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Produção industrial avança 2,9% em janeiro, segundo IBGE Na comparação com igual mês de 2013, a indústria registrou em janeiro queda de 2,4%

Sílvio Ribas

Publicação: 11/03/2014 18:36 Atualização:

A produção industrial esboçou uma forte reação em janeiro, avançando 2,9% sobre o mês anterior. O resultado, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi puxado pela produção de bens de capital e ficou acima das expectativas dos analistas. Apesar disso, o melhor desempenho em um ano foi incapaz de compensar o tombo de 3,7% registrado no último mês de 2013.

Na comparação com igual mês de 2013, a indústria registrou em janeiro queda de 2,4%. Especialistas apostavam numa alta mensal de 2,5% e um recuo de 3,4% na comparação anual. Dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE, 17 tiveram crescimento mensal em janeiro, tendo à frente farmacêutico (29,4%), veículos automotores (8,7%) e máquinas e equipamentos (6,4%).

"A indústria nacional está entrando no quinto ano sem crescimento real, alternando momentos de fortes altas com outros de fortes quedas. E esse tipo de comportamento é fatal para as decisões privadas de investimentos", comentou Pedro Paulo Silveira, economista da Universidade de São Paulo (USP).

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Segundo ele, os números evidenciaram que as importações têm tido peso importante na atividade industrial desde 2009, considerando o momento de forte concorrência internacional, com mercados emergentes, inclusive a China, apresentando queda nos saldos comerciais.

Segundo o IBGE, a categoria de bens de capital, considerado um indicador da taxa de investimentos, avançou 10% em janeiro ante dezembro, no melhor resultado desde os 14,5% de junho de 1997. Os técnicos do instituto apontam a retomada da produção de caminhões como principal fator para isso. Em dezembro, o ramo despencou 12,2% na comparação mensal e subido 2,5% em relação a mesmo mês do ano passado. A produção de bens de consumo, por sua vez, cresceu 2,3% na comparação mensal, sendo 3,8% em bens duráveis. Sobre janeiro de 2013, esse grupo recuou 3,6%.

Para o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Pedro Raffy Vartanian, o salto de janeiro pode ser explicado pela queda nos estoques devido aos receios da indústria nos últimos dois meses de 2013. No ano passado, a indústria brasileira oscilou muito, acumulando expansão de 1,2% e levantando temores sobre recuperação mais robusta. Na avaliação do especialista, o setor industrial terá dificuldades em 2014, diante da alta de juros e dos custos em dólar.

Mariana Hauer, economista do Banco ABC Brasil, também ressaltou que o crescimento de janeiro verificado na categoria de bens de capital não mostrou igual performance em outras, como bens de consumo não duráveis. "Os bens duráveis continuam perdendo o fôlego na medida em que os incentivos fiscais do governo para o setor de linha branca e automóveis param de existir. Para fevereiro, apesar de alguns sinais positivos, nossas perspectivas ainda são de um crescimento modesto para 2014, de 1,7%", observou. Em 2013, o crescimento da produção industrial ficou em 1,1%.

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