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Uso de redes móveis cresce, mas operadoras ainda deixam a desejar

Pesquisa mostra que percentual de usuários que utiliza somente rede móvel passou de 19% em 2014 para 35% no ano seguinte. A maioria tem planos de dados oferecidos pelas operadoras de telefonia mas, sempre que possível, aproveitam wi-fi disponíveis

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postado em 16/10/2016 07:00

Simone Kafruni

O celular se tornou o dispositivo preferido dos brasileiros para acessar a internet em 2015, quando ultrapassou os computadores. Mas o uso de rede móvel para se conectar é um movimento que cresce ano a ano, sobretudo entre as classes C, D e E, que não têm recursos para colocar wi-fi em casa. Essa tendência de comportamento dos internautas brasileiros levanta vários desafios. Entre eles, a necessidade de implantação de mais antenas para atender à demanda, a resolução da polêmica sobre franquia na banda larga fixa e a definição de novos parâmetros para inclusão digital.

As justificativas pela preferência de internet móvel acessada de celulares são sempre preço e disponibilidade, aponta a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), realizada anualmente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) em todo o país. Em Brasília, não é diferente. A comerciante Mel Miranda, 29 anos, tem uma renda mensal de até R$ 800 com a venda de doces. Para ela, os preços do wi-fi são altos demais para pagar mensalmente. Por isso, utiliza dois chips de operadoras diferentes para acessar a internet móvel. “Por mês, eu gasto R$ 13 para cada pacote no telefone. É a saída para mim, já que ter uma rede fixa em casa é muito caro”, conta.

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Por mandar muito áudio, fotos e vídeos, Mel sempre termina com o pacote de dados antes do fim do mês. “Eu uso apenas duas redes sociais, que são o WhatsApp e o Facebook, mas todo mês preciso pagar um pouco a mais. O problema é que a internet é muito ruim. Entre as operadoras, não tem nenhuma que é muito melhor. A rede não contribui”, lamenta.

A mais recente pesquisa TIC Domicílios, com dados captados até junho de 2016, aponta que, entre os usuários da rede, que correspondem a 58% da população, 89% acessam a internet pelo celular, enquanto 65% por computador de mesa, portátil ou tablet. Na edição anterior, eram 80% pelo computador e 76% pelo telefone celular.

A conexão dos usuários apenas pela rede móvel passou de 19% em 2014 para 35% no ano passado. “Hoje, uma em cada três pessoas conectadas usa apenas celular”, revela Winston Oyadomari, coordenador da pesquisa. O uso exclusivo pelo smartphone ocorre, principalmente, entre os usuários mais pobres e da área rural. Entre as pessoas das classes D e E, 28% utilizam internet e a maioria deles (65%) usa a rede apenas pelo celular.

O camelô José Wilson Teófilo, 39, usa o pacote de internet de três operadoras diferentes, pagando cerca de R$ 80 mensais. Em casa, ele orienta os filhos de 15 e 11 anos a não assistir a vídeos e mandar áudios pelo telefone, para a rede não acabar antes do fim do mês. “Quando eu chego em casa, eu ligo o roteador e a gente divide a internet, mas apenas para o Facebook e WhatsApp. Quando eles querem assistir vídeos eles vão até a casa do vizinho, que tem wi-fi”, diz. José diz que já pesquisou os preços para instalar banda larga. “Vou ter que pagar, no mínimo, R$ 90. Não vale a pena”, comenta.

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