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Estado de Minas

Edifício Farol do Santander é inaugurado em São Paulo

Espaço tem vista estonteante da capital paulista e abriga exposições de arte, além de discutir economia criativa


postado em 26/01/2018 06:30 / atualizado em 26/01/2018 10:23

A vista estonteante de São Paulo é um dos atrativos do Farol do Santander(foto: Santander/Divulgação)
A vista estonteante de São Paulo é um dos atrativos do Farol do Santander (foto: Santander/Divulgação)

 
São Paulo — Quase dois anos depois de ser fechado para visitação, um dos edifícios mais tradicionais de São Paulo está de volta. Como num presente de aniversário para a cidade, o Altino Arantes — antes Banespão e agora Farol Santander — está aberto ao público a partir desta sexta-feira (26/1). O programa inclui uma vista estonteante da metrópole, um circuito de história e um de cultura. Os três eixos podem ser feitos separadamente ou juntos.

A ideia é que o edifício de 162 metros e 35 andares seja transformado em um grande centro cultural e memorial da cidade. "A gente inaugura com 18 andares abertos. Os outros virão com o tempo, sem um prazo determinado. Cada um deles vai ter uma história para contar", afirma Clau Duarte, superintendente executiva de comunicação externa do Santander. A superintendente de marcas, cultura e patrocínio do banco, Paola Sette completa: "A visita apresenta outra visão sobre São Paulo, de uma cidade menos fria".
 
 
Ver galeria . 4 Fotos Pista de skate projetada por Bob Burnquist: união entre esporte e arteSantander/Divulgação
Pista de skate projetada por Bob Burnquist: união entre esporte e arte (foto: Santander/Divulgação )
 
Localizado no 26º andar, o mirante é um dos pontos mais esperados da visita. A 160 metros, o local oferece uma vista de vários ângulos. É um horizonte no mínimo diferente da capital paulista. O centro da cidade pode ser apreciado dos mirantes ou de uma filial do Café Suplicy, decorado no estilo art déco, como todo o prédio. 

Os primeiros andares são dedicados à história do prédio, que, de alguma forma, acaba se confundindo com a da cidade, já que a obra foi inaugurada há cerca de 70 anos. Logo no hall, um enorme lustre original daquela época rouba toda a atenção do visitante. A jornada pela história ocupa quatro andares, pautados pela proposta de arte imersiva que acompanha toda a visita. Desta forma, a construção do prédio é apresentada numa bela apresentação em 3D; na sala de reunião, podemos ouvir o áudio de atas escritas de registro de reuniões importantes, o som de carimbos e máquinas registradoras ou ainda ver a evolução do cruzeiro até o real, por meio de uma nota de 50 mil cruzeiros. 

Um dos destaques deste módulo histórico ocupa o 4o andar do complexo. A instalação Vista 360, assinada por Vik Muniz, foi composta por cerca de 20 toneladas de sucata produzida no próprio Farol. São sete painéis que mostram a ligação do prédio com São Paulo. "Foi interessante que, quando convidamos o Vik, ele demonstrou uma ligação pessoal com o prédio porque a mãe dele trabalhava no centro e ele tinha o prédio como referência de localização", conta Paola Sette. A sucata também serviu de matéria-prima para o artista plástico  Marcelo Stefanovicz fazer móveis que estarão espalhados por todo o prédio. Sob a supervisão dele, fios de cobre desencapados viraram cadeiras e portas giratórias, pés de mesa.

Economia criativa


O empreendedorismo é tema de dois andares do Farol. No primeiro está a arena de economia criativa, que funciona com curadoria de Ana Clara Fonseca e Alejandro Castañé, da Garimpo de Soluções. Ana Clara explica que serão três eixos a serem seguidos nos debates para até 100 pessoas: inovação, empreendedorismo e cidadania. “Nós temos start ups incríveis no Brasil e fora do país sobre assuntos diversos, como moda, turismo, gastronomia e outros. Esse diálogo vai trazer muita coisa boa para todos os lados”, afirma. O primeiro encontro será em 3 de fevereiro e será sobre moda. Serão apresentados trabalhos na área de moda, como o software que adapta peças de roupa para corpos que estão fora do padrão. As palestras serão quinzenais, sempre aos sábados. “A ideia deste espaço é mostrar que o Farol aponta também para o que estar por vir, não apenas para o que foi”, define Alejandro.

No outro espaço dedicado ao tema, a troca de ideias é promovida por meio do coworking. Novos empreendedores terão salas de criação, pufes em um ambiente equipado para receber palestrantes que estarão ali mais para conversas informais dedicadas à criação do que para encontros sisudos e formais.

Arte imersiva


A paisagem ao redor do Farol é uma atração à parte com a qual é difícil concorrer. Como chamar a atenção para dentro do prédio? Os curadores dos dois andares dedicados às artes plásticas encontraram a resposta explorando o próprio conceito de paisagem. "O que vamos mostrar nessas duas salas é outro tipo de paisagem, sempre com base na arte imersiva e contemporânea. Mais do que obras contemplativas, são obras realmente imersivas", explica Facundo Guerra, curador do espaço ao lado de Tatiana Wlasek.

Facundo ressalta que a ideia é que, a cada 100 dias, as mostras sejam renovadas. Para começar, a primeira sala vem com Diurna, de Laura Vinci, e a segunda, com O dia que saímos do campo, do coletivo russo Tundra. A primeira apresenta folhas de ouro espalhadas pela sala, repleta de janelões. A ideia é que, pela incidência de luz no local, as sombras se formem e formatem a própria obra. “É uma instalação que muda de acordo com a hora do dia e com a ocupação do espaço”, comenta Tatiana.

Já em O dia que saímos do campo, está retratada a noite. Sentado em confortáveis pufes, o público observa a noite numa cidade grande, com a ajuda de luzes penduradas no teto. Elas alternam a cor e a velocidade com que piscam. Os sons completam o aspecto sensorial da obra, indo de grilos a gritos e conversas.

Antes de chegar às salas de exposição, há uma pista de skate projetada por Bob Burnquist. São mais de 300m² de um circuito com várias rampas com capacidade para receber 12 pessoas ao mesmo tempo. “O skate é um esporte que não para de crescer no Brasil e é a cara de São Paulo. Por isso escolhemos ter essa pista no 21º andar, o que é um ineditismo”, afirma Paola Sette. Para ambientar, a pista, o coletivo Baixio Ribeiro, da Choque Cultural, assina grafites e painéis no espaço. Vale ressaltar que a passagem pela pista não faz parte dos circuitos e tem entrada cobrada à parte.

Loft de luxo


Já pensou em ficar hospedado em um loft de 335 metros quadrados? Pois é essa a proposta do 25º andar do Farol. O espaço tem sala de jantar, sala de banho, quarto de casal, cozinha. A decoração segue o estilo de todo o prédio, calcado na art déco e criado pelo escritório francês Triptyque. A vista, claro, é uma atração à parte e o local é rodeado por janelões. "A ideia é receber eventos ou casais em datas especiais. Já pensou num pedido de casamento com essa vista", sugere Paola Sette, que garante que em breve o espaço estará disponível em serviços como o Airbnb. Detalhe: a diária cobrada será de R$ 4 mil.

SERVIÇO
Farol do Santander
Rua João Brícola, 24, Centro, São Paulo. Funcionamento de terça a domingo, das 9h às 19h. Ingressos a R$ 15 (mirante), R$ 17 (mirante + debates de economia criativa; mirante arte imersiva; mirante espaço memória), R$ 20 (espaço memória arte imersiva mirante); pista de skate a R$ 50 por hora.

* O jornalista viajou a convite do Santander

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