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China sairá como grande vencedora da crise, diz George Soros

FolhaNews

Publicação: 30/06/2009 16:10 Atualização:

O multimilionário investidor George Soros disse nesta terça-feira (30/6) que o temor da inflação elevará as taxas de juros e prejudicará o crescimento, após a economia ter se recuperado de uma crise da qual China será a grande beneficiada.

"O medo de que a inflação dispare forçará o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a aumentar os juros, o que reprimirá o crescimento e levará à ´estanflação´ (combinação de estancamento econômico e altos preços)", disse hoje Soros, em um fórum organizado em Nova York pelo diário The Wall Street Journal e a escola de negócios Iese.

No entanto, essa opção é "a melhor", pois "a alternativa seria uma deflação, que só pioraria o arrasador peso de nossa dívida", disse Soros, convencido de que a economia crescerá "a tropeções", alternando avanços e paradas.

"Embora o pior da recessão já tenha passado, tantos anos de excessos requerem um tempo para se recuperar", afirmou o investidor, sem se atrever a indicar o quanto se dilatará esse processo, já que, acrescentou com humor, "minha teoria é que o futuro é imprevisível".

Para Soros, a situação econômica atual é "um copo que pode ser visto meio cheio e meio vazio, por isso, não é o momento de ter uma firme convicção de nada" ao investir.

O grande erro que se cometeu com a bolha financeira foi, segundo ele, crer que os mercados poderiam regular sozinhos a situação.

"As bolhas não podem ser prevenidas, mas é possível controlar seu crescimento", segundo Soros, e para isso defendeu um papel mais ativo dos reguladores, tentando sempre que estes mantenham sua independência das forças políticas.

O investidor lembrou que, "nos velhos tempos, o banco central enviava cartas às entidades dizendo que não se investisse mais no mercado imobiliário, porque estava muito inflado, ou recomendações desse estilo. Isso é o que se precisa agora".

"Não se pode esperar dos partícipes que resistam a uma bolha, o previsível é que se incorporem a ela, portanto, é necessária uma força externa --a regulação-- que contrabalance essa atração", explicou.

Nesse sentido, deu como exemplo a China e seu "capitalismo de Estado", que permitiu que seu sistema financeiro tenha ficado "praticamente intacto" com a crise internacional.

"Vejo a China como grande beneficiada da queda do sistema financeiro internacional", já que "não temem a nacionalização dos bancos, porque já estão naturalizados", e "estimulam suas exportações financiando as mesmas", ao mesmo tempo em que "suspeito que estão diversificando suas reservas em moeda estrangeiras e apostando em matérias-primas".

Soros, que disse que também investiria em bens tangíveis, mais que em moeda estrangeira, concluiu que "o poder e a influência da China aumentará muito mais rápido do que se achava".

A respeito do trabalho da administração do presidente dos EUA, Barack Obama, o conhecido investidor resumiu que, em geral, está fazendo "muito bem, mas algo menos que perfeito", já que falha precisamente no processo de recapitalização dos bancos, onde "o Tesouro deveria ser o assegurador, não o que coloca o dinheiro".

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