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Estímulo ao crédito pode não surtir efeito, afirmam economistas

Para os especialistas, não há dúvidas de que o governo busca a retomada do crescimento com a intenção de colher dividendos eleitorais

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postado em 21/08/2014 07:11

Paulo Silva Pinto , Bárbara Nascimento

Em um ambiente de retração econômica e de queda da presidente Dilma Rousseff em pesquisas de intenção de voto, o governo resolveu agir para se contrapor ao cenário pessimista. Foram anunciadas ontem uma série de medidas para favorecer o crédito no país, com o objetivo de estimular o consumo e o crescimento da produção. Logo cedo, às 8h, o Banco Central (BC) anunciou alterações nas normas de recolhimento de depósitos compulsórios — recursos que as instituições financeiras são obrigadas a manter depositados na autoridade monetária. A mudança deverá liberar R$ 25 bilhões para empréstimos. À tarde, foi a vez de o Ministério da Fazenda entrar em cena, elencando seis medidas diversificadas, nas áreas de financiamento imobiliário, de veículos, crédito consignado e de tributação de bancos.

Elaboradas para dar uma injeção de ânimo ao combalido Produto Interno Bruto (PIB), que vem apresenta crescentes sinais de fraqueza, as iniciativas, contudo, estão ameaçadas pela insegurança dos bancos em liberar financiamentos e pelo endividamento das famílias, segundo os especialistas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que as regras vêm sendo estudadas há muito tempo, o que descaracteriza, na sua avaliação, qualquer intenção eleitoral. “Nosso ritmo não é político. Temos um fluxo de regulamentações que são apresentadas conforme amadurecem. Depois da eleição, continuaremos a adotar medidas”, disse Mantega. Ele anunciou o pacote de ontem ao lado de dois dos principais nomes de sua equipe, o secretário executivo Paulo Rogério Caffarelli e o secretário de Política Econômica, Márcio Holland.

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Críticas

Para economistas, não há dúvidas de que o governo busca a retomada do crescimento com a intenção de colher dividendos eleitorais. “É uma tentativa desesperada e inútil de reverter a estagnação”, afirmou o presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, Carlos Eduardo de Freitas. “As medidas passam a impressão de que o governo está desnorteado, perdido. Administrar por pacotes é ruim. É como um espasmo. Fazia-se isso nos governos Geisel, Figueiredo e Sarney”, afirmou Freitas.

O estímulo ao crédito, contudo, pode não surtir o efeito esperado. “O dinheiro vai ficar no mesmo lugar”, afirmou Freitas. Para o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, o retorno positivo das medidas deve vir, mas não na proporção prevista e somente a médio prazo. A tomada de crédito voltará a crescer, segundo ele, quando a confiança for retomada. “Se o objetivo era aquecer a economia antes das eleições, não vai ser atingido. Os bancos podem não querer emprestar por conta da situação macroeconômica em geral, e a demanda por crédito pode estar baixa nesse momento”, afirmou.

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