Economia

Aluguel sobe mais no DF

Índice que corrige os contratos, o IGP-M, fica negativo por três meses seguidos, mas inquilinos continuam a arcar com mensalidades altas. Em Brasília, essa despesa está 10% maior em relação a maio de 2008

postado em 29/05/2009 08:07
O índice de preços utilizado como parâmetro na maioria dos contratos de aluguéis ficou negativo em maio pelo terceiro mês consecutivo e a inflação acumulada nos últimos 12 meses fechou em 3,64%. A variação de preços vem despencando desde julho do ano passado, quando o acumulado dos 12 meses anteriores bateu em 15,12%, de acordo com o Índice Geral de Preços ; Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os aluguéis sofreram reajustes em torno de dois dígitos ao longo de todo o ano passado. Mas, em 2009, apesar da inflação em queda, os inquilinos continuam arcando com mensalidades elevadas. A deflação não vem sendo repassada para o consumidor final. Em média, o aluguel residencial está 10,06% mais caro no Distrito Federal do que em maio de 2008 (veja quadro). O percentual é maior que a inflação e que o reajuste médio do país, de 7,57% ; média levantada pela FGV para compor o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), com dados de Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro. Os especialistas em mercado imobiliário creditam os preços altos à demanda elevada por imóveis na capital federal. ;O valor real está subindo acima do IGP-M porque a demanda é bem maior que a oferta. Nos últimos anos, aumentou o número de servidores e interessados em concursos públicos. A população cresceu muito e, com isso, a demanda;, afirma o presidente da Comissão de Valores Imobiliários (CVI), Frederico Attié. Os imóveis mais solicitados são os menores, de acordo com o empresário Romeu Carvalho, dono de uma imobiliária localizada na Asa Norte e com 37 anos de experiência no mercado. ;O valor do aluguel de uma quitinete localizada no Plano Piloto aumentou até 40% no último ano. O reajuste no Plano acaba puxando o preço em todo o DF: quem não consegue pagar para morar perto do trabalho, vai para as cidades satélites. Quanto mais difícil ficar o acesso ao trabalho, com trânsito maior, mais altos ficarão os preços no DF;, afirma. Negociação O jeito é pechinchar, orienta a inquilina Suely Medeiros, de 30 anos. Ela renegocia o contrato do imóvel em que mora há dois com o marido e as duas filhas. Até o próximo mês Suely continuará pagando R$ 300 pelo aluguel da casa de três quartos localizada no Recanto das Emas. Mas, a partir de julho, quando o novo contrato passar a valer, pagará, no mínimo 16,6% a mais. A locadora quer que a mensalidade aumente para R$ 400, mas Suely está tentando convencê-la de que o máximo que pode pagar é R$ 350. ;É um aumento muito grande de uma hora para outra, a renda da gente não aumenta nesse ritmo;, reclama a corretora de imóveis, que há seis meses trabalha na área. Os consumidores devem mesmo negociar, na opinião do coordenador do IGP-M, Salomão Quadros. Isso porque a tendência é que a inflação acumulada em 12 meses continue em queda a partir de maio. A desaceleração, segundo ele, foi puxada pelo desaquecimento econômico mundial. Ouça entrevista com Salomão Quadros, coordenador do Índice Geral de Preços (IGP-M)

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