Economia

Medidas protecionistas gera perdas no longo prazo, dizem economistas

postado em 02/02/2012 21:34
A intensificação das medidas protecionistas, como a exigência de licença de importação para mercadorias entrarem na Argentina e a elevação de impostos sobre veículos de fora do Mercosul no Brasil, resulta em perdas para os países envolvidos no médio e longo prazo. Para especialistas, as decisões que visam a proteger o mercado interno podem trazer ganhos imediatos, mas essa vantagem se perde na deterioração da competitividade da economia e na redução de trocas comerciais.

Na avaliação do professor Carlos Pereira, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), medidas como a criação de cotas de importações ou a exigência de aprovação do governo para a entrada de mercadorias externas, como ocorreu na Argentina, têm reflexos nos países vizinhos e põe em xeque o funcionamento do Mercosul.

;Toda a engenharia institucional do Mercosul está em risco. Medidas como essas sinalizam que o arcabouço institucional não tem sido mais capaz de resolver os conflitos comerciais. É normal que esses atritos aconteçam, mas sempre houve mecanismos dentro do próprio Mercosul para resolvê-los;.

Em relação aos efeitos sobre a produtividade, o economista declara que a proteção da indústria nacional reduz a eficiência dos fabricantes. Isso porque a falta de concorrência com os produtos estrangeiros diminui a qualidade e encarece as mercadorias protegidas, além de tornar a produção e o comércio sujeitos a interesses políticos. ;A sensação do ganho no curto prazo é enganadora porque gera benefício menor do que os ganhos do mercado livre no longo prazo. Os atores políticos preferem ganhar no curto prazo;.

Sobre as medidas adotadas pelo Brasil, Pereira critica o reajuste do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados, em vigor desde dezembro. Para ele, o governo se submeteu à pressão das montadoras ao concordar com a elevação do tributo, em vez de criar incentivos para a modernização dos veículos nacionais. ;O caminho mais eficaz [para enfrentar a concorrência com os importados] seria a criação de linhas de crédito e de incentivos fiscais para as montadoras que investem em tecnologia;.

[SAIBAMAIS]Professora titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Leda Paulani diz que os impactos da proteção comercial sobre o Brasil é agravado pelo câmbio, que está em queda. Segundo ela, a combinação do protecionismo com a apreciação cambial prejudica, não apenas as vendas externas da indústria nacional, mas as próprias exportações do setor agrícola.

;Em relação aos bens de menor valor agregado [como bens agropecuários e produtos manufaturados de baixo valor], o Brasil continua enfrentando a concorrência de países como a China. No caso dos bens de maior valor agregado, o protecionismo desestimula o país a dominar a tecnologia e o pouco que se exporta pode se perder;.

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