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Taxa básica de juros deve cair pela primeira vez em quatro anos

Sucessão de notícias positivas, que vão da desaceleração da inflação à aprovação da PEC do Teto, reforçam aposta de economistas de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidirá pelo recuo da Selic. Dúvida é sobre a intensidade da queda

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postado em 17/10/2016 06:58 / atualizado em 17/10/2016 08:31

Rodolfo Costa

A semana começa com a expectativa de queda na taxa básica de juros (Selic) pela primeira vez desde outubro de 2012. A sucessão de notícias positivas para a economia nas últimas semanas — desaceleração da inflação, aprovação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos à inflação do ano anterior, e a queda do preço da gasolina e do diesel nas refinarias — reforça a opinião de especialistas de que o recuo ocorra já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina na quarta-feira.

A dúvida dos analistas é sobre a intensidade do corte — 0,25 ou 0,5 ponto percentual (p.p.). Há economistas que apostam em redução de 0,25 p.p. nesta e na próxima reunião, assim como quem acredite em uma única queda de 0,5 p.p. neste mês. Pela projeção do boletim Focus, do Banco Central, a Selic encerrará o ano em 13,75% — atualmente, está em 14,25%. O Copom volta a se reunir em 29 e 30 de novembro.

Há, no entanto, analistas que apostam em uma Selic inferior a 13,75%. Para estes especialistas, o cenário econômico aponta para um horizonte tão positivo que levaria a autoridade monetária a colocar a taxa básica em 13,25% ao fim de 2016. Outros economistas, entretanto, entendem que não há tanto espaço para uma redução tão agressiva, uma vez que a inflação continua alta. Em 12 meses acumulados até setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 8,48%.

Os contratos de juros futuros negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) demonstravam otimismo sobre a queda da Selic desde o início do mês, quando foi divulgada uma desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro. A taxa DI para janeiro de 2018, que era negociada a 12,01% caiu para 11,96% ao ano. O contrato com vencimento no primeiro mês de 2019, antes negociada a 11,40% recuou para 13,32% ao ano; e a para 2021, passou de 11,33% para 11,26%.

Sinalização
Ontem, em Goa (Índia), onde participa ao lado do presidente Michel Temer da Cúpula do Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, corroborou as projeções dos economistas. Para ele, a queda dos índices de preços pode levar à redução das taxas de juros “nos próximos meses”. “Vai acontecer, dadas as condições atuais de retração da inflação e alguns casos como o da Petrobras”, complementou, referindo-se ao anúncio, pela estatal, da redução do preço da gasolina e do diesel.

Desde a divulgação da ata do encontro do Copom no fim de agosto, quando o trecho “não haver espaço para a flexibilização da política monetária” do documento de julho foi retirado, o mercado aposta em recuo neste mês. O sentimento foi reforçado, ainda, pelo Relatório de Inflação do BC, que prevê IPCA na meta já em 2017.

As últimas declarações do presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, em Washington, na semana passada, também sinalizam para o recuo da Selic. Em evento na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, ele afirmou que a inflação do país “está na direção correta” e os esforços fiscais do governo “começaram bem e confortam o BC”.

13,75%
Projeção do boletim Focus para a Selic no fim do ano

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Jose
Jose - 17 de Outubro às 21:56
Desde quando os notáveis economistas de 1970/2016, começaram a fazer as previsões e intervir no mercado de juros,a sociedade encolheu no poder aquisitivo,não avançou um milímetro em direção à prosperidade prometida, ao G8,e agora generosamente PERMITE BAIXAR NO MÁXIMO 0,25%,uma esmola condizente com o desconto da gasolina. Vamos ser mais sério né, por favor,chega de pirotecnia político-econômico! Puxa sacos manipuladores do PMDB/PSDB/PT!

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