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Fraco desempenho da indústria na Copa faz derrubar a atividade econômica O comércio vendeu menos, a indústria produziu menos e até os serviços sofreram impacto com a paralisia do país em dias de jogos da Seleção e nos feriados das cidades sedes

Simone Kafruni

Publicação: 25/08/2014 08:40 Atualização:

A Copa do Mundo deu uma de seleção alemã e contribuiu para a surra no PIB brasileiro. É consenso entre os especialistas que o desempenho da atividade econômica do segundo trimestre será negativo também por conta do menor número de dias úteis no período do torneio mundial. O comércio vendeu menos, a indústria produziu menos e até os serviços sofreram impacto com a paralisia do país em dias de jogos da Seleção e nos feriados das cidades sedes. “Há um certo impacto, claro, mas não dá para atribuir apenas ao efeito Copa o desempenho negativo”, alerta Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.

Maria Iara Vieira, com dificuldade para pagar as contas, iniciou o corte de gastos (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Maria Iara Vieira, com dificuldade para pagar as contas, iniciou o corte de gastos

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, estima que o PIB deve ser de -0,4% no segundo trimestre e fechar o ano em 0,8%. “A indústria fraca, o menor número de dias úteis, os serviços que devem apresentar retração, e o comércio sob efeito de sazonalidades, como menor consumo de combustíveis durante a Copa, contribuíram para isso”, afirma. Gomes explica que o varejo pode se recuperar um pouco no segundo semestre porque o preço dos alimentos está em queda. Ressalta, contudo, que, como o crédito está mais caro, a venda de bens duráveis deve continuar baixa.

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O economista da CNC acredita que o consumo das famílias ainda deve ser um ponto positivo no desempenho do PIB. A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, discorda. “O crédito está mais restrito, com os juros altos, isso abala o consumo”, sublinha.

Dentro dos lares brasileiros, a percepção é de que o consumo desabou. A enfermeira Maria Iara Alves Vieira, de 24 anos, está com dificuldades para pagar as contas e já partiu para os cortes de gastos. “Minha filha de três anos fazia escola, balé e teatro. Tivemos que tirá-la das atividades extras. Cortamos o telefone fixo de casa e estamos pedindo desconto na faculdade do meu marido. Até trocar produto no supermercado é necessário para equilibrar o orçamento”, reclama.

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