Após problema no som, cantora desce do palco e bebe vinho com o público

Falha no equipamento de som inviabilizou o início da apresentação da jazzista norte-americana Madeleine Peyroux no Centro de Convenções, na noite desta sexta-feira

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postado em 10/11/2017 22:11 / atualizado em 11/11/2017 00:06

Priscilla Simari/ Divulgação

 
Um episódio inusitado aconteceu na noite desta sexta-feira (10/11), no Centro de Convenções, antes de um show da cantora de jazz norte-americana Madeleine Peyroux. Após uma falha no equipamento de som — que inviabilizou o início da apresentação —, a artista desceu do palco e começou a distribuir e beber vinho para o público.
 

Segundo pessoas que aguardavam a apresentação da jazzista, os organizadores disseram que a falha era um "probleminha técnico". A resolução do problema demorou entre meia hora e 45 minutos, fazendo com que a apresentação começasse por volta das 21h30.

O show 

Em Brasília, a norte-americana apresenta o álbum Secular hymns, lançado em setembro de 2016. O repertório do disco, que é também o da turnê, traz uma mistura de blues, swing, R&B e folk, combinação da qual a norte-americana se sente fruto e que pontua trabalhos anteriores, como The blue room e Half the perfect world. Secular hymns traz alguns clássicos como o blues Got you on my mind (Howard Biggs e Joe Thomas), uma balada a meio caminho entre o blues e o folk, e Hard times come again, por escrita por Stephen Foster, autor também da conhecida Oh! Susanna e uma espécie de pai do folk americano.

Mas Secular hymns também tem composições da própria Madeleine, como Hello babe, uma canção de adeus a um amor tóxico. “É também uma inspiração para qualquer um que queira ver longe algo que não é bom. Tenho dedicado ao nosso atual presidente a cada vez me apresento”, avisa. E há Tango t´ill they’re sore, que realça a voz aveludada e o alcance da intimidade da música da cantora, acompanhada apenas pelo som grave do contrabaixo. Na introdução, Madeleine faz uma brincadeira com os acordes da ária L’amour est un oiseau rebelle, da ópera Carmem. “Essa ária é um grande poema para mim. É como se ela precisasse de um monte de liberdade para respirar e quero isso mais que tudo”, explica.

A turnê brasileira é a última de Madeleine com o baixista israelense Will Barak Mori e o guitarrista norte-americano Jon Herington, com os quais se apresentou nos últimos dois anos. A cantora não tem planos de gravar novamente com os músicos em um futuro próximo, mas ela prepara um disco no qual haverá mais instrumentos em cena. Será um disco com músicas inspiradas nas tensões observadas durante as últimas turnês. “Estou escrevendo e gravando esse disco novo e ele tem muito a ver com o que está acontecendo hoje”, revela. “Tento abordar, de forma mais direta, os problemas que têm me tocado mais”.
 
Shervin Laine/Divulgação
 


QUATRO PERGUNTAS 

Madeleine Peyroux
 
Como você escolheu o repertório desse disco?
Blues, swing, R&B e folk são parte do que acredito que começa a definir a música americana, a mistura que é essa música. E essas são músicas que têm estado particularmente próximas do meu coração por anos. Eu sempre quis tocá-las. E elas se tornaram nossas favoritas nesse formato de trio, com todos os silêncios e espaços e o poder que resulta disso quando conseguimos tocar como um só.

Por que gravar em uma igreja milenar?
Fomos convidados a tocar lá e senti fortemente que aquele espaço nos oferecia algo especial. É uma coisa maravilhosa tocar esperando um som e ouvir esse som ao mesmo tempo. É como se fosse um retorno em loop, dá muita energia. Esse lugar é muito pequeno e há pedras e feixes de madeira que envelheceram tanto que têm características diferentes de outros lugares. A sensação é muito boa. E como era uma igreja muito pequena em uma cidade muito pequena também me deu a sensação de estar em uma espécie de santuário em que eu realmente tinha que explorar essas canções de uma única vez.

Você disse que esse disco tem algo de humanista. Como?
Eu acredito que não há fim para a necessidade de lembrarmos uns aos outros que somos todos humanos tentando aproveitar a vida, tentando ser bons ou apenas tentando ser. Como eu disse, durante a turnê comecei a sentir a necessidade de dar ao público algo solar nessa loucura que o mundo se tornou. E não parei mais de sentir isso. Ao contrário.

A ideia de intimidade sempre esteve presente no seu trabalho. Por quê?
Não sei o porquê, sinceramente. É uma boa pergunta. O que sei é que sou melhor cantando em um palco mais intimista. Talvez porque não goste de barulhos…. talvez não seja nada disso.
 
Com informações de Nahima Maciel. 
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