Saiba como as empresas de discos se adaptam à nova realidade

Artistas e produtores defendem que não há mais cartilhas a serem seguidas

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postado em 11/10/2017 06:20 / atualizado em 11/10/2017 13:24

Lucas Sant'Ana/Monkeybuzz/Divulgação

Com a era das pós-gravadoras, caracterizada pela consolidação da música digital e da crise da produção fonográfica, muita gente se pergunta como bandas e artistas se lançam no mundo da música. Mesmo com o apoio das redes sociais, de onde saem grandes nomes nos dias de hoje, muitos ainda procuram gravadoras e especialistas na indústria fonográfica para avançar nos trabalhos. Os selos musicais nasceram como uma forma das grandes gravadoras segmentarem seus clientes. Mas e hoje, que muitas pessoas preferem alugar um estúdio e produzir seu trabalho por conta própria, qual é a real função dos selos musicais?



As equipes reduzidas de um selo musical são uma alternativa para sobreviver no mercado, visto que o modo de produção antigo demandava produtores, técnicos, distribuidores e empresários. Hoje, uma ou duas pessoas dão conta do recado com “braços ajudadores”, como os estúdios independentes e as distribuidoras autônomas.

Para além de lançar um artista, os selos musicais funcionam como empresas responsáveis por produzir, distribuir e gerenciar o músico. Com a autonomia das bandas independentes, um selo musical precisa ter diferenciais para que o artista escolha fazer parte dele em vez de se lançar de forma independente.

A reinvenção da música


Os selos não são uma novidade no mercado musical. Uma das primeiras gravadoras independentes do Brasil foi a Kuarup discos, criada em 1977. De lá para cá, a internet, as redes sociais e os serviços de streaming transformaram a organização dessas empresas.

Hoje, a tecnologia cumpre o papel de tornar o artista conhecido. Com essa demanda atendida pela internet, os donos de selos perceberam que trabalhar apenas com produção e distribuição fonográfica não era tão rentável. Para atender às novas necessidades do mercado, as empresas começaram a se reinventar.

“Vimos que era muito difícil viver só da venda de discos”, conta Fernando Dotta, um dos fundadores do selo paulista Balaclava, criado em 2012. A empresa cuida do lançamento de discos, da organização da produção, da promoção e do licenciamento de shows, da divulgação, da produção executiva e do gerenciamento de carreira dos artistas que a integram. Além disso, a empresa organiza a festa Balaclava apresenta, em que promove showcases dos artistas do selo e de bandas convidadas. Outra iniciativa da organização é a feira Sacola alternativa, que reúne selos, gravadoras e produtores independentes para a venda de conteúdo dos artistas, palestras e oficinas ligadas ao mercado musical.

Novas possibilidades


“Acho que hoje em dia esse conceito do que é um selo está muito abrangente. Cada um inventou a sua própria forma de trabalhar, não tem muito uma cartilha para seguir”, comenta Dotta. Para o produtor, a reinvenção dos selos também foi positiva para os artistas que, agora, podem procurar empresas para desempenhar atividades que atendem às demandas específicas de cada um. “Com esse lance de cada selo ter o seu negócio, o artista pode ir atrás de um selo e querer só um serviço. Hoje em dia é tudo mais customizado.”, explica Fernando.
O que eles preferem?

Alguns artistas ressaltam que os selos são mais voltados para o fazer artístico e menos para o industrial de “vender discos”. É o que conta Larissa Conforto, baterista da banda Ventre, integrante do selo Balaclava. “Em gravadora, pouco importa se você não fizer tanto sucesso, porque eles têm outros artistas para gerar dinheiro”, explica Larissa.

A artista trabalhou com grandes gravadoras e também produziu de forma totalmente independente, em que ela era responsável por todo o processo de produção. Depois dessas experiências, ela decidiu procurar um selo, e confessa que o suporte completo oferecido pela empresa é um diferencial. “Foi um salto dentro da carreira”, conta a integrante da banda que está cotada para participar do festival Lolapalooza em 2018.

O duo carioca Gorduratrans começou a carreira de forma totalmente independente. Aos poucos, alcançou sucesso na cena musical. Com a ajuda de outros artistas independentes, de selos musicais de menor expressão e da internet, o trabalho da banda conseguiu sair do Rio de Janeiro e chegar a outros estados brasileiros. “Através do Twitter, conseguimos organizar uma turnê pelo Nordeste inteiro.”, conta Felipe Aguiar, um dos integrantes da Gorduratrans.

Recentemente, a banda se integrou ao selo Balaclava: “A gente sabe que, com o suporte do selo, conseguimos alcançar objetivos que antes não conseguíamos”, conta Felipe que, após se integrar ao selo, conquistou maior apoio na produção de shows e participação em festivais.

Amor  à música


Em meio aos desafios e adaptações do mercado musical, a cena independente sobrevive pelo fascínio dos artistas e produtores pela música. “Eu acredito que o mais move a gente em direção a esse mercado é a paixão. A principal razão de ter um selo é o gosto de se envolver com música e ajudar os artistas”, conta Heitor Lima, um dos donos do selo Milo recs, criado em setembro deste ano. Seja por grandes gravadoras, selos ou produções independentes, o mercado alternativo precisa trabalhar duro para acompanhar as reinvenções da música.


* Estagiárias sob a supervisão de Severino Francisco
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