Com concessionárias investigadas pela Lava-Jato, obras de rodovias param

Controladoras das empresas responsáveis pelas BR-153, BR-163 e BR-040 são investigadas por corrupção da Petrobras. Uma delas, a Galvão, admite que não vai poder tocar duplicação sem a ajuda do governo

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postado em 09/03/2015 06:12

Simone Kafruni



Refém dos gargalos de infraestrutura, sobretudo nas rodovias que escoam a maior parte da produção nacional, o Brasil começa a enfrentar a paralisia de obras concedidas a empreiteiras envolvidas nos escândalos de corrupção da Petrobras. A duplicação e a manutenção de quatro estradas vitais para o transporte de grãos do Centro-Oeste estão nas mãos de construtoras ou companhias formadas por sócios investigados pela Operação Lava-Jato: a BR-153, a BR-163 em dois trechos, e a BR-040.

O comprometimento dessas obras de infraestrutura agrava ainda mais o quadro do país, que, em recessão, vem reduzindo sistematicamente os investimentos. O economista Claudio Porto, presidente da Macroplan,afirma que, nos últimos 10 anos, o aporte de recursos para ampliar a infraestrutura do país tem sido, em média, de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta para resolver os principais gargalos até 2017 era chegar a 3,7% e, em 2022, a 5%. “Com as empreiteiras na Lava-Jato, o objetivo de 2017 está inviabilizado. A curto prazo, teremos atrasos, porque as empresas com melhor capacidade técnica e escala de operações estão com dificuldades financeiras e com a reputação abalada”, diz.

Sem crédito para tocar o empreendimento, a Galvão Engenharia desmobilizou o canteiro de obras da BR-153, com investimento previsto de R$ 4,7 bilhões para duplicação de 624,8km entre Goiás e Tocantins. O maquinário e a frota de operações para serviços ao longo da rodovia, incluindo ambulâncias e guinchos, estão encostados no canteiro de obras, 305 de 360 funcionários diretos foram demitidos e cerca de 600 colaboradores terceirizados, dispensados (leia texto abaixo). A Concessionária de Rodovias Galvão BR-153 apenas tapa buracos e recupera uma ponte em risco de desabar.

O financiamento inicial, dado antes da liberação do crédito a longo prazo — chamado empréstimo-ponte — do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 800 milhões, não saiu. A empresa já aportou R$ 200 milhões do próprio caixa e não tem mais de onde tirar dinheiro. O BNDES não comenta o caso, mas explica que é prática, antes da realização de um leilão, divulgar as condições de seu eventual apoio aos vencedores do certame, sem que isso signifique compromisso prévio de concessão de crédito.

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