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Estudo: brasileiros estão dispostos a gastar mais com alimentos saudáveis

Pesquisa mostra que 66% dos brasileiros estão dispostos a gastar mais para comprar alimentos e bebidas que não contenham ingredientes considerados prejudiciais

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postado em 14/11/2016 06:05 / atualizado em 13/11/2016 21:58

Rodolfo Costa

Os hábitos saudáveis estão tendo maior importância na vida dos consumidores. Apesar de uma conjuntura econômica desfavorável, com desemprego subindo e inflação ainda alta, a demanda por produtos mais sadios está crescendo. Entre janeiro e agosto deste ano, de acordo com a Nielsen, empresa especializada em tendências e comportamentos de consumo, a procura por esses produtos subiu, em média, 67% em relação ao mesmo período do ano passado. E os consumidores não medem esforços para manter esse padrão alimentar. A instituição estima que 66% dos brasileiros estão dispostos a gastar mais por alimentos e bebidas que não contenham na fórmula ingredientes considerados prejudiciais.

Entre os fatores que explicam esse movimento, está a própria retomada da confiança dos consumidores, avalia Lenita Mattar, gerente de Atendimento ao Varejo da Nielsen. No primeiro trimestre de 2014, a saúde era a principal preocupação dos consumidores. Naquele início de ano, o índice de confiança do consumidor, medido pela Nielsen, estava em 106 pontos.


“Eu prefiro gastar com produtos do que ir a um dermatologista. Não vejo o consumo de itens saudáveis como gasto. Tenho preocupações com a crise? Sim. Mas não cogito economizar com alimentação. Com saúde, não se brinca”
Natália Cristina da Silva,gerente administrativa

Com a chegada da crise econômica, os principais temores dos consumidores passaram a estar ligados a motivos econômicos, como a inflação, a segurança no emprego e a estabilidade política. Então, a confiança desabou para 74 pontos, no segundo trimestre de 2016. No entanto, no terceiro trimestre, a confiança subiu para 84 pontos e, com isso, a preocupação com a saúde voltou a figurar entre as principais preocupações dos brasileiros.

Dentro de um contexto de racionalização de gastos e preservação do poder de compra, até mesmo segmentos que não são considerados essencialmente básicos, como os saudáveis, estão crescendo expressivamente pautados por tendências de saudabilidade, aponta Lenita. “É um movimento que tem força para continuar crescendo”, avalia.

Outros fatores que justificam o consumo de saudáveis estão ligados a problemas de saúde. Um estudo da Nielsen aponta que 30% das famílias alegam ter algum familiar que sofre de alergia alimentar ou intolerância, seja a lactose, produtos lácteos, s frutos do mar e a trigo (glúten). Há também preocupações em manter dietas equilibradas: 31% adotam dieta com baixo teor de gordura, 28% privilegiam o uso consciente do açúcar e 22% optam por alimentos com baixo teor de sódio.

A demanda por produtos mais saudáveis cresce acima de suas “versões” menos sadias. Enquanto o consumo de massas comuns subiram 4% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2015, os gastos com massas integrais avançaram 11%, indica a Kantar Worldpanel, empresa também especializada em comportamento dos consumidores.

Produtos lácteos também apresentaram o mesmo movimento. A opção por leite de baixa lactose subiu 78% na mesma base de comparação — acima dos gastos com leite longa vida e leite em pó, que cresceram 8%. O movimento de açúcares foi ainda maior. O tipo refinado caiu 7%, mas o orgânico avançou 88%, e o demerara, 47%.


Orgânico


A diferença entre os preços dos produtos é gritante. Em um hipermercado, um pacote de macarrão comum pode ser comprado por R$ 1,15, enquanto a versão integral chega a R$ 4,99. Ou seja, 333,9% mais caro. Um quilo de açúcar refinado no mesmo comércio custa a partir de R$ 1,99, enquanto o tipo demerara sai a R$ 3 — uma diferença de 94,9%. Apesar dessas discrepâncias entre valores, a gerente administrativa Natália Cristina da Silva, 27 anos, não abre mão das versões mais saudáveis.

Vegetariana há dois anos, mudou os hábitos de maneira muito brusca. Deixou de comer carne de uma forma que, segundo ela mesma, foi equivocada. Então, acabou adoecendo e precisou gastar com medicamentos. “Hoje, não tenho mais esse problema. Entendo que é uma ilusão muito grande achar que pagar caro em produtos saudáveis é ter gastos maiores. Minhas despesas com remédios foram muito maiores”, diz.

Recentemente, Natália foi afetada por uma alergia e decidiu apostar em produtos sem glúten. “Eu prefiro gastar com produtos a ter de ir a um dermatologista. Não vejo o consumo de itens saudáveis como gasto. Tenho preocupações com a crise? Sim. Mas não cogito economizar com alimentação. Com saúde, não se brinca”, afirma, ressaltando que prioriza sempre produtos com pouca gordura, pouco sódio e sem açúcar. “Se vou comprar uma geleia, por exemplo, procuro sempre a sem açúcar. O açúcar em quilo, só o demerara”, conta.


Saúde


Não são apenas os gastos com itens saudáveis que chamam a atenção. De 2009 a 2015, mais de 2,5 milhões de famílias passaram a demandar serviços de academia, avalia a Kantar Worldpanel. Na soma de todos os gastos necessários para cuidar da saúde, a empresa avalia que, no ano passado, as despesas com saúde consumiram 7% do orçamento. Em 2014, essa parcela era de 6%. Chama a atenção que 79% dos consumidores trocaram a alimentação por comidas mais saudáveis. Afinal de contas, das preocupações com a saúde, 76% alegam temores com o peso e 75% têm receio com o colesterol e a pressão arterial.

Para a diretora de Marketing da Kantar, Maria Andrea Ferreira, esse fenômeno é uma tendência que deve ganhar ainda mais força à medida que a economia demonstrar reação. “É praticamente certo que, assim que o mercado de trabalho retomar força e a massa de rendimentos voltar a crescer, sem dúvidas, mais domicílios vão procurar gastar com esses produtos”, avalia. Quem está na expectativa pela volta do crescimento econômico é o empresário Edmar Mothé, dono da Bio Mundo. “Quando a atividade melhorar, imagino que as vendas ficarão ainda melhores. Pessoas que, hoje, gostariam de consumir esse tipo de produto, mas não o fazem porque o orçamento está curto, passarão a comprar”, comenta.

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