Reforma no imóvel exige planejamento e reserva de orçamento

Para a educadora financeira Teresinha Rocha, é muito tentador fazer uma reforma que melhore o ambiente e faça a pessoa se sentir bem em casa. Mas é preciso que a vontade não complique o orçamento da família

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postado em 02/07/2017 08:01 / atualizado em 02/07/2017 08:29

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

Fazer uma reforma pode ser um transtorno. Dependendo de como for feita, a mudança na casa pode se tornar um pesadelo com problemas de planejamento e gastos acima do esperado. Apesar disso, há possibilidade de alterar o ambiente do lar sem passar por problemas. Especialistas indicam se programar financeiramente e delimitar o projeto antes de colocar a mão na massa.

Para a educadora financeira Teresinha Rocha, é muito tentador fazer uma reforma que melhore o ambiente e faça a pessoa se sentir bem em casa. Mas é preciso que a vontade não complique o orçamento da família. “Uma análise deve ser feita sempre para evitar o desequilíbrio financeiro”, declara.

Uma forma de se planejar é utilizar uma planilha. Ana Luiza Marinho, professora e educadora financeira, destaca que registrar os gastos, os descontos e os produtos é um artifício muito eficiente. “A pessoa visualiza os custos e vê ainda o que pode fazer e o que não tem condições”, destaca. Também existem linhas de crédito específicas para reformas em casa que podem valer a pena.

Especialistas recomendam observar as condições, como juros e parcelas desses financiamentos. A compra com o cartão de crédito deve ser evitada. Segundo Ana Luiza, a disciplina com a ferramenta depende do perfil de pessoa. “Se for alguém que não tem dinheiro no momento, mas que pensa que no mês seguinte vai ter, está assumindo um risco. Por outro lado, se for um consumidor organizado, que planeja os gastos, é uma saída e uma possibilidade a ser utilizada”, conta.

A crise econômica adiou o sonho de mudar o visual de casa para muitas pessoas. As férias de julho podem ser a oportunidade que o consumidor estava esperando para fazer as alterações. Segundo especialistas, uma maneira de fazer isso sem gastar muito é renovar os móveis antigos, transformando-os.

Cara nova

A aposentada June Alves Gomes, 56 anos,  tem um filho de 24 anos que precisava repaginar o quarto. O cômodo estava com “aspectos de adolescente” e precisava de mudança para ser mais confortável para ele. “Eu pintei a parede e contratei uma pessoa para fazer a pintura dos móveis. Não troquei os que já tinha. Só os melhorei, usando cores mais sóbrias. O resultado ficou ótimo”, destaca.

A aposentada conta que aproveitou para fazer as mesmas mudanças no próprio quarto. O resultado final foi uma economia de mais de R$ 20 mil. “Se eu fosse comprar todos os móveis, iria sair muito mais caro. Agora os quartos estão bem mais arrumadinhos e do jeito que nós escolhemos”, diz June.

Os especialistas veem a reciclagem dos móveis antigos como uma forma de renovar o ambiente de casa sem gastar muito, mas também de personalizar a mudança. “Pode pintar, trocar o forro ou mandar arrumar. O móvel fica com uma cara nova. Hoje há recursos fabulosos que dão ar de novo para o produto, com a marca de cada pessoa”, afirma Teresinha.

Se o objetivo for trocar os móveis, as garage sales podem ser uma opção. São vendas de produtos usados que podem estar em perfeito estado. Seja onde for, é preciso ficar atento e observar bem a qualidade das mercadorias. “Tem que ter cuidado. É preciso confiar do lugar e no que é vendido”, diz a educadora.

Escolher bons materiais e profissionais pode evitar uma grande dor de cabeça no futuro, aponta o arquiteto Pedro de Almeida Grilo, da CoDA Arquitetos. “Tem muita gente que recorre a um profissional para tentar corrigir coisas que foram feitas sem planejamento e que comprometeram a estrutura como um todo”, aponta.

Pesquisa

Para aliviar o bolso, é preciso planejamento e pesquisa, de acordo com Pedro Madureira Neto, diretor da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).“Tem que gastar sola de sapato, ir a, no mínimo, três lojas e pechinchar muito os valores”, explica Madureira. Éverton Correia, superintendente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e doutor em economia, recomenda dividir a obra se ela for grande. “No meio do ano, faz o piso, depois de quatro meses, o banheiro. É bom evitar fazer tudo de uma só vez”, declara.

A autônoma Maria José Andrade, 53 anos, precisa reformar a casa porque a sobrinha foi morar com ela, com o esposo e com a filha. Só havia dois quartos e foi preciso construir um novo. Ela vai iniciar a reforma em julho, mas não está juntando dinheiro para isso. “Vamos comprar os materiais no cartão de crédito e parcelar tudo em umas seis vezes”, conta. Segundo ela, o dinheiro está curto e só vai fazer a reforma porque é necessária. “Vamos pagar o essencial. O que a gente conseguir fazer por conta própria vamos fazer”, afirma.

Segundo especialistas, muitas pessoas se endividam durante uma reforma porque mudam de ideia durante o processo. Por isso, Ana Luiza indica contratar um arquiteto que trace detalhadamente uma linha de gasto baseado no projeto. “Ele estipula uma margem para não sair muito do planejamento. O arquiteto representa uma economia em outros aspectos”, sugere.

É essencial que os profissionais escolhidos tenham boas referências e que o pagamento seja feito parcelado, metade no início da obra e o restante quando o trabalho for entregue, para correr menor risco de ficar na mão. “Se for contratar uma empresa, entre no Reclame Aqui e veja se há alguma queixa e como eles se posicionam com os clientes”, aponta Neto.

* Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira
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