Marina Lima é a atração na Noite Cultural T-Bone

Tradicional evento brasiliense, coordenado por Luiz Amorim, resiste à falta de patrocínios e mantém o projeto de trazer grandes nomes da MPB, como Marina Lima, à cidade

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postado em 30/11/2017 07:33 / atualizado em 30/11/2017 10:12

T-Bone/ Divulgação
 
 
Marina Lima vem a Brasília desde o início da carreira. Em 1979, ainda pouco conhecida, fez seu primeiro show pelo Projeto Pixinguinha, ao lado de Luis Melodia e Zezé Motta, no Teatro da Escola Parque. Depois voltou outras vezes para apresentações em diferentes espaços — do ginásio de esportes do Iate Clube ao Unique. Há cinco anos, lançou o livro Maneira de ser, numa livraria da cidade.

Em julho de 2016, a cantora e compositora carioca trouxe à capital No osso, recital de voz e violão, que foi aplaudido pelos fãs no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Hoje (dia 30/11, quinta), retorna como atração da 37ª Noite Cultual T-Bone, tradicional evento de rua que comemora 20 anos de realização.

Desta vez Marina mostra o espetáculo Três, em que tem a companhia de Léo Chermont (guitarra e efeitos), Arthur Kunz (bateria e programações), integrantes da banda paraense Strobo. Embora a estrela do pop rock tenha incluído no repertório músicas novas, como Partiu, e também dos parceiros de cena, no set list prevalecem clássicos de sua obra, entre elas À francesa, Fullgás, Me chama, Não sei dançar, Pra começar, Uma noite e meia e Virgem.

A banda Strobo utiliza em seu trabalho recursos tecnológicos para misturar timbres sintéticos e acústicos, com o intuito de dar uma roupagem pop à música instrumental. Criada em 2011, tem três discos lançados — o mais recente é o Mamãe quero ser pop, de 2014 — e acaba de gravar o álbum 4. Segundo Chermont e Kunz, a música do Strobo é uma celebração amazônica e universal.

Entrevista / Marina Lima


Marina, sua primeira apresentação em Brasília foi em 1979, no início da carreira, quando dividiu o palco do Teatro da Escola Parque com Luis Melodia e Zezé Motta, pelo Projeto Pixinguinha. Que recordações guarda na memória daquela estreia na capital?
Foi uma delícia. Eu muito novinha, Zezé e Melodia sendo cuidadosos comigo... Não sabia muito aonde tudo aquilo ia dar, mas sabia do meu desejo de trabalhar com música. Fui bem recebida por um público jovem, atento, e tive o privilégio de participar de um projeto genial, que levava grandes nomes com lançamentos para o Brasil inteiro. Foi muito interessante e excitante para mim.


Apresentações como a da Virada Cultural, aí em São Paulo, no ano passado; e agora na Noite Cultural T-Bone, aqui em Brasília, em espaços abertos, exigem mais do que quando canta em teatros?
Não. O foco que é diferente. Em espaços maiores, há um desejo de se comunicar com muito mais gente, então são shows mais leves, com músicas conhecidas. Você não pode exigir de alguém lá atrás, ouvindo muito mal, que ele se conecte e consiga captar uma música desconhecida de voz e violão. São necessários outros set lists. Mas sinto igualmente prazer em lugares pequenos como em lugares grandes. Até pelo fato de ter várias músicas populares e conhecidas, sempre tenho a sensação de ter um reencontro com um público maior, e isso é sempre uma oportunidade.


No Três, o show que está trazendo agora, as canções têm uma roupagem eletrônica. A ideia é botar o público para dançar?
Não é bem isso. E de todo modo, a roupagem eletrônica eu tenho desde Fullgás. Fazer as pessoas dançarem é sempre bom, gosto de suingue, mas o foco principal nunca é só esse, senão eu não teria gravado Não sei dançar, por exemplo. Gosto de fazer as pessoas dançarem, pensarem, se interessarem pelas letras, gosto de provocar e de sentir que minha música é necessária nos dias de hoje. Eu me juntei com Strobo, esse duo paraense, pois me identifiquei imensamente com o que eles fazem: uma música suingada, brasileira, industrial, tecnobrega e a cara do Brasil. Isso, somado ao meu som, à minha musicalidade, às minhas canções, se torna irresistível. O resultado é atual e extremamente ligado ao Brasil. Embora sinta que poderia se conectar a vários lugares do mundo.


