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IPCA-15 é o mais baixo desde agosto de 2014

Prévia da inflação oficial fica em 0,19% em outubro e fecha na menor variação em 12 meses desde maio de 2015; de cada 100 produtos, 55 subiram, segundo pesquisa; preços livres continuam a pressionar o índice

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postado em 22/10/2016 08:00

Rodolfo Costa

O processo de desaceleração da inflação se mantém. Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial do custo de vida no país, cravou 0,19%, abaixo da mediana projetada pelo mercado, de 0,21%. É a menor taxa para o mês desde 2009 e o indicador mensal mais baixo desde agosto de 2014. Com o resultado, a carestia acumulada em 12 meses registrou crescimento de 8,27% — a menor variação desde maio de 2015.

A perda de força da inflação mostra, ainda, uma descontaminação de preços no mercado consumidor. Em outubro, o índice de difusão — que mede a disseminação de custos na economia — ficou em 54,8%. Isso significa que, de cada 100 bens e serviços, quase 55 sofreram correção. É a menor taxa desde outubro de 2011.

Para analistas, o resultado reforça o ambiente favorável para um corte maior da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central até o fim do ano. A autoridade monetária, no entanto, está cautelosa em relação às reduções. Se por um lado os preços administrados — aqueles que são estabelecidos por contrato ou controlados pelo governo — já não apresentam mais o mesmo perigo em relação a 2015, os livres, que respondem às condições de oferta e demanda, ainda mostram resistência.

 

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No acumulado em 12 meses, os preços administrados avançaram 7,7%. É a menor taxa desde janeiro do ano passado. Já os livres, na mesma base de comparação, subiram 6,8%. No mesmo período do ano passado, a alta desses custos era de 6,9%. Em parte, essa pressão é atribuída aos gastos com serviços, que cresceram, em média, 7,1%.

Apesar de a inflação de serviços ser a menor em 12 meses desde agosto de 2010, o economista Fabio Bentes considera que, não fosse pela rigidez da legislação trabalhista, convergiria para a meta em processo mais rápido e, consequentemente, puxando o custo de vida médio geral. “É um tipo de preço que não reage à taxa de juros no curto prazo, mas à renda”, destacou.

Mesmo diante da pior das recessões que o país viveu, os rendimentos reais — descontada a inflação — caíram 1,7% no acumulado do trimestre encerrado em agosto. Em 1999 e 2003 — antes da regra de reajuste do salário mínimo, a partir de 2007 — a renda real caiu entre 7% a 8%. As normas estabelecem que o salário básico deve ser corrigido pela inflação do ano anterior, acrescido do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores.

Como muitos trabalhadores recebem o piso, mesmo o ajuste nos rendimentos do mercado de trabalho acaba sendo lento pela inflexibilidade de correção dos ganhos. “Ainda que em desaceleração, o preço dos serviços enfrenta como revés à desaceleração o reajuste do salário mínimo acima da inflação do ano passado”, observou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola.

Parte da pressão exercida por serviços é atribuída à chamada inflação subjacente, que exclui quatro grupos de itens mais voláteis: serviços domésticos; cursos; comunicação; e turismo, que incorpora passagem aérea, hotel e excursões. Em outubro, esse grupo teve uma participação de 0,06 ponto percentual do resultado de 0,19% do IPCA-15.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, destaca que, considerando que a participação geral dos serviços foi de 0,16 ponto percentual, cerca de um terço desses preços ocorreu por pressão de itens que não são sensíveis à recessão. “Em outubro do ano passado, para uma inflação geral de 0,66%, a participação dos serviços foi de 0,20 ponto, e a dos subjacentes, de 0,07 ponto”, ressaltou. “O grupo de serviços segue desinflando, mas a dúvida sobre velocidade e profundidade continua.”

Serviços


A preocupação em relação aos serviços é pertinente, uma vez que esse grupo de gastos está na mira do BC. Na opinião de alguns analistas, isso deve motivar a autoridade monetária a não realizar cortes agressivos na Selic. Entretanto, o economista-sênior do Haitong Banco de Investimento S/A, Flávio Serrano, ainda acredita em um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em novembro, levando a Selic a encerrar o ano em 13,5% ao ano.

Na avaliação de Serrano, mesmo a pressão exercida por alguns serviços subjacentes deve ser relativizada em decorrência da sazonalidade. “A passagem, por exemplo, pela natureza de metodologia, é volátil e acaba tendo muita flutuação de um mês para o outro”, justificou. Para ele, o próprio ajuste no mercado de trabalho contribuirá para o desaceleramento da inflação de serviços. “Com o desemprego subindo, os preços devem cair”, analisou.

O movimento dos preços de serviços, no entanto, não ditará sozinho o ritmo de corte da Selic. O economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do BC e presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, reforça que a autoridade monetária estará atenta ao ambiente fiscal.

“Não há dúvidas de que estamos em um processo desinflacionário. Mas é preciso que hajam medidas claras e inequívocas no sentido de redução do desequilíbrio fiscal para que novos cortes ocorram”, disse. Se o presidente, Ilan Goldfjan, e os diretores não tiverem segurança dessas medidas, pode até ocorrer de segurarem o corte na próxima reunião do Copom, alerta Freitas.

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