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Estado de Minas

Onda mundial de ciberataques atinge INSS, Petrobras e tribunais

Vírus WannaCry se espalhou por computadores de, pelo menos, 74 países, além do Brasil. Hackers usaram código malicioso para sequestrar dados e exigir resgastes na moeda virtual bitcoins para devolverem as informações


postado em 13/05/2017 06:00

Uma onda de ataques cibernéticos iniciada ontem em empresas europeias ganhou proporções continentais ao longo do dia e teve reflexos no Brasil. Conforme informações preliminares, foram afetadas no país empresas de grande porte como a Petrobras, no Rio de Janeiro, e Telefônica/Vivo, em São Paulo, e também órgãos públicos, como Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
 
 
Especialistas avaliam que ainda é cedo para medir os prejuízos causados pelo ataque do vírus WannaCry (Quero chorar, tradução literal), que se alastrou por, pelo menos, 75 países. O ataque é feito por meio de arquivos infectados, enviados por e-mails, que são baixados pelo usuário que não toma as devidas precauções de segurança. Esse software é chamado de ransomware — nome dado ao código malicioso usado pelos hackers para “sequestrar” dados do disco rígido do computador ou do servidor das vítimas. Para devolverem as informações, os cibercriminosos exigem o pagamento do resgate em bitcoins, moeda virtual criptografada, para não serem rastreados.

Um levantamento inicial feito pela empresa de segurança Kaspersky indicou que foram registrados mais de 45 mil casos em todo o mundo, afetando empresas e órgãos públicos e governamentais. Os especialistas são unânimes em dizer que, nos dias de hoje, está cada vez mais difícil identificar a origem desse tipo de ataque, pois eles podem ser feitos com computadores zumbis ou com um endereço de internet falso que não dá para identificar territorialmente.

O professor de direito intelectual da FGV Rio Eduardo Magrani, lembrou que, como o mundo está mais conectado, o sequestro de dados está cada vez mais comum. “Esses ataques são um alerta para a internet das coisas, que é uma tendência global. Eles mostram os riscos de se adotar uma tecnologia sem se preocupar com segurança. Os malwares não atacam sistemas operacionais como no passado, mas qualquer coisa conectada, seja um laptop, seja uma torradeira”, alertou.

Protocolo

Procurada, a Telefônica/Vivo negou que sofreu o ataque ou qualquer problema na prestação de serviços no país. No entanto, confirmou que a matriz da operadora, a Telefónica Espanha, foi “uma das empresas vítimas de um incidente global de segurança cibernética”. “Esse evento afetou alguns computadores de colaboradores que estão na rede corporativa da empresa. Imediatamente, foi ativado o protocolo de segurança para tais incidentes com a intenção de que os computadores afetados voltem a funcionar o mais rapidamente possível”, disse a nota. A Telefônica Brasil informou ainda que “está tomando medidas preventivas para garantir a normalidade da operação”. “A empresa informa também que os dados dos clientes estão seguros e que eles podem continuar usando os serviços normalmente”, completou.

A Petrobras precisou reiniciar o sistema interno devido à ameaça e informou apenas que, “ao tomar conhecimento do vírus global, a empresa adotou medidas preventivas para garantir a integridade da rede e dos dados”. A estatal disse ainda, por meio da assessoria, que “não teve nenhuma perda identificada até o momento”. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), por precaução, manteve os computadores desligados à tarde.

Os sites do STJ, dos tribunais de São Paulo e do Distrito Federal e do MP paulista ficaram fora do ar ontem, assim como a conta de Twitter do Palácio do Planalto, que, segundo explicações, foi tomada por outro usuário. No Tribunal de Justiça paulista, uma tela com o anúncio do sequestro apareceu em alguns computadores exigindo pagamento para liberação dos arquivos roubados, e as máquinas foram desligadas, segundo a assessoria do órgão.

Em Brasília, a maioria dos órgãos da Esplanada dos Ministérios, de acordo com o Serviço Federal de Processamento de Dados da Receita Federal (Serpro) e com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, funcionaram normalmente. O GSI confirmou “incidentes pontuais em estações de trabalho de servidores do INSS” e garantiu que a estrutura de arquivos dos órgãos da Administração Pública “não tinha sido afetada”.

Procurado, o  INSS informou que os serviços nas agências foram suspensos assim que foram identificados indícios do ciberataque. “O órgão também esclarece que os atendimentos marcados para ontem serão reagendados e que os dados dos cidadãos estão resguardados”, disse a nota do instituto.

TI sem problema

O Serpro avisou que adotou medidas “adequadas” de segurança e colocou o plano de contingência em operação. A empresa disse que “não identificou a ocorrência de qualquer anormalidade no ambiente de Tecnologia da Informação (TI) dos órgãos de governo clientes da empresa”. O Serpro tem como principais clientes o Ministério da Fazenda, a Receita Federal, a Secretaria do Tesouro Nacional, o Ministério do Planejamento, o Ministério da Justiça, o Ministério das Cidades e o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

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