País registra melhor saldo em conta-corrente da história, aponta BC

Superavit de US$ 2,9 bilhões em maio é o maior desde 1995, conforme dados do Banco Central

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postado em 27/06/2017 11:35 / atualizado em 27/06/2017 12:15

O saldo de transações correntes em maio ficou positivo em US$ 2,9 bilhões. É o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1995, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados nesta terça-feira (27/06). No acumulado do ano, a diferença entre tudo o que o país compra e o que ele vende para o mercado externo ficou negativo em US$ 616 milhões.

“Este é o terceiro superavit comercial consecutivo nas transações correntes. Esse resultado, no ano, acumula um deficit de US$ 616 milhões, que é um valor bastante próximo da estabilidade. E esse resultado é o melhor desde 2007, o último ano em que o país teve superavit nas transações correntes”, destacou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Fernando Rocha. Segundo ele, a projeção de transações correntes BC é de superavit de US$ 750 milhões. “Esse seria o quarto mês seguido de superavit e isso levará o saldo acumulado muito próximo de zero, mas no terreno de saldo positivo”, afirmou.

O volume de investimento estrangeiro direto no país em maio foi de US$ 2,9 bilhões, praticamente a metade dos US$ 6,1 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2016. “Esse dado é o mais baixo para o mês de ma grande maio desde 2009”, destacou Rocha. No acumulado de janeiro a maio, o fluxo de investimento direto foi de US$ 32,4 bilhões, dado 8,3% acima dos US$ 29,9 bilhões computados nos primeiros cinco meses do ano passado.
Rocha evitou afirmar que a queda desses investimentos é resultado da desconfiança dos investidores em relação ao governo, diante do pedido de abertura de ação penal contra o presidente Michel Temer feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) feito ontem. 

“Não avaliamos que seja uma tendência de fluxo de investimento direto, mas vamos continuar olhando esses dados. Eles não implicaram em uma revisão da projeção do BC, que se manteve em US$ 75 bilhões o volume total de investimento estrangeiro direto no país”, explicou. O técnico do BC contou que a autoridade monetária reduziu de US$ 30 bilhões para US$ 24 bilhões a projeção de deficit em conta corrente para este ano. Para Rocha, essa projeção é conservadora e tem grande contribuição do superavit da balança comercial, cuja previsão foi elevada de US$ 51 bilhões para US$ 54 bilhões.
 
Viagens
Os brasileiros voltaram a gastar mais no exterior do que no ano passado. De acordo com dados do Banco Central, em maio, os brasileiros gastaram no exterior US$ 1,077 bilhão a mais que os estrangeiros no país. Em 2016, esse saldo era de US$ 679 milhões. No acumulado do ano, o deficit em viagens praticamente dobrou, passando de US$ 2,4 bilhões, em 2016, para US$ 4,6 bilhões, um salto de 91%. “Os brasileiros estão gastando mais no exterior neste ano. Avaliamos que a principal razão é que, nesse período comparativo, tinha IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrados nos pacotes de viagem em 2016 e que agora não existe mais. Por isso, o crescimento é grande porque a base de comparação ficou menor”, disse Fernando Rocha. 
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