Festival de música Indieweek reúne produtores, empresários e músicos

O evento tem como objetivo fomentar a indústria musical com a aproximação de produtores, investidores, músicos e público

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postado em 05/11/2017 07:30 / atualizado em 05/11/2017 15:41

Breno Galtier/Divulgação

 
Pela primeira vez, o festival de música Indieweek traz no line-up quatro bandas de fora do eixo Estados Unidos — Canadá. A novidade torna-se ainda maior por se tratar de grupos de Brasília. Scalene, Horta project, Etno e Trampa são representantes do rock brasileiro em Toronto. O evento tem como objetivo fomentar a indústria musical com a aproximação de produtores, investidores, músicos e público. O intercâmbio é resultado de parcerias feitas durante o festival COMA — realizado em agosto deste ano, em Brasília, que tem como um dos idealizadores o baixista da Scalene, Tomás Bertoni.

Vocalista e guitarrista da Scalene, Gustavo Bertoni não nega o entusiasmo e certifica que é uma grande oportunidade de aprender mais sobre o universo musical e para quais direções esse ramo caminha. “Estamos muito animados. É um festival muito bacana e eu, particularmente, quero entender o comportamento da indústria musical na era das plataformas de streaming.”
 

Com 2,8 milhões de habitantes, a cidade de Toronto facilmente se mobiliza para o evento. A ideia de realizar os shows em pubs aproxima ao público as mais de 300 bandas que fazem parte do festival. Além disso, é uma grande oportunidade para fazer negócios. “Vai ser uma semana muito rica. A gente vai estar imerso no universo musical — produtores, empresários e músicos do mundo inteiro experimentando novas ideias e agregando um ao outro”, explica Gustavo.


Satisfeita com a atual representação no cenário brasileiro, a Scalene acredita que o rock no Brasil não está morto. “O rock nacional vive. Existem muitos conteúdos de nível internacional produzidos aqui, só que com a nossa própria identidade”, destaca Gustavo, que acrescenta ser importante valorizar as bandas autorais.

O vocalista ainda se sente realizado com a repercussão do último álbum, Magnetite. “Fazemos shows pelo Brasil inteiro e é muito gratificante ver que temos admiradores da nossa música pelo país”, comenta. O vocalista ainda que os próprios nordestinos, em comparação a grupos locais, se sentiram mais reconhecidos e homenageados em Magnetite.

Horta e Etno


A barreira da língua não existe para a banda Horta project. O grupo segue linha do rock instrumental, o que possibilita que as músicas fluam de forma completa. “A conectividade vai ser integral. Tudo aquilo que vamos apresentar pode ser absorvido de forma completa pelo público. É um estilo de música que supera os limites do idioma. A linguagem da música é, de fato, universal”, conta o baterista Tiago Palma, também integrante da banda Etno — que completa 15 anos de carreira em 2017.

Além da comemoração, o grupo está animado com a segunda ida ao exterior. Em 2013, eles se apresentaram três vezes em Los Angeles e agora é a vez de Toronto. “Nosso som é novidade. Preparamos um repertório que engloba as músicas dos diferentes discos que temos”, esclarece Tiago. O Etno ainda visiona grandes festivais que podem ser alcançados por meio da participação no Indieweek. Para Tiago o evento “pode nos possibilitar a entrada no contexto internacional, proporcionado pelo Indie”.

Em dura crítica ao mercado nacional, Tiago avalia a diferença de público existente das duas bandas que participa. Para ele, no Brasil não tem espaço para o rock-instrumental: “É um tipo de música difícil de ser consumida aqui”. Entretanto, avalia que o Etno tem muito mais penetração no mercado brasileiro. “Os fãs se conectam de uma forma específica com as letras e poesias cantadas. A gente recebeu relatos de fãs que passavam por depressão e a nossa música foi responsável por ajudar na situação”, sinaliza Tiago.


Trampa


Pela segunda vez no Indieweek, a banda Trampa reconhece a importância de se ter representantes brasilienses em um evento internacional. O vocalista André Noblat acredita que o intercâmbio musical serve para afirmar uma identidade cultural brasiliense. “Brasília tem um cenário forte, mas os investidores e produtores procuram primeiro o Rio ou São Paulo. Com eventos assim, Brasília entra nesse contexto e passa a se afirmar por conta própria, tanto nacional quanto internacionalmente”, destaca. Segundo ele, já existem perspectivas para se levar outras bandas para o Indieweek em 2018.

*Estagiário sob a supervisão de Nahima Maciel



Do underground para o mainstream
O Festival Indieweek é um dos principais eventos para gerar representatividade ao cenário musical independente do mundo. Mais de 300 artistas fazem parte da edição deste ano, que acontece entre 7 e 12 de novembro. A proposta do evento é tornar conhecidas as melhores bandas desconhecidas. As apresentações acontecem em pubs espalhados pela cidade. O evento não consiste apenas em shows — debates, palestras e encontros com produtores e investidores fazem parte da programação. “Esse festival permite a abertura de portas para outros internacionais. É uma grande oportunidade para grandes negócios”, comenta o baterista Tiago Palma.
 
 
 
 
 
 

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