FMI mantém em 0,2% a previsão de expansão do PIB do Brasil

Fundo condiciona saída da recessão à diminuição da instabilidade política e ao avanço das reformas e indica que desempenho do país será o pior entre os países do Brics

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postado em 18/04/2017 10:03 / atualizado em 18/04/2017 10:06

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve estável em 0,2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2017. Em janeiro, o órgão multilateral havia reduzido a estimativa para o desempenho da economia do país de 0,5%, para 0,2%, abaixo da mediana do mercado de 0,4%, projetada no boletim semanal Focus, do Banco Central (BC). 


Os dados constam do relatório Panorama Econômico Global, divulgado nesta terça-feira (18/4), em Washington, às vésperas do encontro ministerial de primavera (no Hemisfério Norte) do FMI e do Banco Mundial, que ocorre entre os próximos dias 21 e 23. O Fundo elevou a taxa de expansão do PIB do Brasil de 2018 em 0,2 ponto percentual que estava prevista em outubro de 2016, passando de 1,5% para 1,7%. O órgão destacou no estudo que o Brasil “foi atingido por uma recessão profunda” e que o início de um ciclo forte de redução de juros pode ajudar na recuperação econômica. Para a instituição, a saída da recessão será gradual e precisará ter como suporte “redução da instabilidade política, flexibilidade na política monetária e mais progressos na agenda de reformas”.

Além de estarem abaixo das previsões do mercado, as estimativas do FMI estão mais pessimistas que as da equipe econômica do governo, liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que espera crescimento de 0,5%, este ano, e de 2,5%, no ano que vem. Meirelles embarca hoje à noite para a capital dos Estados Unidos, onde participará do encontro ministerial do FMI e do Banco Mundial, onde tentará convencer a comunidade internacional de que o país conseguirá avançar na agenda de reformas, apesar de muitos integrantes do governo e da base aliada estarem sendo indiciados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de corrupção.

Abaixo da média

Os dados do relatório do Fundo mostram que o desempenho da economia brasileira em 2017 está abaixo da média global e da América Latina é o pior entre os países emergentes do Brics, grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Pelas estimativas do Fundo, o PIB indiano lidera o grupo com expansão de 7,2%, seguido pelo chinês, com alta de 6,6%. O russo e o sul-africano devem crescer 1,4% e 0,8%, respectivamente.

O organismo melhorou a expectativa de expansão global, principalmente, nas economias desenvolvidas. “A atividade mais forte e a expectativa de uma demanda global mais robusta com restrições no fornecimento de petróleo, devem ajudar os preços das commodities se recuperarem desde a queda no início de 2016”, informou o órgão em seu relatório. Segundo a instituição, a atividade no mercado emergente continua fraca nos países exportadores de petróleo e outras commodities, de forma geral, além de fatores geopolíticos afetarem o crescimento no Oriente Médio e na Turquia.

O FMI elevou de 3,4% para 3,5% a média de crescimento global e manteve estável a previsão para 2018 em 3,6%, mostrando uma aceleração da expansão econômica frente a alta de 3,1% de 2016. Essa leve melhora em relação ao último relatório, segundo o organismo, é resultado de boas notícias econômicas vindo da Europa e da Ásia, especialmente, de China e Japão. A previsão para o PIB chinês deste ano subiu em 0,1 ponto percentual, passando de 6,5% para 6,6%. Mas o japonês teve a maior alta entre os desenvolvidos, de 0,4 ponto percentual, para 1,2%.

 O Fundo não alterou a taxa de 4,5% para o crescimento do PIB dos países emergentes em 2017, mas reduziu em 0,1 ponto percentual a previsão de expansão da América Latina, para 1,1%. 

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