Diversão e Arte

Paulo Gustavo retorna com 'Minha mãe é uma peça'; leia entrevista do ator

Ator Paulo Gustavo se firmou como o nome da comédia atual no Brasil. Após período longe dos palcos, humorista volta com o sucesso Minha mãe é uma peça

Adriana Izel
postado em 01/10/2017 07:30
Paulo Gustavo em Minha mãe é uma peça
O ator Paulo Gustavo é um dos principais nomes quando se fala em humor atualmente no Brasil. Natural de Niterói (RJ), o artista é referência nos palcos, na televisão e, nos últimos anos, também no cinema, onde bateu recorde de bilheteria com a sequência cinematográfica de Minha mãe é uma peça, lançada em 2016. Sempre envolvido em vários projetos ao mesmo tempo, a principal característica dos trabalhos do carioca é se inspirar no cotidiano na hora de fazer comédia. ;Inspiração eu acho na vida real. É na rua que eu busco meus personagens. Se eu tivesse que indicar alguma coisa ou sugerir para um ator que está começando, ia sugerir isso, que ele tentasse ser uma pessoa observadora, porque isso traz muita riqueza ao trabalho;, afirma em entrevista ao Correio.

[SAIBAMAIS]Neste ano, Paulo Gustavo estreou a série de comédia A vila, no Multishow, que foi renovada para a segunda temporada, e retornou ao teatro com o espetáculo criado há 12 anos e transformou a vida do comediante, Minha mãe é uma peça. A montagem será encenada neste domingo e na segunda com três sessões no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, no Eixo Monumental. ;Eu já fiz quatro turnês com Minha mãe é uma peça voltando em várias cidades. Eu sou pé na estrada total;, revela o ator, que preferiu não mexer no texto do espetáculo na nova turnê. ;Não, eu não mudei muita coisa no espetáculo. Só algumas coisas pontuais. Mantive o espetáculo 95% do original, até porque a gente não mexe no que está dando certo;, admite.

Ao Correio, Paulo Gustavo falou sobre o momento da carreira, os projetos futuros e, claro, de Minha mãe é uma peça, que nasceu no teatro e se transformou no maior sucesso do ator, ganhando duas versões nos cinemas: uma, em 2013, e outra, em 2016. Uma terceira sequência também está prevista, como adiantou o ator.

Minha mãe é uma peça
Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Auditório Master ; Eixo Monumental). Domingo (1;/10), às 20h30. Segunda (2), às 20h e 22h. Entrada a 50 (superior), R$ 80 (especial), R$ 90 (VIP lateral) e R$ 120 (VIP). Valores de meia-entrada e primeiro lote. Doadores de 2kg de alimento (exceto sal) também pagam meia-entrada. À venda no site www.bilheteriadigital.com.br ou na loja do Conjunto Nacional. Informações: 3522-9521. Classificação indicativa livre.

Minha mãe é uma peça estreou há mais de 10 anos e rodou o Brasil reunindo um público de milhões de pessoas. Como é fazer parte de um espetáculo que agrada tanto ao público brasileiro? E, na sua opinião, qual é o motivo do sucesso da peça?
Fico megafeliz e lisonjeado de viajar o Brasil inteiro com um espetáculo e uma personagem que fazem tanto sucesso. Graças a Deus! Para mim que estreei, vivo do teatro e continuo, fico megaemocionado com todo esse retorno do público. Estou com essa peça há 12 anos e acho que se tivesse segredo do sucesso, a gente dava para os amigos, para todo mundo. Uma característica dos meus trabalhos é sempre fazer uma coisa para a família, então Minha mãe é uma peça é um espetáculo que é quase um circo, pega desde a criança até o idoso. É um espetáculo para todas as idades, toda a família brasileira. A Dona Hermínia, do espetáculo, e o filme de Minha mãe é uma peça são histórias que tocam no coração da família. Acho que se eu tivesse que escolher um motivo (do sucesso) seria esse.

Você retorna a Brasília com uma nova temporada de Minha mãe é uma peça. Você fez mudanças no espetáculo?
A Brasília eu já fui quinhentas milhões de vezes. Na verdade, já fui quinhentas milhões de vezes no Brasil inteiro, porque eu já fiz milhões de turnês. Eu já fiz quatro turnês com Minha mãe é uma peça voltando em várias cidades. Eu fiz muita turnê com Hiperativo, 220 volts e On-line. Então, eu sou pé na estrada total. Não, eu não mudei muita coisa no espetáculo. Só algumas coisas pontuais. Mantive o espetáculo 95% do original, até porque a gente não mexe no que está dando certo. Eu também queria voltar para o teatro com o espetáculo que fez tanto sucesso e que tem um significado e uma importância muito grande pra mim, porque foi o espetáculo que mudou a minha vida para sempre. Então, eu queria mostrá-lo sem mudanças para o público. Claro que eu fiz algumas adaptações, mas são pontuais. Teve mudança no cenário, no figurino, no cabelo e em algumas partes do espetáculo muito pequenas. Mas o espetáculo é basicamente o original.

