Carne Doce se apresenta na sexta no Outro Calaf. Confira entrevista!

A vocalista, Salma Jô, falou ao Correio sobre os caminhos da banda atualmente

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postado em 05/10/2017 14:23 / atualizado em 05/10/2017 14:23

Rodrigo Gianesi/Divulgacao
 
 
Com dois discos lançados, a banda goiana Carne Doce se tornou um dos mais elogiados grupos do cenário independente nacional atualmente. Marcados pela voz inconfundível da vocalista Salma Jô e pelas letras contundentes, o grupo se apresenta no Outro Calaf na sexta-feira (6/10).

Em entrevista ao Correio, Salma falou sobre a possibilidade de viver de música atualmente, da sequência de shows Brasil afora e do radicalismo dos tempos atuais. “Eu não tenho nenhum desejo de fazer uma música pra um ‘nós’ contra um ‘eles’, mas, sim, algo que seja forte e emocionante em si mesmo.”

Entrevista // Salma Jô

Vocês falaram diversas vezes sobre as dificuldades de se sustentar só com a música… Isso já tá rolando, né? O que muda?
Sim, estamos enfim conseguindo nos sustentar com a banda, e isso é resultado de um processo ainda corrente de profissionalização. O que muda é que ficamos ainda mais responsáveis, ainda mais sérios, mas ainda mais seguros quanto ao trabalho que estamos fazendo.

Você falou em uma entrevista recente que o rock/indie anda muito pudico e, levando-se em conta os últimos acontecimentos no Brasil (como boicote a exposições etc.), parece que a gente, como país, anda mesmo muito pudico. Como é sair dessa curva?
Em parte estamos pudicos, mas em parte estamos cada vez mais polarizados, falando somente para as nossas próprias bolhas. Acho que o pop é um gênero que muito nos ensina a furar as bolhas e a derrubar tabus sem perder em qualidade artística, em capacidade de emocionar. Eu não tenho nenhum desejo de fazer uma música pra um “nós” contra um “eles”, mas, sim, algo que seja forte e emocionante em si mesmo. 
  
Muitas canções de vocês foram (e são) usadas como uma espécie de manifesto, por exemplo pelo caráter feminista das letras. Como vocês reagem a isso, às pessoas se apegarem de maneira tão forte a essas letras?
Os elogios e críticas hoje em dia, por causa da plataforma virtual, são sempre muito hiperlativos, é sempre uma exaltação, sempre escandaloso, mas eu acredito que a maioria sabe que tem muito de performance nisso. Tem muito isso de chamar uma música comovente de hino, e desse teatro da lacração, mas o tempo ajuda a apurar e realçar as verdadeiras qualidades e efeitos de uma obra. Eu acho que fui feliz em algumas músicas não porque dei respostas, ou porque trouxe soluções e caminhos, mas porque falei de sentimentos autênticos, porque compartilhei dores e desejos que são comuns a outras pessoas, e se alguém se emociona com o que eu escrevo, eu me emociono também, me realizo.     
 
 

Vocês têm rodado o Brasil com a banda, como é essa experiência? O que acrescenta pra vocês?
Quando estamos em tour na maioria das vezes estamos em trânsito e fica difícil aproveitar as cidades por onde passamos, mas é claro que a gente consegue captar um pouco da cultura de cada lugar e isso amplia a nossa noção sobre a cultura brasileira de uma forma geral. Por outro lado, embora exista uma certa rotina no trabalho, nós sempre estamos em lugares novos, conhecendo pessoas novas, isso nos faz sentir de certa forma energizados e rejuvenescidos, mesmo que por vezes cansados ou mal dormidos.

Goiânia tem uma cena do indie com muitas bandas legais. Como é o contato de vocês? Existe um diálogo e uma troca entre esses grupos? Com que vocês conversam mais?
Nosso contato é maior com o Boogarins, mas também temos boas trocas com o Hellbenders (através principalmente do estúdio e pub gerenciado por eles, o Complexo), um pouco com Bruna Mendez e com o Luis Calil, da Cambriana. Nosso técnico de som, Renato Cunha, é do Black Drawing Chalks. As bandas se encontram e são simpáticas, mas acho que ainda conversamos pouco sobre o fazer e o produzir artístico.  

Como vai ser o repertório do show aqui? Tem alguma música nova no setlist? 
Ainda não, estamos compondo o terceiro disco, mas vamos tocar músicas do Princesa que ainda não tocamos em Brasília, como Amiga. Será um show mais longo que em festival não conseguimos fazer. 

Vocês já tocaram em Brasília algumas vezes e têm um público forte aqui. Como é a relação com a cidade?
É muito boa, sempre fomos recebidos com carinho e boa energia, já tocamos em vários palcos de formatos diferentes, teatro, parques, festivais.   

SERVIÇO
Carne Doce
Outro Calaf (Setor Bancário Sul, Quadra 5). Sexta (6), a partir das 22h. Ingressos: R$ 30 (segundo lote). Classificação indicativa: 18 anos. 

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