PGBL ou VGBL, eis a questão

Os planos privados de aposentadoria têm características tributárias e de resgate diferentes que precisam ser analisadas pelo investidor na contratação

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postado em 29/10/2015 17:24

Vera Batista

Em momentos de crise, parece, as preocupações com o futuro crescem. E os questionamentos sobre como estará o país e a própria vida daqui a alguns anos aumentam. A verdade é que, independentemente do momento econômico, é preciso se preparar para não perder a qualidade de vida na hora em que decidir se aposentar.

Com a falência do sistema de previdência público, que este ano deve fechar com rombo de R$ 82,1bilhões, as pessoas ainda podem recorrer aos planos de previdência privada. Para garantir uma velhice tranquila, os brasileiros têm a disposição o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o plano Vida Gerador de Benefício Livre(VGBL), como forma de complementar a aposentadoria. Mas é preciso ficar atento à rentabilidade, à taxa de administração e à de carregamento para avaliar se essa é a melhor maneira de garantir o futuro.

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Para especialistas, no entanto, uma coisa é clara: planejar aposentadoria requer disciplina e determinação. Em muitos casos, é preciso estar disposto a abrir mão de um gasto imediato, para poupar. A primeira coisa que se deve fazer é tentar definir a forma mais adequada de tributação. No PGBL, você pode deduzir o valor das contribuições da sua base de cálculo do Imposto de Renda, com limite de 12% da renda bruta anual. No VGBL, a tributação acontece apenas sobre o ganho de capital.

No momento da contratação do plano, o cliente também deve decidir se quer uma renda vitalícia — paga mensalmente no futuro e que pode servir de herança a companheiros ou filhos — ou prefere receber a renda por prazo certo. Também deve ficar atento à solidez da instituição em que vai aplicar o dinheiro. Em muitos casos, segundo Sandro Bonfim, superintendente de produtos da Brasilprev, a maioria das pessoas não se aposenta, faz uma transição de carreira.

“Muitos não param de trabalhar aos 60 anos, por exemplo. Apenas readaptam a vida, já com uma garantia de sobrevivência. E, hoje, com as taxas de juros no patamar que estão, aconselho aproveitem a oportunidade e comecem a guardar dinheiro”, destacou. Segundo pesquisa inédita da Brasilprev, os aportes aos planos VGBL e PGBL registraram crescimento de 5% em agosto deste ano, em relação ao mesmo mês de 2014. O valor médio da contribuição mensal subiu para R$ 367 (alta de 22%, na mesma comparação), 71,6% dos clientes têm até 50 anos, 45% são mulheres, 55% solteiros, 37% casados.

Cuidados
O PGBL e VGBL, no entanto, não são as únicas opções de poupança para a aposentadoria. De acordo com Rafael Seabra, especialista em finanças, são produtos caros. Normalmente, disse, cobram taxa de administração de 2% ao ano, além de taxas de carregamento, nos mesmos percentuais. “E também há uma taxa de saída, cobrada caso você queira resgatar o montante investido antes de um determinado período. É uma espécie de multa para tentar impedir que você desista”, reforçou.

Na opinião de Seabra, a aplicação em Tesouro Direto (títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional) é mais vantajosa. Ele fez uma simulação comprovando que, se uma pessoa aplicasse, mensalmente, R$ 1 mil por mês, ao longo de 25 anos, ao fim do período, teria menos de R$ 1 milhão nos planos de previdência complementar, enquanto que o resultado seria de quase R$ 1,4 milhão, se escolhesse os títulos públicos.

Amerson Magalhães, diretor da Easynvest, chama a atenção para o fato de que, enquanto as taxas cobradas pelos planos de previdência complementar giram em torno de 2% ao ano, nos títulos públicos, são de 0,3%. “Além disso, qualquer pessoa tem acesso ao Tesouro Direto, com valor mínimo de R$ 30, com baixíssimo risco”, destacou. Outra alternativa, segundo ele, são os fundos ETF (do inglês Exchange Traded Funds, conhecidos como fundos de índices), que replicam a rentabilidade do Ibovespa, (índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores).

No entender de Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, no entanto, em toda a modalidade de investimento, o aplicador tem que ficar atento e observar se aquele produto se enquadra no seu perfil. “É importante destacar que os planos são mais caros, mas oferecem o conforto, caso seja essa a opção, de uma renda vitalícia, um ganho mensal, como se fosse um outro salário. Os títulos públicos são mais rentáveis, porém, ao fim do período contratado, o investidor tem em suas mãos um bolo de recursos, que terá de administrar ou contratar um especialista para orientá-lo”, destacou Domingos.

O fundamental, segundo o terapeuta financeiro, é que o brasileiro, primeiro, aprenda a guardar dinheiro. “Tem que agir como se a poupança fosse uma obrigação mensal, como aluguel, por exemplo. E, caso esteja inadimplente e sem condições de manter esse hábito, é preciso, antes de qualquer atitude, fazer uma faxina financeira e identificar o ralo por onde o dinheiro está jorrando”, destacou Domingos.

Aportes

Mais de 12 milhões de pessoas têm um plano de previdência complementar no Brasil, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Após um período de fortes resgates, os aportes aumentaram, apesar da crise. No primeiro semestre deste ano, o setor teve arrecadação total de R$ 46,3 bilhões, valor 28,4% maior que o apresentado no mesmo período de 2014. Segundo Osvaldo Nascimento, presidente da FenaPrevi, o motivo é o maior conhecimento do produto, além do fato de que a previdência privada aberta atende o planejamento do poupador que não está com foco no curto prazo. Mas que pensa em aposentadoria sustentável ou na educação dos filhos.

45 % dos clientes de previdência complementar são mulheres











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