Cantora Sofia Freire lança segundo álbum da carreira

Pernambucana transforma em música poemas escritos por mulheres

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
Maria Eduarda Portella/Divulgação
 
 
Com apenas 15 anos, a pernambucana Sofia Freire começou a gravar o primeiro disco da carreira, Garimpo. O processo de construção do álbum levou três anos e deu destaque e maturidade para a cantora e compositora prodígio alçar voos maiores. Agora, aos 20, ela apresenta Romã, o segundo disco, escolhido por votação popular para ter patrocínio do selo Natura Musical.

“Em todo esse processo aconteceu muita coisa, eu cresci e amadureci muito durante esse tempo. E a maior diferença do primeiro para o segundo disco é justamente essa noção. Hoje eu sei mais o que quero fazer e consigo direcionar melhor as minhas influências e vontades”, explica Sofia.

Pianista de formação erudita, mas fã de cantoras do pop como Björk, Susanne Sundfor e Madonna, foi natural que ela misturasse os dois mundos e encontrasse o próprio caminho e a personalidade artística na fusão entre os estilos. Cheia de camadas, loops de voz e elementos eletrônicos, a música de Sofia é pop, mas com traços do mundo erudito.

Em Romã, a música de Sofia dá voz a poemas escritos por autoras. Os textos de Micheliny Verunschk, Mariana Teixeira, Piera Schnaider, Luna Vitrolira e Clarice Freire (irmã de Sofia) foram musicados para o álbum. “Eram pessoas próximas e já havia essa admiração mútua entre a gente, mas que só se concretizou agora”, conta.

Os textos saíram do caderno de poemas preferidos da cantora. “Tenho um caderninho onde anoto meus poemas preferidos. No processo de compor pro disco, eu percebi que os poemas que mais me representavam eram os escritos por mulheres”, lembra.

“Pensei que se eu me sentia assim, deveria fazer um disco só com coisas escritas por mulheres. Até porque preciso me identificar na hora de passar isso para as pessoas”, completa. 

Começo

As experimentações, que acabaram se tornando característica de Sofia, surgiram por necessidade. Quando começou a compor e a gravar, a falta de instrumentos e de condições ideais para a gravação deles fez com que ela começasse a usar apenas a voz.

“Eu decidi gravar tudo só com a minha voz, ir montando e experimentando e percebi que isso funcionava e incorporei para o meu som”, explica.

O experimentalismo e as fusões, reitera Sofia, aconteceram de maneira muito natural, sem planejamento prévio. “Não foi como se acendesse uma fagulha e eu dissesse: ‘Vou juntar a música eletrônica e erudita’. Foi muito natural até chegar ao meu estilo, que é esse pop meio híbrido”, destaca.

Romã
Sofia Freire. Joinha Records/Natura Musical. 9 faixas. Disponível nas plataformas de streaming.


Duas perguntas 
Sofia Freire

Você começou muito jovem, e ainda é, como isso impacta na sua produção? 
Nina Simone já dizia que é impossível não refletir na sua arte o  tempo em que você vive. Então, tem sim influência na música que faço a minha idade, minhas experiências. Meus temas, a maneira de enxergar o mundo vão ser diferentes de algum mais velho. Comecei a fazer o primeiro disco com 15 anos, o tempo de produção pegou muita coisa, muitas mudanças na minha vida. Foi um tempo de passagem da adolescência para o início de uma vida adulta, isso se reflete na música.

Você vem de uma família ligada à arte (seu pai Wilson Freire e sua irmã Clarice Freire são escritores, por exemplo). Como isso te influenciou?
Quando a gente cresce nesse meio fica mais fácil entrar em contato com essas linguagens, eu cresci indo muito para saraus, recitais, shows. E cresci vendo meus pais, minha mãe pintando, meu pai escrevendo e compondo com Antonio Carlos Nóbrega, então tudo isso influencia. Ver minha irmã (a gente é muito amiga, muito próxima) envolvida e vivendo de arte também foi importante. Eles são pessoas que admiro muito e tive muita influência deles na hora de querer começar a me envolver com a arte e sempre fui incentivada. Isso influenciou, sim, na decisão de seguir essa carreira artística.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.