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Estado de Minas

A atriz Catherine Deneuve defende o flerte masculino e gera polêmica

No Brasil, o discurso de Catherine Deneuve foi corroborado pela jornalista e escritora Danuza Leão


postado em 11/01/2018 07:30

Catherine Deneuve, 74 anos, desencadeou uma intensa polêmica com a carta publicada no Le Monde(foto: Valery Hache/AFP - 9/12/17)
Catherine Deneuve, 74 anos, desencadeou uma intensa polêmica com a carta publicada no Le Monde (foto: Valery Hache/AFP - 9/12/17)


Na manhã da última terça-feira , a França acordou com uma carta inusitada. A atriz Catherine Deneuve, 74 anos, que fez fama no mundo ao interpretar papéis clássicos do cinema como Repulsa ao sexo, de Roman Polanski e A bela da tarde ,de Luis Buñuel, escreveu uma carta pública ao jornal Le Monde — assinada por outras 99 mulheres — defendendo que existem “repreensões públicas” contra o direito dos homens flertarem, e que em consequência “incentiva o ódio aos homens e à sexualidade”.

Quase instantaneamente, o movimento feminista internacional reagiu à carta de Catherine de forma contundente. Ao portal Franceinfotv, Caroline De Haas e outras 30 feministas se juntaram para combater as ideias publicadas no Le Monde. “Esta carta é um pouco como o estranho colega de trabalho ou o tio irritante que não entendem o que está acontecendo”, afirma trechos do texto, que ainda defendeu que a atriz francesa está usando de oportunismo para fins de exposição na mídia.

Visão de Catherine

Desde do momento em que as acusações contra a prática de assédio começaram a surgir — após a denúncia ao empresário Harvey Weinstein pelo jornal norte-americano The New York Times, em 8 de outubro de 2017 — Catherine já demonstrava que estava nadando contra a corrente. A atriz tinha se posicionado publicamente contra a campanha #MeToo (que em tradução livre significa “Eu Também”, e incentiva as mulheres a denunciarem casos de assédio) por meio de redes sociais, pois as denúncias envergonhariam os homens acusados.

Entretanto, o ponto alto da oposição de Catherine Deneuve aconteceu em carta pública divulgada no jornal francês Le Monde. A atriz defendeu que os homens deveriam ser “livres para flertar” com as mulheres, e que o mundo passa por uma onda de “puritanismo” contra esses casos de assédio.

Além de Catherine, a carta foi assinada por mais 99 mulheres — entre elas alguns nomes relevantes da arte ou academia francesa —, como a escritora Catherine Millet e a cineasta Brigitte Sy. Em trechos da carta pode-se ler frases como: “Os homens têm sido punidos sumariamente, forçados a sair de seus empregos, quando tudo o que eles fizeram foi tocar o joelho de alguém ou tentar roubar um beijo”.

“Estupro é crime, mas tentar seduzir alguém, mesmo de forma insistente ou desajeitada, não é — tampouco o cavalheirismo é — uma agressão machista”, aponta outro trecho da carta. Que ainda afirma: “Como mulheres, não nos reconhecemos neste feminismo que, além de denunciar o abuso de poder, incentiva um ódio aos homens e à sexualidade”.

No Brasil, o discurso de Catherine Deneuve foi corroborado pela jornalista e escritora Danuza Leão, que publicou uma coluna apontando que as denúncias de assédio “são uma coisa ridícula, para começo de história”. Danuza também questiona os limites entre assédio e paquera, concluindo o texto com um “Viva os homens”.

Ideias de Hollywood

A principal razão que levou à existência da carta de Catherine Deneuve foi o grande movimento desencadeado pelas mulheres de Hollywood contra a cultura de assédio que predomina na indústria de entretenimento norte-americana. A campanha #MeToo surgiu ainda no ano passado, como uma forma de influenciar as mulheres a denunciarem qualquer forma de assédio que sentissem.

Entre denúncias públicas, ou anônimas, o portal norte-americano Variety estima que 35 homens em posições chaves na indústria tenham perdidos seus cargos. Entre os nomes estão  imperadores do cinema, como Harvey Weinstein e o ator Kevin Spacey.

O Correio conversou com Bia Cardoso, uma das responsáveis pelo portal Blogueiras Feministas, para entender um pouco mais da polêmica. A priori, segundo Bia, é importante ponderar uma questão cultural que cerca os movimentos na França e nos Estados Unidos. “Eu acho que existe uma briga grande entre afirmações de americanos e franceses sobre o puritano, uma afirmação de que os americanos seriam mais puritanos”.

Bia também deixa claro que a fala de Catherine pode estar caracterizada como uma reação ao movimento contra assédios no mundo. “As mulheres durante muito tempo se incomodaram com o assédio, e agora elas não querem mais ficar caladas, estão existindo denúncias, a grande questão é que toda ação tem uma reação, há mulheres que vão falar ‘olha, não é bem assim’”, afirma Bia, que ainda completa: “Existe não só um movimento de denúncia, mas também de basta, as mulheres não vão voltar atrás”. 
 
 

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