Crise na Casa da Moeda expõe má gestão e corrupção institucionalizada

Em meio a investigações da Polícia Federal, empresa que detém o monopólio da fabricação de passaportes atrasa a confecção do documento. Para analistas, má gestão e malversação de recursos públicos minam a eficiência de companhias públicas

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postado em 05/07/2016 06:00 / atualizado em 05/07/2016 07:29

Arte/CB/DA Press

Alvo de investigações da Polícia Federal por corrupção, a Casa da Moeda do Brasil precisou interromper a produção de passaportes por problemas na peça de um equipamento que precisou ser importada da Alemanha. Os documentos, que, em condições normais, demoram seis dias para ficarem prontos, levam, agora, até 45 dias. A confecção foi retomada, mas sem um dos itens de segurança, a numeração perfurada, o que pode causar problemas a brasileiros no exterior. Para especialistas, o episódio é efeito da má gestão e da corrupção institucionalizada nas estatais.

A empresa é alvo de pelo menos três operações da Polícia Federal (PF) que investigam fraudes em licitações e contratos superfaturados. O primeiro escândalo ocorreu em 2005, quando o então presidente da estatal, Manoel Severino dos Santos, foi pego na lista dos beneficiários de propina dentro do mensalão. Segundo a PF, ele teria recebido R$ 2,7 milhões.

Em 1º de julho de 2015, a PF desbaratou um esquema que fraudava contratos da estatal referentes à implantação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). A Operação Vícios descobriu que funcionários da Casa da Moeda e da Receita Federal teriam recebido propinas de R$ 100 milhões. Luiz Felipe Denucci foi demitido da presidência da empresa.

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Em outra operação, deflagrada em junho passado, denominada Esfinge, a PF identificou fraudes em licitações no valor de R$ 6 bilhões, também relacionadas à instalação do Sicobe. Funcionários teriam embolsado R$ 70 milhões em propinas. Os balanços da empresa, no entanto, apontam lucro, o que surpreendeu José Matias-Pereira, professor de Administração Pública da Universidade de Brasília (UnB). “Os números da corrupção são assustadores. Falar que o balanço está dentro da normalidade é algo que precisa primeiro passar pelo crivo dos órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União)”, disse.

Para o especialista, os balanços da Petrobras, da Caixa e do Banco do Brasil também precisarão ser examinados. “As coisas são reveladas de maneira muito lenta no país. Isso faz com que, aparentemente, pareçam normais. A corrupção se institucionalizou na administração pública”, alertou. “Quando isso ocorre, todo o sistema político conspira para que nada venha à tona. Ainda vão surgir evidências nos próximos meses.”

 

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