ Na sua cara vou jogar e rebolar.” Essa é apenas mais uma das vitórias de Pabllo, além de ser um passo para, quem sabe, uma carreira internacional ao melhor estilo do que Anitta vem fazendo.

Neste mês, Pabllo Vittar esteve em Brasília para apresentação dupla. No primeiro dia, comandou uma micarê dedicada ao público LGBT, em que arrastou 7 mil pessoas no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson e, no outro dia, fez um show na Victoria Haus. Antes do último dia de apresentação, a drag recebeu a equipe do Correio e falou sobre a carreira, as conquistas do ano e do retorno à capital, que já tem data: 25 de novembro.

Você tem conquistado muito reconhecimento, inclusive, sua música tem alcançado muitas pessoas, além do público LGBTT. Como você se sente com sua arte atingindo tantos espaços?
Música é feita para agregar e não segregar. Quando você está em uma festa ou em algum lugar curtindo música, você não está se importando com a sexualidade de ninguém. Você quer se divertir, então, a minha música é muito isso: unir as pessoas e não segregá-las. Acho que todo mundo pode estar no mesmo ambiente, se divertindo e se respeitando, sem agredir ninguém, sem ferir o respeito de ninguém.

Você tem surpreendido as pessoas a cada dia que passa. O que mais podemos esperar de Pabllo Vittar?
Estou com muitos projetos novos e ansiosa para começar. Não posso falar, mas estou fazendo muita coisa legal. Acabei de lançar o clipe de Corpo sensual, com o Mateuzito (Mateus Carrilho, integrante da Banda Uó), e estou muito feliz. Vamos trabalhar bastante esse single. Estou muito feliz com o resultado, com os números. Mas tem muita coisa vindo por aí.

Você se emocionou muito em uma apresentação em Brasília em 20 de maio. O que passou pela sua cabeça naquele dia?
Sim (me emocionei), eu nunca tinha feito um show para tanta gente. Entrei no palco para passar o som, eu vi aquele espaço imenso e não tinha noção que de noite estaria todo completo, tomado de gente, então foi bem emocionante.

E ao subir num trio elétrico e comandar a Micarê LGBT de Brasília?
Durante o show, em vários momentos, eu me arrepiava, os bailarinos também falavam “que show massa”. É muito bom sentir a energia do pessoal, que é uma energia muito pura. É uma troca muito verdadeira. Então, foi muito massa.

Em 25 de novembro você volta a Brasília para um show especial com as drags Lia Clark, Mulher Pepita, Glória Groove e Aretuza Lovi. Você está ansiosa?
Eu quero que chegue logo, porque muitas vezes eu encontro com as meninas em outros shows e é uma festa muito grande. Nós somos muito amigas e eu torço muito por elas, então toda vez que a gente pode estar perto é uma felicidade muito grande.

Você teve o canal hackeado e um clipe apagado, quando isso aconteceu, você compartilhou em suas redes sociais o vídeo de K.O. (que foi recuperado) com a frase “me aceita”. Esse recado foi para quem?
Esse “me aceita” foi para as pessoas que são preconceituosas, que ainda são tão intolerantes com a nossa arte, com o nosso trabalho e tem muita coisa no mundo para as pessoas gastarem o tempo delas hackeando o canal de um artista e apagando o trabalho. É muito difícil para a gente. É o que eu sempre falo, quanto mais as pessoas me mandam ódio, eu vou mandar amor e mais elas vão ter que respeitar.

Você achou que isso poderia acontecer com você?
Nunca, isso não passa pela cabeça de ninguém, sempre vemos grandes artistas sendo hackeados e suas contas sendo deletadas, mas nunca pensamos que vai acontecer com a gente. Graças a Deus a minha equipe é muito maravilhosa, e o clipe de K.O. está de volta para todo mundo ver.

Há rumores de que o reality RuPaul’s drag race vai começar no Brasil, você já foi procurada para participar ou teria interesse?
Não, não chegou nada até mim, mas é claro que eu iria, RuPaul é rainha. Por favor, me chama que eu vou (risos). Não para competir, porque eu acho que tem muitas outras queens que merecem espaço. Eu já tenho reconhecimento, mas as meninas do Brasil têm que ter o espaço delas também. Tem umas que são tão talentosas e merecem estar lá. Quero ir de júri, dar meu close com as meninas, é um sonho, né? RuPaul no Brasil! Eu estou muito feliz que isso vai acontecer. Feliz por mim, que amo RuPaul e feliz pelas meninas aqui do Brasil, que eu tenho certeza de que são muito talentosas e vão dar o nome, e não vão deixar a desejar para as RuGirls de fora, porque o Brasil pisa no drag.


*Estagiários sob supervisão de José Carlos Vieira
 
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