Mostras com entrada franca agitam Taguatinga e o Planetário do Plano Piloto

Questões femininas e raciais, além da reorganização da ótica digital e da percepção da realidade estão entre os temas

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postado em 01/11/2017 07:35

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro / Divulgação
 
 
Um conjunto de filmes que retrata a dinâmica de vida e a atuação de mulheres com atitudes bastante relacionadas ao conceito de comunidade dá o tom da iniciativa do Festival Taguatinga de Cinema, que chega à 12ª edição, coordenada pelo idealizador do evento, o cineasta William Alves. Desta vez, há preponderância do tema Nossa Porção Mulher, entre o bloco de 24 curtas-metragens apresentados em caráter competitivo. Os filmes serão mostrados no Complexo Cultural Teatro da Praça (Setor Central — Área Especial 5, Taguatinga), com entrada franca.

Antecedendo o show musical de Thábata Lorena (marcado para hoje, quarta, dia 1º, às 22h), a festa de cinema com vertente independente começa com a atração diária Cine Bloco (sempre às 18h) que alinhará cortejos musicais com ponto de encontro na Praça do Relógio. O filme Gramática, assinado por Paloma Rocha, fora de competição, dá a partida nas projeções, às 20h. Na sequência, começa a mostra que se estenderá até sábado.

“Machismo e racismo ganharam ênfase, natural, entre as fitas selecionadas. Houve ainda abordagem forte em torno da violência contra a mulher, além de os cineastas terem cercado questões de gêneros — na perspectiva de que não há mais limites entre as expressões deles”, observa Janaína André, coordenadora da mostra, pelo terceiro ano. Títulos como Diamante, o bailarina (de Pedro Jorge) que tem a premissa do retrato de um voo de borboleta “dotada de ferrão de abelha”; Mucamas, feito para retratar a vivência de antigas empregadas domésticas e Confessionais — Salvar a si mesma (de Sheila Campos), detida no cotidiano do século 21 de uma mulher com mais de 40 anos, dão a tônica do evento.

“Teremos ainda uma programação especialmente mais direcionada para as crianças, mas adultos serão bem-vindos, até pelo tipo de abordagem empregada”, explica a realizadora da cidade Joana Limongi. Os filmes deste segmento serão apresentados amanhã e sexta, às 10h. Entre as atrações, A morte do rio, extraído de série de tevê do premiado diretor baiano Henrique Dantas; O menino leão e a menina coruja, com o qual o diretor local Renan Montenegro obteve reconhecimento no último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e O último Natal, de Fáuston da Silva, dedicado a duas crianças solitárias, mas que recebem uma inesperada visita.

Ineditismo

A programação infantil ainda conta com a estreia da obra de Bruna Carolli, Cabeças, em que, por meio de narrativa poética, uma personagem busca salvar as pequenas estrelas do céu. “Interessante na mostra de Taguatinga é ver o caminho de alguns realizadores. Percebemos muitas propostas de diretores homens que tiveram afinidade com temas que extrapolam os olhares afunilados pelas cineastas”, avalia Janaína André. 

De amanhã (quinta, dia 2/11) a sábado, um pacote de filmes mostrados em caráter paralelo propõe novos caminhos para o audiovisual, sempre às 14h. No lote de filmes estão o premiado Rosinha, de Gui Campos, e, remexendo no universo das lendas brasileiras, Nainá, a vitória-régia, criação conjunta de Renato Barbieri e Adriana Meirelles. Com premiação marcada para sábado, às 22h, a mostra aposta ainda em produções como Apesar de tudo, em que Janaína Dórea mostra o reatar de relações com uma mãe distanciada, e Pretas no hip hop (de Priscila Francisco Pascoal), com desdobramentos de etnia em traços culturais, na dança e no grafite.

“Na mostra, aparecem vidas de mulheres negras e, no conceito do evento, optamos pelo engajamento, com olhar para questões sociais e políticas. Há redes de mulheres que se apoiam, por exemplo, na criação dos filhos ou na tomada de ações que contribuem no âmbito cooperativo. Salta, daí, o lirismo da feminilidade , conclui a coordenadora Janaína André.

Realidade paralela

Explorar um ambiente imersivo, aplicando recursos visuais provenientes da recriação da realidade por meio digital é a proposta central do Immersphere, o 1º Festival Internacional de Fulldome de Brasília. Com 22 obras de nove países, o evento, com entrada franca, será aberto hoje (dia 1º/11, quarta), no Planetário da capital, às 20h. Antes da sessão de cinema, às 19h, será possível se inteirar da proposta que tem a tecnologia a serviço da criação de imagens, por meio de exposição fotográfica, com abertura, às 19h.  Mindscapes, Synapse, Into the sublime e Quadratic são os filmes de hoje, e o evento terá sessões até 30 de novembro.

 
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