Festival de animação toma conta da UnB

Festival BAF na UnB agrega de expoentes do setor a novos talentos do Distrito Federal

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 11/10/2017 06:00

Cartoon Network/Divulgação
 

Em oito anos, a produção de animação brasileira deu um salto histórico. Passou-se de nenhuma série de animação  sendo exibida na tevê paga a 41 produções em diferentes telas. "Se, no início, o segmento pré-escolar era nosso maior público, hoje temos produções para vários públicos", defende Cesar Coelho, um dos organizadores do Anima Mundi, maior evento de animação da América Latina, criado quando o louvável quadro atual era só um sonho distante. Além da maior quantidade de produções no ar, cresce em igual medida o número de eventos voltados a esse setor —  como o Brasília Animation Festival (BAF), com início esta semana na capital.



O evento acontece a partir desta quinta-feira (12/10) e vai até 15 de outubro no Centro Cultural da ADUnB, na UnB, e tem Cesar Coelho entre os convidados. A entrada é franca. Impactante, o BAF gerou grande expectativa desde que foi anunciado, sobretudo pela variedade da programação. Sessões de filmes, palestras, oficinas, exposições de quadrinho, concurso de cosplay e programação especial para o Dia das Crianças integram a programação, capaz de demonstrar os vários desdobramentos do mercado de animação.

Para assistir aos filmes das mostras — são oito categorias, no total — é necessário retirar ingresso com uma hora de antecedência. Essa é uma das mais importantes vitrines para películas (curtas, médias e longas) que não tem tanta visibilidade no cinema comercial, embora o reconhecimento internacional seja vasto. Um dos casos mais recentes é o de Alê Abreu, diretor de O menino e o mundo. No domingo, às 18h30, o paulista que ganhou 51 prêmios com a produção fala sobre a jornada de um filme de um distribuidor independente rumo ao Oscar (em 2016, o animador concorreu como melhor animação na épica cerimônia do cinema mundial).

Troca de ideias


No BAF, nomes como o carioca Rogério Boechat terão a chance de expor trabalhos a pessoas que, por vias comerciais, não o conheceriam. Ele vem à cidade com Brinquedo novo, curta sobre um bebê entediado que ganha um urso de pelúcia de presente da mãe. "Festivais como o BAF são importantíssimos para a animação brasileira. Nesses eventos, além de termos uma janela de exposição dos trabalhos nacionais para o público em geral ,podemos nos encontrar para discutir ideias, trocar experiências e assistir a palestras de profissionais renomados", afirma.

A situação é parecida com a do brasiliense Artur França, que leva o longa Lúcia à mostra Macabra, criada para dar destaque a filmes de terror. Feito em stop-motion, o longa é fruto de uma disciplina da UnB. "Brasília tinha tudo pra ser um polo criativo de animação bem importante, mas a falta de interesse em levar projetos como a animação A Pisadeira, de Isabela Veiga, Adriana Mota e Ricardo Carneiro, para frente fez com que ele perdesse força até ser quase esquecido", lamenta.

O BAF promete retomar o fôlego perdido em território local e também expor questões delicadas, como a baixa participação feminina nesse setor. Animadora de desenhos como Meu amigãozão (exibida no Discovery Kids) e Irmão do Jorel (a primeira série de animação original do Cartoon Network na América Latina), Lena Franzz falará amanhã, às 15h, como é o cotidiano e as vivências sob uma perspectiva feminina. "As mulheres ainda são minoria, ao menos nos estúdios que eu conheci, mas nos meus quatro anos de experiência percebo o aumento do número de mulheres nos estúdios. Imagino que esse cenário tende a melhorar", acredita.

Cofundadora e diretora de arte do Adorável Selvagem Studios, Clarissa Paiva, de Brasília, ministrará oficina sobre desenho gestual para animação. "O gesto é que cria o movimento, a suavidade e a continuação é o que dá fluidez para os movimentos. E os melhores animadores sabem fazer isso com maestria", comenta. "De fato temos muito essa sensação de que a produção digital esmaga o trabalho feito a mão, mas se analisarmos os filmes de stop-motion, por exemplo, percebemos que estão mais populares do que nunca. A verdade é que as tecnologias digitais estão auxiliando as técnicas feitas a mão", evidencia. Para ver as palestras e debates, é preciso fazer cadastro prévio no site.


SERVIÇO
Brasília Animation Festival
No Centro Cultural da ADUnB (Campus Universitário Darcy Ribeiro, Gleba A). De amanhã até 15 de outubro. Entrada franca. Confira classificação indicativa e a programação completa em www.brasiliaanimationfestival.com.br.



Duas perguntas / Cesar Coelho, organizador do Anima Mundi e um dos convidados do Brasília Animation Festival

Qual o maior gargalo para o mercado de animação hoje?
No cinema, infelizmente não temos tido o mesmo sucesso comercial que na tevê. Paradoxalmente, é justamente na produção de longas-metragens de animação que temos recolhido os maiores reconhecimentos internacionais. Ganhamos por duas vezes consecutivas o principal prêmio do maior e mais prestigioso festival de animação do mundo, o festival de Annecy. A produção de longas é a produção mais sofisticada em termos de qualidade técnica e artística. É um desafio que, nestas áreas, temos enfrentado com competência e, agora, com volume. Há atualmente mais de 30 produções de longas-metragens brasileiros de animação em produção.

O que falta para chegarmos lá?
Esta produção precisa e merece ser vista, desfrutada pelo público brasileiro. Para isso precisamos redobrar nossos esforços para garantir espaços de exibição tão disputados por obras estrangeiras. Não falta público.
 
 
 
 
 
 
 


Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.