publicidade

Baixo crescimento e pressão inflacionária desafiam o Brasil, diz economista

O economista chefe para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, Augusto de la Torre revelou preocupação com o crescimento do país

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

postado em 09/04/2014 14:46

Agência Brasil

AFP PHOTO/Paul J. Richards

Um dia depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduzir as estimativas de crescimento para o Brasil, o Banco Mundial divulgou, nesta quarta-feira (9/4), relatório dizendo que o país deverá crescer menos de 2% neste ano. A situação é preocupante, porque combina baixo crescimento com pressão inflacionária, disse, em Washington, O economista chefe para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, Augusto de la Torre, que hoje apresentou o relatório International Flows to Latin America: Rocking the Boat? (Fluxos Internacionais para a América Latina: Problemas à vista?, em tradução livre).

De acordo com a instituição, o baixo crescimento do país deve-se, em parte, ao fato de ainda não ter sido implementada “a agenda de reformas para evitar um cenário de baixo crescimento, poupança limitada e reduzido investimento”.

Sobre o crescimento, Augusto de la Torre disse que o normal seria, nessas condições, uma situação de baixa inflação. O economista ressaltou, porém, que esse é um problema de curto prazo e que as perspectivas de longo prazo para o país são “sempre” favoráveis. No curto prazo, recomendou o economista, é preciso resolver pressões inflacionárias acompanhadas de baixo crescimento.

“O país tem uma grande riqueza, é o maior da região. Estou otimista com o crescimento do Brasil. O desafio é crescer a curto prazo. O país precisa criar mais espaço para uma combinação entre política fiscal e monetária. A política fiscal precisa ser mais ajustada para abrir mais espaço na política monetária. A combinação é uma política difícil, mas o Brasil deveria balancear as duas. Adotar uma política monetária mais elástica”, disse.

Na região sul-americana, as previsões de crescimento para este ano variam entre -1%, na Venezuela, e quase 7%, no Panamá, seguido de perto pelo Peru, com 5,5%. Também acima da média regional estão o Chile e a Colômbia, com expectativas de crescimento superiores a 3,5%.

Leia mais notícias em Economia

O México terá aproximadamente 3% e mereceu uma consideração à parte pela onda de reformas, que atingem o setores bancário, da educação, de telecomunicações, de impostos e energia. Para o economista, essa onda de reformas aumentou o otimismo dos investidores e melhorou as perspectivas de crescimento do país, não só este ano.

De la Torre também apontou as situações que, para ele, representam riscos globais para a América Latina. Entre elas, estão a política monetária dos Estados Unidos e o futuro econômico da China. Para o economista do Banco Mundial, a China deverá crescer 7,5% ou menos, com impacto para o crescimento da América Latina e suas exportações.

No caso dos Estados Unidos, a retomada do crescimento e a política de redução das intervenções do Tesouro norte-americano tornarão a economia daquele país mais atrativa, com a retirada de recursos dos emergentes, por exemplo. De la Torre disse que, mesmo assim, o impacto da inversão nos fluxos de capital é menos significativo na América Latina e no Caribe, pois a região conta com novos recursos internacionais, mais estáveis.

“Os mercados financeiros estrangeiros têm volatilidade e certo grau de instabilidade. As razões são o preços da política monetária dos Estados Unidos, que vai continuar a ser normalizada. A outro é a expectativa do futuro da economia na China”, disse o economista.

De la Torre ressaltou, no entanto, que a região está mais preparada, principalmente a Colômbia, o Chile, o México, o Peru e o Brasil, que são os países que podem suportar melhor as pressões globais. Outra boa notícia, segundo ele, é que, antes de 2003, a América Latina era uma região que devia muito, mas passou agora a ser um importante credora. Houve ainda aumento da captação de investimentos estrangeiros diretos (IED) na região na última década, em detrimento do capital especulativo, mais volátil.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade