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Operação Greenfield prende empresários e Justiça bloqueia R$ 8 bilhões

Foram determinados o o sequestro e o bloqueio de 90 imóveis, 139 automóveis, uma aeronave, além de valores em contas bancárias, cotas e ações de empresas e títulos mobiliários

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postado em 05/09/2016 14:14 / atualizado em 05/09/2016 17:33

Divulgação/PF


A Justiça bloqueou bens e ativos de pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Greenfield. Os desvios são estimados em pelo menos R$ 8 bilhões. A lista dos suspeitos por fraudes no Postalis, no Funcef, no Petros e na Previ inclui atuais e ex-diretores das fundações e vários empresários, entre eles, Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS; Walter Torre, da W Torre; e Eugênio Staub, da Gradiente.

O presidente da JBS e sócio da holding J&F, Wesley Batista, e o empresário Walter Torre Junior, fundador e CEO da Wtorre, foram conduzidos coercitivamente à sede da Polícia Federal em São Paulo. Ainda foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da holding J&F controladora da JBS, em São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da JBS, as buscas são direcionadas à empresa da Eldorado Brasil, de celulose.

O empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, da OAS, acabou preso. O ex-presidente da companhia foi conduzido coercitivamente, mas ficou detido preventivamente por ordem do juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato. Confira a lista completa dos investigados.

A Justiça determinou o sequestro e o bloqueio de 90 imóveis, 139 automóveis, uma aeronave, além de valores em contas bancárias, cotas e ações de empresas e títulos mobiliários. A ordem judicial é da 10ª Vara Federal, de Brasília, e alcança também bens e ativos de 103 pessoas físicas e jurídicas. Em julho, a PF já havia feito buscas na Eldorado e também na casa do presidente e sócio da J&F, Joesley Batista. A ação de 1º de julho durou mais de seis horas, como parte da Operação Sépsis, fase da Lava-Jato.

A assessoria de imprensa da J&F confirmou que Wesley Batista está na Polícia Federal, mas que foi levado voluntariamente. Já o irmão e presidente da J&F, Joesley Batista, está fora do país desde a semana passada, segundo a assessoria de imprensa. Em nota, a J&F afirma ainda que a empresa e seus executivos colaboram com as investigações da Polícia Federal e estão à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

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Rombo
Os quatro fundos de pensão patrocinados por empresas estatais sob alvo operação respondem por 62,6% do rombo acumulado de todo o sistema em 2015 Juntos, Funcef (fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios) registraram déficit de R$ 48,7 bilhões, diante dos R$ 77,8 bilhões de resultado negativo de todo o sistema de fundos de pensão do País. Em 2015, a Petros registrou déficit de R$ 22,6 bilhões; a Previ, R$ 16,1 bilhões; a Funcef, R$ 8,8 bilhões; e o Postalis, R$ 1,2 bilhão. Os dados são da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão regulador do setor.

Ação em vários estados
A investigação apura crimes de gestão temerária e fraudulenta contra esses fundos. São sete prisões temporárias no total, além de 106 mandados de busca e apreensão e 34 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do DF. A decisão judicial ainda determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos e de recursos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas.

Dez casos foram revelados, segundo a PF, a partir de análises das causas dos deficits bilionários apresentados pelos fundos de pensão. Oito deles estão relacionados a investimentos realizados de forma ilegal, por meio dos Fundos de Investimentos em Participações (FIPs). A Polícia Federal indica a existência de núcleos organizados para a prática dos crimes: empresarial, dirigente de fundos de pensão, de emrpesas avaliadoras de ativos e o de gestores e administradores dos FIPs. Os investigados responderão por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei nº 7.492/86.

A Operação contou com o auxílio técnico do Ministério Público Federal (MPF), da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Participam cerca de 560 policiais federais, além de 12 inspetores da CVM, quatro procuradores federais da CVM, oito auditores da PREVIC e sete procuradores da República.

Greenfield
O nome da operação é uma alusão a um jargão dos negócios, sobre um tipo de investimento que envolve projetos iniciantes, ainda no papel. O contrário de investimentos Greenfield é o Brownfield, no qual os recursos são aportados em um empreendimento/empresa já em operação.

Com informações de Jacqueline Saraiva e da Agência Estado
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