Selo candango Quadrado Mágico realiza projetos musicais na cidade

'A motivação mais latente era o de ajudar a potencializar trabalhos de bandas amigas', afirma um dos idealizadores do projeto

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postado em 06/12/2017 07:32

Arquivo Pessoal

Os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo sempre foram os destinos óbvios para quem queria gravar um CD ou se lançar de alguma forma no meio musical. Aos poucos, isso tem mudado por conta de iniciativas paralelas.

 
O selo Quadrado Mágico é um desses exemplos. Criado neste ano em Brasília, o projeto é uma iniciativa de Miguel Galvão, um dos idealizadores do PicniK; Gustavo Halfeld, ex-integrante da banda Cassino Supernova; e Victor Yrigonye, designer gráfico. O objetivo do trio ao criar o selo era garantir o registro de trabalhos que foram considerados “fora da caixinha”.
 
“A motivação mais latente era o de ajudar a potencializar trabalhos de bandas amigas com que interagimos, fazer com que chegassem mais longe e canalizassem de maneiras mais eficiente a energia investida nos projetos. Paralelo a isso, sempre teve a ideia do registro histórico mesmo, de poder juntar numa mesa artistas com certa afinidade musical para que gerações seguintes consigam compreender melhor esses turbulentos anos que estamos vivendo”, explica Miguel Galvão ao Correio.
 

Funcionamento do Quadrado Mágico

 
O Quadrado Mágico funciona em duas vertentes. A primeira é conhecida como “Para viajar”, que se trata da gravação de trabalhos inéditos de bandas que tenham algum envolvimento com o trio de idealizadores normalmente gravado na Sala Fumarte, com suporte técnico e masterização. A segunda vertente leva o nome de “Para dançar”. “É onde enxergamos a oportunidade de explorar um tipo de produto não muito desenvolvido aqui no país, que é o lançamento de remixes das bandas como parte das estratégias de divulgação do trabalho, desenvolvimento estético e expansão de público de novas audiências”, conta Galvão. Essa segunda parte tem auxílio do DJ e produtor Renato Cohen, que cuida dos aspectos técnicos e artísticos.
 
Atualmente, o selo lançou o primeiro EP do grupo Gipsydelica, um trio formado por músicos de diferentes países. A gravação ocorreu em uma das passagens da banda pelo evento PicniK, em Brasília. O material ganhou o nome de Babylon e possui cinco faixas, que estão disponíveis no site oficial do selo. Esse é o primeiro registro da banda.
 
Estão na agenda de lançamentos do selo o EP do Bike, A montanha sagrada remixes, que tem quatro versões da faixa que dá nome ao material, além do EP do grupo That Gum U Like em 8 de dezembro. Esse último é um trabalho autoral inspirado na obra de David Lynch e terá ainda um pacote de remixes. “Para 2018 temos em vista um LP do Oxy, um LP em parceria do My Magical Glowing Lens com o Bike, um EP solo da Mari Perrelli e espero que algo com o Supervibe e Joe Silhueta. Se rolar tudo isso no primeiro semestre já vai ser muita coisa”, adianta Miguel bastante animado.
 
Saiba mais sobre a Sala Fumarte
Localizada no Lago Norte, a Sala Fumarte foi criada pelos músicos Breno Brites e Bruno Prieto para gravações independentes do cenário underground de Brasília. Artistas como Korina, Almirante Shiva, Tertúlia na Lua, Bílis Negra, Judas, Duo Alvenaria, Camarones Orquestra Guitarrística, Joe Silhueta e Rios Voadores gravaram no estúdio. O local recebe ainda o projeto Fumarte sessions, um registro audiovisual feito pela fotógrafa e diretora Patrícia Soransso.

Duas perguntas // Miguel Galvão

Há conceito na hora de escolher projetos com os quais vão trabalhar?

Sim. Quando é “para viajar”, damos preferências a produções alternativas com alguma dose de lisergia, de bandas que sentimos que há potencial de desenvolvimento estético e amadurecimento artístico e que, antes de mais nada, estejam procurando soar únicos e especiais e não como a nova “coca-cola do momento”. No “para dançar”, foco é em artistas que possam transcender barreiras de nicho e que nos ofereçam insumos vistos como atrativos pelos DJs/produtores com que interagimos.
 
Como vê esse mercado em Brasília?
Ainda vejo como pouco explorado. Ha ações louváveis como a Lombra Records, que se mostra um oásis crítico e pensante graças ao seu bom humor e sagacidade, mas, em geral, as bandas trabalham por si só e fazem quase tudo sozinhas. Daí o músico tem de se agilizar também para ser um baita marqueteiro, saber onde vai prensar seu disco de maneira mais viável, marcar shows fugindo de furadas, etc. E para quem quer só ouvir, fica um desafio de chegar em novos artistas brasilienses partindo de algum caso que ele já tenha gostado.
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