Louis C.K. é denunciado por assédio; produções do comediante estão em risco

Cinco mulheres afirmaram terem sido vítimas de mau comportamento sexual por parte do comediante. HBO, FX e Netflix cancelam trabalhos de C.K.

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postado em 10/11/2017 15:25 / atualizado em 10/11/2017 17:33

AL BELLO


Um dos comediantes mais renomados de Hollywood é o novo acusado da – grande – lista de poderosos de Hollywood por má conduta sexual. Desta vez, um artigo do jornal norte-americano The New York Times levou a público a história de cinco mulheres, entre elas as também comediantes Dana Goodman e Julia Wolov. Em consequência, o canal HBO tirou do ar os trabalhos com C.K, a Netflix cancelou estreia de um especial e a FX afirma estudar o futuro das produções do ator.

Julia e Dana afirmaram, que ainda em 2002, Louis C.K. supostamente convidou as duas para seu quarto de hotel (durante apresentação no U.S. Comedy Arts Festival) e se masturbou. As duas ainda contaram que foram ameaçadas por Dave Becky (empresários de C.K.) para não comentarem o “incidente”, caso contrário, seriam excluídas do mercado de comédia norte-americana – Becky negou as acusações.

As alegações contra C.K. não são inéditas. Em 2012 o portal Gawker publicou um artigo acusando: “amado comediante que gosta de forçar mulheres a assistí-lo se masturbando”. O nome de C.K. não foi mencionado no texto, mas rumores já apontavam ao comediante. Em entrevista ao jornal The New York Times ainda em setembro, C.K. afirmou que não comentaria as acusações “porque elas são rumores, [e] se você participar de um rumor, você vai aumentar o assunto e transformá-lo em verdade”. Sobre as acusações publicadas nesta sexta-feira (10/11), o comediante não se pronunciou oficialmente.

Projetos


O comediante trabalhava com vários projetos em diversos canais norte-americanos e até o momento, três grandes emissoras anunciaram a retirada dos trabalhos de C.K do ar. A HBO tirou de seu streamings os especiais One night stand e Shameless, do comediante, que também foi cortado do Night too many stars, previsto para estreiar no próximo sábado (18/11), de acordo com o portal NME e o jornal The New York Times.

A Netflix, por sua vez, cancelou o segundo especial planejado para C.K. Em comunicado, a empresa afirmou: “O comportamento antiprofissional e inapropriado de Louis com colegas mulheres levaram a Netflix a cancelar a produção do segundo especial de stand-up que tínhamos planejado”. 
 
O caso mais complexo é o dos trabalhos de C.K. no canal FX. A série Louie, exibida pelo canal, é ganhadora de Emmys e atualmente está em fase de produção para a sua quinta temporada. No mesmo canal, C.K. também produz a série Better things e Baskets. Representantes da FX afirmaram que estão “estudando como proceder as acusações”.
 
A distribuidora do filme I love you, daddy, dirigido, estrelado e escrito por C.K. afirmou que não vai levar o lançamento do longa a diante.
 

Pedido de desculpas 

(Atualizado às 17h28)
 
Na tarde desta sexta-feira (10/11), C.K. foi a público confirmar que as acusações são verdadeiras. O comediante pediu desculpas e afirmou que não entendia o poder de sua posição. Confira na integra a declaração.
 
"Quero falar sobre as histórias contadas ao 'The New York Times' por cinco mulheres chamadas Abby, Rebecca, Dana, Julia, que foram capazes de mostrar seus nomes, e uma que não foi. Essas histórias são verdadeiras. Na ocasião, disse para mim mesmo que o que eu fiz era normal porque eu nunca havia mostrado meu pênis para uma mulher sem ter perguntado antes, o que também é verdade. Mas o que aprendi depois na vida, tarde demais, é que quando você tem poder sobre outra pessoa, pedir para elas olharem para o seu pênis não é uma pergunta. É um constrangimento. O poder que eu tinha sobre essas mulheres é que elas me admiravam. E eu exerci esse poder de forma irresponsável. 
 
Estou arrependido das minhas atitudes. E tentei aprender com elas. E correr delas. Agora estou ciente da extensão do impacto das minhas ações. Aprendi ontem sobre o quanto deixei essas mulheres que me admiravam se sentindo mal sobre elas mesmas e receosas com outros homens que nunca as colocariam nessa posição. Também tirei vantagem do fato de ser amplamente admirado na minha comunidade e na delas, o que dificultou que elas compartilhassem suas histórias e trouxe sofrimento quando elas tentaram porque as pessoas que me respeitam não queriam ouvir.
 
Eu não imaginava que estava fazendo essas coisas porque a minha posição permitia que eu não pensasse sobre isso. Não há nada sobre isso que eu me perdoo. E eu preciso reconciliar isso com o que sou. O que não é nada comparado à tarefa que eu dei para elas. Gostaria de ter reagido à admiração por mim sendo um bom exemplo de homem e dando orientação como um comediante, mesmo porque admirava o trabalho delas.
 
O arrependimento mais difícil de se conviver é o de ter feito algo para machucar outra pessoa. E eu tenho dificuldade em direcionar minha cabeça ao tanto de dor que causei a elas. Seria negligente em excluir a dor que eu trouxe para as pessoas com quem eu trabalho ou já trabalhei e cujas vidas profissionais e pessoais foram impactadas por tudo isso, incluindo projetos atualmente em produção: os elencos e equipes de 'Better Things', 'Baskets', 'The Cops', 'One Mississippi' e 'I Love You, Daddy'.
 
Eu me arrependo profundamente por isso ter atraído atenção negativa para o meu empresário Dave Becky, que apenas tentou mediar a situação que eu causei. Eu trouxe angústia e dificuldade às pessoas do FX que me deram tanto e à The Orchard, que acreditou no meu filme, e todas as outras entidades que apostaram em mim ao longo dos anos. Eu trouxe dor à minha família, meus amigos, minhas filhas e sua mãe".
 
 
 
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