Meirelles está otimista de que Brasil vai se tornar país membro da OCDE

Ministro da Fazenda acredita que convite para ingressar na organização pode ocorrer em julho, durante a reunião de embaixadores. Para ser membro, país precisará avançar com a agenda das reformas

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postado em 08/06/2017 06:00


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está otimista de que o Brasil vai receber ainda em julho o convite formal da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para tornar-se um país-membro da entidade. Ao inaugurar sua conta no Twitter, o chefe da equipe econômica afirmou que a entrada na OCDE “faz parte da agenda de reformas” do governo.


“A candidatura do Brasil como país-membro da OCDE está sendo muito bem recebida”, reforçou o ministro em seu Twitter, diretamente de Paris, onde participa do encontro ministerial da organização e aproveita para se reunir com investidores. Ele aproveitou para retuitar uma entrevista dada pelo secretário-geral do organismo, José Angel Gurría, à Folha de São Paulo. Nela, o economista e diplomata mexicano afirmou que “o Brasil cumpre plenamente com todas as condições prévias”, que o país “já é da família, como um primo muito próximo”.

Na semana passada, o governo brasileiro enviou carta à OCDE demonstrando interesse na adesão ao grupo. A expectativa dos membros da equipe econômica é de que o convite da entidade seja feito na próxima reunião dos embaixadores, em julho. A partir do recebimento desse convite, é iniciado o processo de adesão, mas há um longo período pela frente. Em média, são necessários três anos. E, nesse prazo, o Brasil precisará ser enquadrado nos 25 comitês da entidade e avançar com a agenda de reformas.

Aprovação


Meirelles, em entrevista coletiva em Paris, comemorou ontem a aprovação do texto da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, 14 votos contra 11. “O importante é que está sendo aprovado”, disse. Ele está otimista de que a reforma previdenciária também passará pelo Congresso. “Existe uma consciência cada vez maior de que o mais importante para o cidadão brasileiro é que tenham segurança de que receberão a aposentadoria e de que a Previdência Social será solvente no futuro”, disse.

Quando foi criada, em 1960, a OCDE era composta por 20 países, sendo 18 europeus mais Estados Unidos e Canadá. Atualmente, possui 35 membros, incluindo México e Chile.  O Brasil é um parceiro-chave desde 2007, ao lado de China, Índia, Indonésia e África do Sul.  Naquela época, o país foi convidado a ingressar no grupo. Estava prestes a conquistar o grau de investimento, com PIB crescendo forte e superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública). Hoje, o Brasil tenta sair da pior recessão de sua história. Perdeu o selo de bom pagador e as contas do governo federal registram deficits primários consecutivos desde 2014.

O economista-chefe do banco Haitong, Jankiel Santos, criticou esse movimento e lembrou que há desafios maiores a serem superados no momento. “A entrada do Brasil na OCDE é indiferente para investidores no momento atual. O país tem que resolver tantos problemas primeiro antes de querer entrar em um clubinho”, destacou. Para ele, o primeiro deles é o imbróglio político sobre o processo da cassação ou não da chapa Dilma-Temer. Mas, independentemente do resultado, para o país recuperar a confiança é importante a sinalização de que as reformas prosseguem, com ou sem Temer.
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