Nos cinemas, Minha mãe é uma peça ganhou no ano passado uma sequência. Existe alguma negociação para um terceiro filme? Você gostaria de fazer mais um longa da franquia?
No cinema foi uma loucura, né? O primeiro longa fez quase 5 milhões de espectadores. O segundo fez 10 milhões e isso foi um estouro. É superdifícil carregar essa quantidade de público para o cinema. O último (filme) que fez isso foi Tropa de elite. Fiquei mega-honrado com tudo isso. Tenho muita vontade de fazer o terceiro longa, uma sequência, mas quero esperar um pouquinho. Penso em fazer em 2020. Vou começar a escrever com calma, sem ter uma cobrança, uma obrigação. Eu acho que em Minha mãe é uma peça tem que ser de uma forma espontânea. Tanto o espetáculo quanto os dois filmes nasceram do meu coração.

Paulo Gustavo em A vila

Você costuma estar sempre envolvido com muitos projetos. Como faz para administrar o tempo e quais são os seus projetos futuros?
Eu faço mil projetos ao mesmo tempo, né? Eu acho que isso é uma coisa muito natural minha. É uma característica muito forte minha porque eu sou uma pessoa muito agitada. Dificilmente eu fico mais de um mês de férias. Eu gosto de trabalhar. Eu acho que sou movido a desafios, então estou sempre querendo montar uma coisa nova, um espetáculo novo, um filme, um programa. Esse ano, por exemplo, eu fiz participação no Vai que cola em um episódio só, depois eu fiz 25 episódios de A vila, que é o programa novo que o Multishow fez comigo. Vou fazer um outro programa também que o Multishow me convidou. Chama A ilha e conta a história de quatro jovens que ganham na loteria, compram uma ilha deserta e constroem um resort para realizar os sonhos de alguns casais, que vão para lá e algumas pessoas começam a desaparecer.

Você tem algum projeto também nos cinemas?
O filme da Mônica Martelli. Vamos fazer uma sequência de Os homens são de Marte... E é pra lá que eu vou. Vamos gravar em junho e estrear em dezembro. A Fernanda, que é a personagem da Mônica, acaba casando no primeiro filme e ela volta no segundo com o casamento em crise. É mais um filme da Mônica Martelli, que é uma rainha. Ela é o máximo e, como ninguém, sabe falar sobre esse universo feminino, tanto que ela fez esse primeiro filme que foi um sucesso, os dois espetáculos dela tanto Os homens são de Marte como Minha vida em Marte são um fenômeno no teatro, o Saia justa no GNT... Ela é totalmente voltada e mergulhada para o universo feminino. Então, acho que é mais um trabalho genial da Mônica. Eu tenho lido algumas partes do roteiro e está muito legal. Eu vou dividir esse filme com ela, que é o próximo meu após o Minha mãe é uma peça 2. Estou muito empolgado.

Você costuma transitar muito bem entre teatro, cinema e televisão. O que você leva em consideração na hora de criar trabalhos para esses diferentes meios?

Inspiração eu acho na vida real. No meu dia a dia, no meu cotidiano. É na rua que eu busco meus personagens: na padaria, no supermercado, na lanchonete, na praia, andando de bicicleta, no aeroporto. Acho que eu sou uma pessoa muito observadora. É uma característica boa para o ator. Se eu tivesse que indicar alguma coisa ou sugerir para um ator que está começando, acho que eu ia sugerir isso, que ele tentasse ser uma pessoa observadora, porque isso traz muita riqueza para o nosso trabalho. O que eu mais penso para criar os meus trabalhos e o que eu mais prezo é a observação, com ela conseguimos achar tipos, histórias, situações, gestual, inflexões, maneiras de dizer e falar, cor de cabelo... Acho que vou criando meus personagens e vou tentando inspirações do meu dia a dia. É o que mais levo em consideração.

O humor brasileiro tem conseguido um espaço bem importante na televisão fechada. Como você vê esse nicho?

Eu acho que, na verdade, o humor sempre teve esse espaço tanto na televisão quanto no teatro. Inevitavelmente, o público procura a comédia. Então, agora eu acho que no cinema realmente (isso aconteceu)... A televisão teve milhões de programas que fizeram sucesso, como Comédia da vida privada, Os normais, Sob nova direção, TV Pirata... Imagina, todos esses comediantes fizeram teatro e sucesso a vida toda. Essa geração de Regina Casé, Claudia Jimenez, Pedro Cardoso, Claudia Raia... Tem tantas estrelas que carregaram milhões para o teatro. No cinema realmente acho que o humor ganhou um espaço muito grande. Depois da retomada do cinema, porque teve uma época em que o cinema brasileiro deu uma caída, uma parada, acho que depois que voltou foram esses filmes de comédia que começaram a arrastar multidões para o cinema. Longas de Bruno Mazzeo, Ingrid Guimarães, Leandro Hassum, Fábio Porchat... Tem aumentado cada vez mais. Acho que o público procura. A gente vive tanto um dia a dia pesado, nem preciso dizer porque está aí, acho que a comédia é um gênero que a gente relaxa, descontrai, limpa e transforma.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação