Violência e intolerância no espetáculo Nós, do Grupo Galpão

Companhia mineira apresenta em Brasília seu mais novo trabalho, Nós, que fala de violência e intolerância

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postado em 29/11/2017 07:30 / atualizado em 29/11/2017 09:42

Guto Muniz/Divulgação
Impulsionados pela inovação constante, o Grupo Galpão se consagra como um dos coletivos de teatro mais importantes do país e comemora 35 anos de vida criativa nos palcos. Com um trabalho forte e cuidadosamente criado por atores experientes na arte de encantar através da criação cênica, o Galpão investe na experimentação e no dinamismo das possibilidades de transformar a cena. 

O grupo apresenta em Brasília a temporada de seu mais recente espetáculo, Nós, 23ª montagem da trupe, que transita entre as angústias e esperanças compartilhadas por toda a humanidade. Violência e intolerância se cruzam a partir de uma dimensão política e provocam uma proximidade constante com o espectador para comunicar de maneira eficaz a história criada e provocar reflexões.

A plateia é convidada a experimentar situações de opressão e convívio com a diferença em um cenário de imersão entre artista e espectador, realidade e ficção. No espetáculo, os atores Antonio Edson, Beto Franco, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e Teuda Bara celebram a vida, enquanto preparam a última sopa e debatem, sob um prisma político, questões do mundo contemporâneo. 

Diferentes linguagens entram em ação, performance, música e literatura ajudam a construir a cena. O grupo se renova a cada novo trabalho porque sempre procura se colocar em risco e diante de novos desafios e sua criação é sempre autoral, com atores que têm forte presença em tudo o que fazem em cena.

Violência e intolerância


“A força criativa do Galpão vem do seu coletivo de atores. Um grupo que trabalha com diferentes diretores e artistas e que consegue criar espetáculos tão diversificados em que cada processo de trabalho se transforma num caminho de superação e de aprendizado”, afirma Eduardo Moreira, um dos atores do grupo. 

O teatro do Galpão sempre esteve voltado para o público, que é um elemento central na cena. Desde os espetáculos populares de rua até os espetáculos de palco, com mistura de estilos e linguagens. Cada trabalho é único e começar um novo processo de trabalho é também saber se esvaziar para que novas coisas possam entrar, enfatiza Eduardo. “O encontro com o espaço vazio da sala de ensaio é sempre um salto no escuro que é preciso ser encarado”.

Eduardo lembra que o teatro se faz essencialmente nesse encontro no presente do aqui e do agora entre ator e espectador. A alquimia desse encontro é que faz do teatro um lugar tão especial e tão intenso. Para ele, por mais que as circunstâncias nos dias de hoje conspirem contra a ida do público ao teatro, nunca a cena teatral foi tão importante. “O teatro é o lugar em que a instância da esfera pública e compartilhada se faz mais presente em nossa sociedade. E nesse momento de redes sociais, violência e esvaziamento da esfera do público, o teatro é absolutamente urgente”, destaca o ator.

 
A peça atual tem direção de Marcio Abreu, que destaca o fato de cada espetáculo promover uma circunstância específica, um universo próprio, proporcionando uma ampla possibilidade de linguagens teatrais. O diretor lembra que o O Galpão é um grupo de atrizes e atores com enorme disponibilidade para a pesquisa e para a experimentação, além de serem artistas com repertórios muito ricos e variados. Não há uma linguagem única em suas peças. Em geral há diretoras ou diretores convidados e é desses diálogos artísticos que surge o que é essencial nesse grupo, que é dinâmico, vinculado radicalmente com o nosso tempo e que está sempre em transformação.

“É recorrente dizermos que o público e o Galpão têm uma relação de amor. São 35 anos de diálogos os mais diversos, de encontros inesquecíveis, de imagens que estão no nosso imaginário, de peças que entraram para a história do teatro brasileiro”, afirma Marcio. A trajetória do Galpão é marcada por um amplo diálogo com o público, buscando a criação de um teatro aberto, franco e generoso, que proponha a escuta e a ação através da arte com dimensão política e que sensibiliza. Teatro se faz com o público e o grupo é o exemplo maior disso.

A ideia de Marcio Abreu, em Nós, é mostrar um espetáculo político, no sentido de pensar a possibilidade de convivência entre os diferentes, os conflitos daquilo que é público e daquilo que é privado, do que está dentro e do que está fora, de como pensar a possibilidade de convivência entre os diferentes. A peça promove um mergulho em todas essas questões a partir da situação de um grupo de pessoas que se reúne para participar de uma última refeição. Assim, uma sopa é preparada em cena e compartilhada também com o público.

Espetáculos primorosos como os criados pelo Galpão proporcionam um encontro vivo e presencial em suas múltiplas expressões sensoriais e intelectuais, que dão ao teatro e seu encontro com o público um caráter absolutamente único e especial.  

Espetáculo Nós, com o Grupo Galpão
No teatro da Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul, Q. 4 Lt. ¾), de 24 de novembro a 3 de dezembro. Sexta, às 20h; sábado, às 17h e 20h e domingo, às 19h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) e a classificação indicativa é de 16 anos. 
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