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Mercado de trabalho: taxa de rotatividade cresceu de 52% a 64% em 10 anos Em setores com a construção civil a taxa chega a 115%

Vera Batista

Publicação: 11/03/2014 17:44 Atualização: 11/03/2014 17:46

De acordo com dados divulgados no I Seminário sobre Rotatividade no Mercado de Trabalho, a rotatividade no mercado de trabalho brasileiro cresceu de 52% em 2003 para 64% em 2012 - quando levado em consideração um período de um ano na empresa. Esse é um comportamento que se eleva a cada dia, principalmente nos setores de serviços, onde a rotatividade chega a atingir 60%. No comércio, a rotatividade registrada durante o período foi de 64%, enquanto na agricultura atingiu 92%. Na construção civil a taxa foi ainda mais, de 115%. Já em alguns ramos da indústria de transformação o índice chega a 53%.

O economista José Pastore, especialista em relações de trabalho da Universidade de São Paulo, citou estudos específicos que comprovam que ao longo de um ano, cerca de 10% dos empregos industriais desaparecem, enquanto outros 10% são criados. Nesse setor, a dispensa sem justa causa chega a 42%. Ele citou um cálculo que causou certo desconforto naqueles que acompanharam a palestra: o empregado que trabalhou um ano em uma empresa com salário mensal de R$ 1 mil, acumula ao longo de um ano, R$1.040 mil na conta do FGTS (inclusive a parcela do 13º salário). Depois da demissão, ele irá sacar esse montante e vai receber mais R$ 400 de indenização de dispensa. Além do salário do mês, ele tem direito a mais R$ 1 mil de 13º salário e a R$ 1.333 de férias e abono. Ainda  desempregado, ele irá receber quatro parcelas de R$ 800 reais do seguro desemprego.

"Em resumo, nesses quatros meses, ele terá R$ 7.973 reais, o que da uma média mensal de quase R$ 2 mil reais, ou seja, o dobro do que ganhava quando estava empregado. Se nesses período de desemprego, ele trabalhar no mercado informal, com um salário também de R$1 mil por mês, ele terá mais R$ 4 mil. O ganho total no período sobe para 12 mil reais, e além disso ele vai receber um salário mínimo de abono", contou.

Porém, Clemente Ganz Lucio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), afirmou que o cálculo não se trata de um incentivo para que as pessoas peçam demissão. Na verdade, isso significa que tem algo errado com o mercado de trabalho e que precisa ser ajustado. As políticas públicas para conter a rotatividade na indústria, por exemplo, não são iguais as que devem ser implementadas na agricultura que tem uma sazonalidade especifica.

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Na indústria, no comércio e no serviço de maneira geral, 40% das demissões ainda são provocadas pelas empresas para cortar custos e elevar lucros. As medidas para criar um sistema de proteção ao trabalhador, em grande parte, não acarretam custos. Como o mercado está aquecido, 53% dos trabalhadores que são demitidos não acessam o seguro desemprego. Esse dado é significativo, pois em 2003 eram 51%.

Ele afirmou também que a toda terceirização que não está prevista na CLT de mão de obra deve ser enfrentada. O próprio estado tem problemas, como por exemplo, na contratação de professores que começam a trabalhar em março e são demitidos em dezembro e depois são recontratados em março e demitidos em dezembro. Mesmo que um gestor público não queira demitir, ele está impedido porque a lei proíbe manter quem não é servidor público concursado.

O procurador do trabalho, José Lima, disse que concorda com Pastore quanto a falta de mão de obra, mas não porque o trabalhador quer ser demitido e receber o fundo de garantia e benefícios. "Emprego está difícil e ponto. Os desligamentos tem várias causas, inclusive assédio moral em ambiente de trabalho", disse, o procurador. "O que precisa ser mudado é o sistema que não traz dignidade ao trabalhador", explicou Lima. Segundo ele o que incomoda é a falta de importância. "Se o empregador tiver de tomar uma atitude que prejudica o trabalhador ele faz, porque simplesmente não se importa, não é por ser uma questão pessoal", finaliza.

O procurador informou que nos cálculos de Pastore, parece que é um bom negócio ficar desempregado porque o salário dobra em dois ou três meses. "Se isso fosse verdade não haveria filas em empresas que abrem vagas e nem tanta concorrência nos concursos públicos em busca da estabilidade", explicou Lima. De acordo com ele, o resultado da rotatividade é a informalidade e a baixa qualificação da mão de obra.

Lima também citou uma pesquisa que prevê que de 2012 a 2014 a rotatividade vai crescer 12,9%, isso significa que são 161,7 milhões de trabalhadores trocando de emprego e que a tendência em 5 anos, ou seja, ate 2014, é que cerca de 5 milhões de trabalhadores sejam dispensados.

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