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Crise econômica tira espaço até de trabalhador autônomo

Pessoas que montaram pequenos negócios para sobreviver, depois de perder o emprego, não conseguem mais manter a fonte de renda

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postado em 29/10/2016 07:05

Colaborou Hamilton Ferrari

O ajuste no mercado de trabalho não poupa nem os informais. No pico da crise econômica, muitas pessoas que perderam o emprego encontraram uma fonte de renda exercendo atividades por conta própria, como venda de sacolé, lanches diversos e marmitas. No primeiro trimestre deste ano, eram 23,19 milhões trabalhando nessa situação, a maior quantidade já registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, com o aprofundamento da recessão, muitos autônomos não conseguem mais viver do sustento próprio, estão sendo expulsos da informalidade e voltando às filas de desempregados.

Tamanha é a intensidade desse processo que, na passagem do segundo para o terceiro trimestre deste ano, 1,07 milhão de pessoas ocupadas foram expelidas do mercado informal, número jamais observado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Entre julho e setembro, foram contabilizados 21,85 milhões de pessoas atuando por conta própria. A perda dos quase 1,1 milhão de trabalhadores significou uma queda de 4,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, o cenário é ainda pior. A queda foi menor, de 1,7%, mas foi a primeira em mais de três anos nessa base de comparação.

A situação dos informais é ainda mais crítica quando comparada à dos trabalhadores formais. O ajuste nos empregos com carteira assinada é nítido, mas a queda é menor que a dos que atuam por conta própria. Em relação ao segundo trimestre do ano, o recuo da ocupação formal foi de 0,9%. No primeiro trimestre, a queda era de 2,2%. Para analistas, isso pode ser o início de uma reversão do mercado formal.

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Já no campo informal, não há a mesma previsão de mudança no quadro. Pelo contrário. Na comparação do terceiro trimestre com período equivalente de 2015, a massa salarial caiu 3,8%, o que indica perda de renda disponível na economia e, consequentemente, um ambiente menos favorável para consumo. Com a atividade econômica desaquecida, a tendência é que o desemprego aumente.

Colchão

O ajuste no mercado informal explica outro detalhe do mercado de trabalho. Com a redução do número de trabalhadores por conta própria, quem está saindo desse nicho de mercado volta à condição de desocupado. Ou seja, a contração da informalidade é um dos principais motivos a explicar o aumento da taxa de desemprego, que ficou em 11,8% no terceiro trimestre, alerta o analista Bruno Ottoni, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). “É algo preocupante. Essa queda dos conta própria tem pressionado um recuo da população ocupada e, portanto, o aumento do desemprego. É um fato novo, que difere um pouco do período inicial da crise, quando os conta própria serviam de colchão para que o recuo na ocupação não fosse tão proeminente”, avaliou.

A explicação para a contração na população de trabalhadores por conta própria está na queda geral dos rendimentos, fruto do aumento da concorrência entre os autônomos, sustenta o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. “Muitos desses trabalhadores eram pessoas que estavam no mercado formal e, com a perda do emprego, usaram o 13º salário e os benefícios da rescisão para montar o próprio negócio. No entanto, com a continuidade da crise, os pequenos empreendimentos que não foram adiante levaram muitos a abandonarem a atividade”, avaliou. No trimestre encerrado em setembro, o rendimento médio entre os conta própria ficou em R$ 1,5 mil — valor 1,1% inferior ao do trimestre anterior e 1,8% menor que o registrado em período semelhante do ano passado.

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