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Estado de Minas

Lia Sophia mistura o pop à música do norte em 'Não me provoca'

Disco produzido por Pedro Luís traz também diversas canções com temática feminina


postado em 31/01/2018 07:00

(foto: Fred Chalub/Divulgação)
(foto: Fred Chalub/Divulgação)

A cantora Lia Sophia não nega as origens do norte do país, principalmente do Pará, mas recusa, com veemência, o rótulo de regionalista. Para ela (que estourou com o hit Ai, menina, tema de Amor, eterno amor), a classificação é preconceituosa e limita o Brasil a determinadas regiões. “É um pensamento de que a música que é feita no Rio de Janeiro e em São Paulo é música brasileira, mas a que é feita nas periferias e nos outros estados é regional. É um preconceito. Tudo isso é música brasileira”, critica.

Com isso em mente, Lia juntou as referências da região onde cresceu com outros estilos no novo álbum, Não me provoca. “Essa mistura, na verdade , é uma ponte. É o meu jeito de me expressar, sou contemporânea, não faço música folclórica. Utilizo da minha história e conto um pouco dessa história com influências contemporâneas, misturando o carimbó, o merengue e o zouk com funk, samba e reggaeton”, explica.

O disco teve a produção do cantor e compositor Pedro Luís. Foi ele, inclusive, que notou nas composições enviadas por Lia uma unidade em torno da figura feminina. “Eu não tinha percebido. Não foi proposital. É uma questão muito latente e naturalmente eu fui compondo coisas muito femininas e também escolhi parceiras”, comenta Lia.

Lia, no entanto, mantém o desejo de que a música não seja panfletária, que fale de diversos assuntos e de diversas maneiras sem se prender à obrigação de levantar bandeiras. “Eu sou feminista, eu tenho isso em mim, mas não é um desejo fazer minha música panfletária, porque ela segue vários caminhos, também falo de alegria, de beijo, de encarar a vida com leveza”, justifica.

Participações especiais

“Quando estávamos fazendo o disco, eu e o Pedro Luís discutimos se eu iria querer participações no álbum. Pensei em alguns nomes que, para mim, seriam uma realização e fomos atrás”, lembra Lia. Dessa seleção, Lia e Pedro decidiram convidar Ney Matogrosso, Paulinho Moska e Sebastião Tapajós.

A cantora lembra, por exemplo, que enviaram a música Ela a Ney e esperaram que ele respondesse. “Ney estava em uma viagem, então demorou mais um menos um mês para termos o retorno. Eu não sabia se ele ia gostar, mas, para mim, seria o cara perfeito, porque eu queria alguém acima dessa coisa de gênero, um homem defendendo a bandeira da mulher. E ele adorou. Foi felicidade total”, conta.

Não me provoca
Lia Sophia. Vida criativa. 11 faixas. R$ 25

Duas perguntas //Lia Sophia 

Como foi trabalhar com Pedro Luís?
Pedro Luís é um tesouro. Um pesquisador da música brasileira. Ele conhece muito bem essas músicas feitas na periferia. Ele junta maracatu com samba, coco com funk. Ele faz essa mistura. Quando a gente se conheceu, falando sobre isso, pensei imediatamente nele para o disco e fiz o convite. E ele topou.

Você recusa o rótulo de música regional. Acho que ele é reducionista?
Acho, sim. É uma forma preconceituosa de classificar. É um pensamento de que a música que é feita no Rio e em São Paulo é música brasileira, mas a que é feita nas periferias e nos outros estados é regional. É um preconceito. Tudo isso é música brasileira. É um dos meus sonhos que esses ritmos possam ser tão conhecidos como forró e samba e, assim como forró, deixar de ser visto como música regional e começar a ser lembrado como música brasileira.

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