Brasil adota modelo de arrecadação de impostos focado no consumo

O sistema penaliza os mais pobres porque cobra tributos iguais de todos, sem levar em conta a capacidade de contribuição de cada um

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 22/03/2015 08:00 / atualizado em 21/03/2015 19:30

Simone Kafruni

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e um dos sistemas mais perversos e injustos de recolher impostos. Como se não bastasse cobrar demais pelo que não entrega, exige maior contribuição justamente da parcela da população que tem a menor renda e que mais precisa dos péssimos serviços públicos oferecidos pelo governo com o dinheiro dos contribuintes. Em outras palavras, paga mais quem ganha menos e só os ricos são beneficiados. A classe média também é penalizada porque, além de ser fortemente taxada, gasta com serviços privados de saúde, educação e segurança para não depender de escolas de baixíssima qualidade, hospitais precários e um sistema de proteção ineficaz e perigoso.


No fim do ano passado, a Receita Federal divulgou a carga tributária bruta de 2013, de 35,95% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal nível de impostos coloca o Brasil no topo do ranking das nações da América Latina. Na avaliação do advogado tributarista Anderson Cardoso, sócio do escritório Souto Correa, não só o Brasil lidera o ranking da América Latina como está bem distante do segundo colocado. “A média é de 21,3% dos outros países, enquanto no Brasil é quase 36% do PIB. Temos carga de primeiro mundo e serviços de terceiro”, aponta.

 

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) calcula que o brasileiro precisou trabalhar cinco meses em 2014 apenas para pagar impostos, o dobro do tempo que gastava na década de 1970. Seguramente, os serviços públicos não avançaram nessa proporção. Para o presidente do IBPT, João Eloi Olenike, o problema mais grave do modelo brasileiro de tributação é a concentração dos impostos sobre consumo e produção. “Cerca de 70% da arrecadação é em cima de consumo, o que torna o sistema regressivo, ou seja, todos pagam a mesma coisa, mas a pressão sobre a renda dos pobres é maior”, diz.

 

O especialista destaca que, quando se prioriza o imposto do consumo, às vezes as pessoas nem sabem que estão pagando tributos. É o que acontece com Wilson Teixeira dos Santos, de 46 anos, que não tem consciência de quanto compromete de sua renda em impostos. Sem emprego fixo, faz bicos, como entregar frutas para lanchonetes no Conjunto Nacional, trabalho que garante uma renda mensal de apenas R$ 480. “Meus gastos são com comida, aluguel, luz e água, mas não faço ideia de quanto pago de imposto”, diz. Sem saber, ele paga 48,28% de tributos na conta de luz e 37,88% na de água.

 

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.  

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.
 
Maurin
Maurin - 23de Março às 11:42
Além disso, qualquer aumento da progressividade sobre a renda vai recair diretamente sobre quem ja paga muito tributo: a classe média.
 
Maurin
Maurin - 22de Março às 20:15
Os especialistas que comentam esta matéria parecem desconhecer a realidade tributaria em todo o mundo. O perfil dos sistemas tributarios é ditado por uma inexoravel ordeme tributaria internacional que estabelece um regime privilegiado de tributação sobre a renda e o patrimônio em detrimento do consumo. Portanto, a regressividade não é uma invenção brasileira mas uma exigência do nomadismo da riqueza nesses tempos de globalização. Trata-se, portanto, de conceitos ultrapassados quando se discute reforma tributaria.