Seu álbum mais recente, o No osso, foi gravado ao vivo. Um próximo será de estúdio?
O próximo é de estúdio, será lançado no final de fevereiro de 2018. Ele está pronto, mas será lançado depois das festas de Natal, Ano-Novo, Carnaval. Ele se chama Novas famílias e terá oito inéditas e uma regravação.


Artistas LGBT como Liniker, Pabllo Vittar e Johnny Hooker se destacam na cena musical brasileira ultimamente. Tem prestado atenção no trabalho deles?
Tenho. O surgimento deles mostra a força da sexualidade e do desejo das pessoas de poder ser quem são. Muito bom que o Brasil esteja caminhando para isso também. Particularmente, gosto muito da voz da Liniker e da figura da Pabllo. E existem também os coletivos como o Teto Preto, que une música eletrônica, política, feminismo e a voz da Laura Diaz.


Ao retornar a Brasília — também chamada de capital do poder — ,o país vive tempos conturbados, com muito retrocesso e intolerância. Como avalia essa situação?
Da forma como qualquer pessoa em sã consciência, justa, pode avaliar. Está insustentável. Ou o Brasil encara seus milhões de filhos sem escola, sem saúde, sem o mínimo básico ou esse país não vai mais dar pé.


Marina Lima 
Show da cantora, acompanhada pela banda Strobo, hoje (30/11, quinta), às 21h, na 312 Norte, pela Noite Cultural T-Bone, Antes, a partir das 19h30, se apresentam artistas brasilienses. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
Saiba mais 
 
Um palco eclético: o T-Bone 
 
Criação do açougueiro e produtor cultural Luiz Amorim, a Noite Cultural — T-Bone, inicialmente reunia somente cantores, compositores, músicos e poetas brasilienses. Na quinta edição, Clodo Climério e Clésio voltaram a se reunir para lançar a coletânea Tiro certeiro, com músicas deles, gravadas em três CDs.

Sempre com a proposta de levar música de qualidade gratuitamente ao público, num espaço aberto — a comercial da 312/313Norte —, o projeto, a partir de 2003, passou a ter como atrações nomes consagrados da música popular brasileira. “O primeiro a se apresentar, naquele ano, foi Moraes Moreira. Depois passamos a contar com artistas de grande apelo popular entre os quais Erasmo Carlos, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento, Alceu Valença, Lenine, Elba Ramalho, Zélia Duncan”, lembra.

De acordo com Amorim, o recorde de público foi estabelecido por Zé Ramalho, que reuniu em torno de 30 mil pessoas. “Foi um dos momentos históricos da Noite Cultural. Os artistas que tomam parte do projeto costumam levar uma grande emoção de Brasília, pela interação que estabelecem com os espectadores e a acolhida carinhosa que recebem deles”, destaca. “O Ivan Lins, por exemplo, chorou ao deixar o palco, após ouvir a multidão cantar em coro suas canções”, acrescenta.

Ainda de acordo com o produtor, há entre os convidados os que fazem questão de receber os fãs depois da apresentação. “Fagner, por exemplo, quando acabou o show, foi para uma pizzaria vizinha ao T-Bone e permanceu até as 4 da manhã, cercado por admiradores. Ele ficou tão entusiasmado com tudo que depois me ligou pedindo para voltar.”

Mas, além de astros da MPB, a Noite Cultural contou como uma atração internacional. “Tivemos aqui Orquestra de Viena, que fez um concerto memorável”. A cantora Fernanda Abreu foi a protagonista da 36ª edição, em show em 25 de maio deste ano. “Nesse nosso projeto, visto como um dos mais emblemáticos de Brasília, contamos com o apoio da Secretaria de Cultura e de recursos de emenda parlamentar do deputado Wasni de Roure”, diz.


O poeta e escritor Renato Fino abre a programação
Haroldinho Matos (guitarra), PC Campos (cantor), Rafael Miranda (cantor e violonista), Tita Lima e Silva (poetisa) e Renato Fino (poeta) são os artistas da cidade que abrem a programação da 37ª edição da Noite Cultural T-Bone. Eles participam de um show entremeado por recital poético. 
 
 

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