Como fica Hollywood após tantas denúncias de assédio?

Denúncias e punições públicas apontam para uma indústria do entretenimento menos conivente. Mas e agora?

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postado em 05/11/2017 07:32

Valery Hache/AFP - 5/10/15

 
Na manhã da última quarta-feira, Dustin Hoffman, 80 anos, foi denunciado pela jornalista Anna Hunter por assédio cometido pelo ator quando ela tinha 17 anos. Anna, que na época era estagiária na produção de A morte de um caixeiro-viajante, afirmou: “Em uma manhã, eu fui a seu camarim para levar o café da manhã, ele [Hoffman] olhou para mim sorrindo e afirmou ‘eu vou querer ovos mexidos bem cozidos e um clitóris morno’. Ele começou a rir, eu saí, sem palavras, e fui ao banheiro chorar”. O ator se desculpou publicamente: “Eu absolutamente respeito as mulheres e me sinto terrível que qualquer coisa que tenha feito possa tê-la colocado em uma situação desconfortável”.

Já no começo da semana, o ator Anthony Rapp (Star trek) denunciou Kevin Spacey por assédio sofrido aos 14 anos, quando contracenou com a estrela de House of cards (com 26 anos na ocasião) em uma peça. Spacey pediu desculpas e, pela primeira vez, se declarou gay publicamente. A denúncia de assédio teve consequências quase imediatas e a Netflix — produtora de House of cards — cancelou a produção, que acaba após a 6ª temporada.
 

A enxurrada de acusações começou em 5 de outubro, quando o jornal The New York Times denunciou o produtor Harvey Weinstein por décadas de assédio moral e sexual contra várias atrizes. Cara Delevingne, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e relataram a jornais experiências de horror causadas por Weinstein e levaram a público uma “carta aberta” sobre os segredos dos bastidores de Hollywood.

Como fica Hollywood?

A maior das consequências está em andamento: se na primeira reportagem do The New York Times, cinco mulheres denunciaram Weinstein, agora o número soma mais de 30 vítimas. Além disso, outras mulheres perceberam o espaço para trazer à tona casos de outros assediadores. As atrizes Reese Witherspoon e Jennifer Lawrence, por exemplo, falaram à revista Elle das próprias experiências com assédios cometidos por homens da indústria cinematográfica.

Psicóloga e supervisora do Atendimento comunitário a mulheres do Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB), Cynthia Ciarallo destaca a importância de garantir apoio a quem fala das experiências pessoais de assédios e abusos. “É importante que as mulheres que desafiam esse espaço de poder patriarcal e machista, levando a público o que passaram, se sintam apoiadas e fortalecidas, e não deslegitimadas.”

Legalmente, Weinstein enfrenta três forças de investigação em uma operação — chamada Kaguyak — que engloba as polícias de Nova York, Los Angeles e Londres.


Um futuro melhor

Além das novas denúncias, o maior impacto na indústria pode vir com uma renovação cultural. Pelo menos é o que acreditam grandes nomes do setor. Bonnie Hammer, um dos diretores da NBC, aposta que a tendência nos bastidores é menos conivência em casos de abusos. “[O caso Weinstein] foi a gota d’água, não importa o poder da companhia em que você está, o mal comportamento encontrará uma política de tolerância zero”, afirmou ao portal Variety.

O problema não se resume a Weinstein, Spacey e Hoffman e abrange o contexto de uma indústria aparentemente conivente com os casos de abusos praticados contra jovens atrizes longe dos olhos do público.

*Estagiária sob a supervisão de Nahima Maciel


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